Pentágono pressiona aliados por mais ajuda contra o Estado Islâmico
Redação DM
Publicado em 21 de novembro de 2015 às 01:05 | Atualizado há 11 anosWASHINGTON — O Pentágono está pressionando aliados árabes e europeus a ampliarem o suporte na guerra contra o Estado Islâmico, esperando que os ataques terroristas em Paris os convença sobre a necessidade de maior envolvimento. O pedido de apoio é impulsionado pela esperança de construção de uma dinâmica no campo de batalha no Iraque e na Síria, mas também reflete a sensação do Departamento de Defesa americano que a campanha contra o Estado Islâmico tem avançado lentamente, e requer movimentos militares urgentes e decisivos.
Segundo a agência AP, oficiais americanos disseram perceber um maior interesse europeu em contribuir com a campanha militar na Síria, já que muitos países da região não estão participando das ações. Entretanto, as autoridades reconhecem ser difícil conseguir mais ajuda de países com o orçamento já comprometido em ações em outras partes do mundo. E as chances de ajuda adicional de nações árabes são ainda menores.
Durante a semana, o secretário de Defesa, Ash Carter, se reuniu com assessores e altos comandantes e deixou claro que a estratégia americana será mantida. Porém, Carter afirmou que é hora de procurar aliados europeus em busca de apoio na luta contra o Estado Islâmico, informou um oficial da defesa, que prefere se manter anônimo.
De acordo com esse oficial, Carter pediu aos seus principais assessores que contatem Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Turquia para apoio militar adicional. Os pedidos variam de equipamento e suprimentos, treinadores militares e unidades de operações especiais.
A Itália já forneceu caças Tornado para missões de reconhecimento, armamentos para combatentes curdos e unidades de treinamento no Iraque, mas afirmou considerar exercer ação mais ativa no combate ao Estado Islâmico no Iraque, mas a decisão ainda não foi tomada. No mês passado, a ministra da Defesa, Roberta Pinotti, disse que o país ainda não considera ações na Síria porque Damasco não pediu ajuda.
— Nós estamos prontos para ajudar nossos irmãos franceses, mas nem eles, nem os americanos, nem nós iremos fazer incursões na Síria — disse o ministro de Relações Exteriores, Paolo Gentiloni, em entrevista à emissora RAI, na quinta-feira.
A pressão americana por mais apoio para ações militares na Síria e no Iraque acontece no momento em que a França intensifica suas operações aéreas na Síria, por causa do atentados em Paris, e a Rússia amplia suas operações após concluir que o Estado IslÂmico está por trás da derrubada de um jato de passageiros na Península do Sinai, no Egito.
Na próxima semana, o presidente francês, François Hollande, viajará a Washington e Moscou para pressionar pelo fortalecimento da coalizão internacional contra o Estado Islâmico. Em entrevista na segunda-feira, Carter destacou a resposta imediata da França e afirmou que os EUA buscam novas formas para aumentar a efetividade da campanha militar.
— Nós precisamos que outros entrem no jogo — disse Carter. — Eu espero que essa tragédia tenha o efeito de galvanização com outros, como ela fez com os franceses, e realmente por toda a Europa. A Europa está participando em parte das operações contra o Estado Islâmico, mas não, notavelmente, na Síria.
Bélgica, Reino Unido, Dinamarca e Holanda estão realizando missões aéreas, mas apenas no Iraque. Para Derek Chollet, conselheiro do fundo German Marshall, afirmou que os ataques em Paris pode dar a outros países europeus a vontade política e o apoio público que precisam.
— Existe um desejo para que a Europa se envolva mais, mas é uma decisão política — disse Chollet. — Eu acho que agora exista a abertura de um espaço político pelo que aconteceu na semana passada, então faz sentido que os EUA talvez esteja fazendo esse duro questionamento a parceiros europeus sobre o seu envolvimento em locais como a Síria.