População de Baixo Guandu (ES) já se mobiliza para esperar lama de barragens
Redação DM
Publicado em 9 de novembro de 2015 às 23:30 | Atualizado há 11 anosBAIXO GUANDU (ES) – A expectativa pela chegada de uma onda de rejeitos da mineração que corre pelo Rio Doce desde Mariana (MG) mudou a rotina de moradores e autoridades de Baixo Guandu, a 186 km de Vitória. Na manhã desta terça-feira, a lama, cuja chegada estava prevista para esta madrugada, ainda não havia aparecido, mas moradores já ocupavam uma ponte da cidade, que passa sobre o Rio Doce. Enquanto isso, a Defesa Civil mobilizava carros de apoio ao abastecimento de água, e 12 escolas permaneciam fechadas.
A prefeitura de Mariana, em Minas Gerais, informou no início da tarde desta terça-feira que uma menina de cinco anos foi identificada como a quarta morte em decorrência do rompimento das barragens da mineradora Samarco, no distrito de Bento Rodrigues. A vítima é Emanuele Vitória Fernandes.
Ainda segundo a prefeitura uma senhora de 65 anos foi encontrada com vida. Com isso, o número de desaparecidos agora é de 22 pessoas.
— Vimos a destruição que a lama fez e estamos esperando para ver se esse negócio vai aparecer – disse o ajudante de serviços Carlos José dos Santos, de 36 anos.
Santos chegou ao local às 6h para aguardar a onda de rejeitos. Na véspera, dedicou sete horas à mesma tarefa.
— A curiosidade do povo é maior que a lama — brincou um policial militar, numa das duas viaturas deslocadas para a ponte com o intuito de evitar atropelamentos.
De acordo com o tenente-coronel Hekssandro Vassoler, coordenador estadual adjunto de proteção e defesa civil do Espirito Santo, não é possível indicar com precisão o horário de chegada dos rejeitos a Baixo Guandu. Na noite de segunda, a água no local ficou turva por conta da abertura da Usina de Aimores, em Minas, uma operação preventiva para evitar um aumento súbito do volume do reservatório. De forma coordenada, a Usina de Mascarenhas, no Espírito Santo, também foi aberta. Ambas estão no Rio Doce, o que pode interferir na velocidade e na intensidade dos rejeitos. Segundo Vassoler, as chances de contaminação desses reservatório é baixíssima.
Na segunda-feira, o abastecimento de agua de Baixo Guandu foi interrompido entre 22h e meia-noite de maneira preventiva. Três técnicos estão coletando amostras rio acima para analisar o impacto dos rejeitos na água. Seis caminhões-pipa foram mobilizados para o remanejamento de agua. Parte deles abastecerá hospitais, postos de saúde e asilos.