Cotidiano

PM-GO constata queda de 73% de mortes nas estradas após fim de radares móveis

Redação DM

Publicado em 12 de julho de 2020 às 11:30 | Atualizado há 5 anos

Dados do policiamento rodoviário (CPR) em relação aos números
do primeiro semestre de 2018, 2019 e 2020 revelam que ocorreu redução no número
de acidentes após a retirada de radares móveis no Estado de Goiás.

As estatísticas do primeiro semestre de cada ano comprovam
que a medida, uma promessa de campanha do governador Ronaldo Caiado contra a
indústria da multa que imperou no Estado até 2018, pode ter relação com a
queda.

“Não temos aqui uma indústria de multas. Não temos no nosso
governo aumentos de arrecadação com multas”, afirma Pedro Sales, presidente da
Goinfra, entidade que ordenou a retirada dos radares móveis.

Em 2018, ocorreram 442 acidentes de trânsito com vítima fatal;
886 com vítimas, mas não fatal, e 284 acidentes sem vítimas.

Um ano depois, após a medida de Caiado, os números foram
outros.  A queda de vítimas fatais foi
brusca, segundo o relatório da Polícia Militar de Goiás (PMGO): 116. Ocorreram
ainda 876 com vítimas e 284 sem vítimas.

Neste ano, com a pandemia do coronavírus, ocorreu maior
queda: foram 109 mortos, 756 vítimas e 204 acidentes sem vítimas.

A queda mais significativa entre períodos ocorreu, contudo,
entre o ano em que imperava a indústria da multa, em 2018, e quando o Governo
de Goiá resolveu abolir o uso dos equipamentos maliciosos para multar o
motorista goiano, com -73,61% de mortes.    

Nas primeiras semanas de janeiro 2019, 54 radares móveis
foram retirados. Destes, 24 eram o modelo “pistola”, utilizados pelo Batalhão
Rodoviário da Polícia Militar.

Na época do lançamento do produto, em que gestores passados apontavam
a “pistola” como se fosse uma arma contra o cidadão, ocorreu grande reação da
população nas redes sociais, que se revoltaram com a medida, nitidamente para
punir o povo e “pegar” o motorista desprevenido nas rodovias.

Os equipamentos eram utilizados para registrar os flagrantes
de excesso de velocidade nas rodovias goianas, mas na maioria das vezes estavam
desregulados para apanhar maior número de pessoas. 

A medida não impede outras formas de colhida de provas, já
que as infrações continuam monitoradas pelo aparato de fiscalização das forças
de segurança.

O que se coibiu nas estradas foi o abuso. Caiado afirma que
sua gestão colocou fim à indústria da multa, com a economia quase R$ 35 milhões
em 2019 por conta dos goianos. “Logo que assumi o mandato, vi que havia órgãos
estaduais que eram utilizados mais para sustentar um projeto político de ordem
pessoal ou senão para enriquecimento ilícito de pessoas”.


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