Pequi ganha novas dimensões em Goiás
Redação DM
Publicado em 27 de outubro de 2016 às 01:17 | Atualizado há 2 anos
O pequizeiro é uma árvore que encontrou no Cerrado o seu habitat predileto. Por isso, é encontrado em Estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Embora a espécie seja abatida para a semeadura de soja, milho e a criação de animais, é crescente o seu valor econômico por causa da sua polpa. Há um alto grau de aproveitamento dos frutos no arroz, nas cozinhas mineira e goiana. Os nortistas e nordestinos apreciam o pequi tanto cru quanto cozido. Mas Goiás entra mais firme no mapa por causa de pesquisa e fomento do pequi anão e sem espinho.
O tamanho de sua árvore varia de tamanho, mas chega a vinte metros de altura em algumas regiões brasileiras. O pequizeiro é uma árvore muito versátil, no que diz respeito às suas utilidades, pois dela se aproveita praticamente tudo. As sementes são comestíveis e, normalmente, cozidas com o arroz. O fruto, para quem o aprecia, é considerado delicioso e nutritivo. A polpa pode ser usada de muitas maneiras, como, por exemplo, para a produção de licores e sabão. As folhas são aproveitadas para um chá medicinal que auxilia na regulação do fluxo menstrual.
Mourões e cercas
A sua madeira é muito resistente e ótima para a confecção de mourões e cercas. O óleo produzido a partir do pequi é, também, considerado como produto medicinal e utilizado na produção de vários medicamentos e, ainda, é recomendado como tônico ou bálsamo para asmáticos.
Na composição do pequi é encontrado cálcio, fósforo, ferro, cobre, além das vitaminas A, B1 e C. O valor energético, em cada 100 gramas, é de 89 calorias.
Pesquisa promissora
A Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater) mantém um pomar em sua unidade de pesquisa no Campus 2, onde há cultivo de pequi. A pesquisadora Elainy Botelho Pereira é responsável pela área de dez hectares, onde estão disseminadas mais de 1.800 variedades de pequi, das quais 300 do anão. “Desde o pequizeiro nativo aos decorrentes de enxertos e clones”, relata a pesquisadora, responsável pelos estudos desse cultivo há mais de 15 anos.
Trabalho ideal
A proposta da Emater, robustecida por Elainy, que desempenha o seu trabalho com ideal, é que a instituição disponha de mudas para revigorar cada vez mais o Cerrado de diferentes variedades de pequi. Ela percorre todo o campo experimental do Centro de Treinamento da Emater com inusitada satisfação. É um prazer apresentar uma planta aqui, outra acolá existente no pomar. Afinal, compõem o bosque guariroba, jenipapo, murici, mangaba, araticum, baru, cagaita, entre outras.
Mas reclama da burocracia, que praticamente emperra a disseminação das mudas pelo País afora. “Um registro de uma espécie nova demanda anos”, diz indignada, porque esse procedimento dificulta o próprio andamento da pesquisa agronômica. E lembrar que graças à tecnologia, que decorre da pesquisa, onde o céu é o limite, contribui para o êxito da atividade agropecuária brasileira.
O pequi anão, produtivo e ornamental, é uma das variedades ao lado do pequi sem espinhos. O pé mede apenas 1,58m. Ao percorrer o campo vê as fileiras de plantas de forma semelhante, e filosofa: “São frutos da mesma semente e parecem nossos filhos, cada um diferente do outro, mas que amamos do mesmo jeito”. Ela naturalmente se refere às plantas clonadas, que vieram de enxertos, e as nativas.
Receita
Ingredientes
1 galinha inteira em pedaços | 25 caroços de pequi | 3 copos (americano) de arroz
2 tomates, 2 cebolas, 5 dentes de alho, 4 colheres (sopa) de óleo
3 colheres (sopa) de coentro ou salsinha, 7 pimentas-de-bode, Sal a gosto
Como fazer
Tempere o frango com três dentes de alho, sal e pimenta-de-bode.
Refogue o frango em três colheres de óleo até dourar. Reserve.
Doure uma cebola e um dente de alho em óleo. Junte o pequi, sal e um pouco de água e deixe ferver. Quando o caldo estiver engrossando, adicione água aos poucos até cozinhar. Reserve o pequi refogado.
Na mesma panela que o pequi foi cozido, refogue uma cebola, um dente de alho, tomate, açafrão e pimenta-de-bode. Acrescente arroz, frango, pequi, sal e água suficiente para cozinhar. Após o preparo, salpique cheiro-verde.
Sobre o pequi: Deve ser comido apenas com as mãos, jamais com talheres.
Leve a boca para então ser “raspado” – cuidadosamente – com os dentes, até que a parte amarela comece a ficar esbranquiçada. Parar antes que os
espinhos possam ser vistos.
Importante: jamais morda o caroço, pois dentro dele há espinhos que podem machucar muito.