PF e polícia paraguaia fazem ação contra tráfico internacional de drogas
Redação DM
Publicado em 4 de novembro de 2016 às 18:02 | Atualizado há 10 anosApós um ano e seis meses de investigação, a Polícia Federal (PF) deflagrou na madrugada desta sexta-feira, 4, uma operação para desarticular uma organização criminosa que agia no tráfico internacional de drogas e distribuía entorpecentes produzidos no Paraguai para os estados de Goiás, Pará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
A ação também conta com a participação de policiais paraguaios e até a manhã de hoje, 25 pessoas já haviam sido presas. As investigações apontam que o grupo pode ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão.
Ao todo, são cumpridos 81 mandados judiciais em Goiás e Mato Grosso do Sul, sendo 21 de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 15 conduções coercitivas e 34 de busca e apreensão. Além de 80 contas bancárias bloqueadas.
Mais de 200 policiais participam da Operação Cavalo Doido e os investigados serão indiciados por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, corrupção ativa, tráfico internacional de armas, adulteração de arma de fogo e porte ilegal de armas. Caso sejam condenados podem pegar mais de 30 anos de prisão.
GOIÁS
Conforme a corporação, as investigações apontam que dois goianos são líderes da organização criminosa. Um deles foi preso em Anápolis nesta manhã e o outro ainda é procurado. Eles não tiveram as identidades divulgadas.
A PF não precisou o número de pessoas presas em Goiás, porém, informou que até a manhã de hoje, 15 já haviam sido detidas no estado.
CAVALO DOIDO
Segundo a PF, as investigações tiveram início em maio de 2015, após a apreensão de mais de duas toneladas de entorpecentes no Mato Grosso do Sul. A partir de então, a polícia investigava quem seriam os responsáveis pelo envio das drogas para as cidades goianas.
As apurações realizadas pela Delegacia de Repressão a Drogas da Polícia Federal em Goiás constataram que toda a logística e distribuição partiam de dois líderes goianos. Segundo a corporação, desde o início dos trabalhos de investigação, cerca de 10 toneladas de entorpecentes atribuídas ao grupo foram apreendidos, além de armas e carros de luxo.
Dentre as drogas apreendidas, grande parte era maconha, porém havia uma grande quantidade de cocaína, em pelo menos 12 flagrantes.
A estimativa é de que mais de 80 pessoas estejam envolvidas no esquema de tráfico de drogas internacional. Várias delas já possuem antecedentes criminais e passagens por tráfico.
O nome da operação faz alusão ao método de transportar os entorpecentes. Os veículos utilizados tinham os bancos e assessórios arrancados e todo o espaço interno era ocupado com uma grande quantidade de drogas, sem qualquer disfarce ou preocupação por parte dos traficantes.
De acordo com a polícia, o carro após ser carregado com o produto, seguia em alta velocidade, sem paradas e sem respeitar qualquer tipo de sinalização ou autoridades públicas.
A PF informou que no Rio Grande do Sul, agentes também realizam uma ação contra o tráfico internacional de drogas para desmantelar uma rede de transporte que atua na fronteira entre Brasil e Paraguai. As ações cumprem mandados judiciais no estado gaúcho, Paraná e Mato Grosso do Sul, além do Paraguai.
PARAGUAI
A Operação Cavalo Doido se estendeu ao território paraguaio, onde mais de 200 policiais seguem os trabalhos na queima de plantios de droga em fazendas que são propriedades de envolvidos no esquema de tráfico.
As propriedades ficam localizadas principalmente na região de fronteira com o Brasil e os policiais paraguaios buscam mais integrantes do grupo.
De acordo com a PF, entre os presos na operação estão os responsáveis pelas plantações no Paraguai. Eles foram presos em Ponta Porã (MS), por integrarem a quadrilha e serem responsáveis desde o plantio até a distribuição da droga.