Cotidiano

Prefeitura capacita produtores

Redação DM

Publicado em 9 de maio de 2015 às 03:23 | Atualizado há 1 ano

 

 

A Prefeitura de Goiânia mantém um projeto piloto com o objetivo de capacitar produtores e ampliar a oferta de alimentos agroecológicos. A iniciativa foi determinada pelo prefeito Paulo Garcia ainda em 2012 para que estudos fossem realizados para colocar em prática o incentivo e auxílio à produção orgânica e de consequência aumentar os níveis de consumo de alimentos sem agrotóxicos.

Desde fevereiro desse ano que um grupo de 25pequenos produtores da região Noroeste de Goiânia participam de projeto destinado ao compartilhamento de informações, estímulo à modernização e à profissionalização do cultivo de orgânicos. A criação de um selo identificador dos produtos cultivados por esses agricultores familiares também é um dos objetivos que devem ser alcançados pela iniciativa. Todas as ações que integram a proposta objetivam a difusão do manejo orgânico de alimentos produzidos na Capital.

De acordo com o diretor do Departamento de Agricultura Familiar da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio de Goiânia (Semic), Adib Pereira, o projeto começou pela região Noroeste da Capital pelo fato de a prefeitura ter identificado que 80% dos alimentos em folhas vendidos em feiras locais são oriundas da própria localidade. Uma situação atípica, visto que em outras áreas da cidade a maior parte da produção comercializada é adquirida por meio da Centrais de Abastecimento do Estado de Goiás (Ceasa). Além disso, decorre do perfil socioeconômico dos moradores da região, da necessidade fomento à ampliação da renda dos agricultores familiares e do alto quantitativo de áreas voltadas ao cultivo.

No entanto, a partir dos resultados obtidos com essa experiência inicial, o poder público municipal decidirá sobre a ampliação da proposta para outras regiões da Capital. “Até agora, selecionamos 25 produtores que trabalham com cultivo a mais de 10 anos e nunca tiveram assistência técnica e apoio do poder público. Pessoas que vivem da renda obtida com a agricultura familiar e que, apesar de todas as dificuldades, prosseguem nesse ramo como ideal de vida. Nossa meta é estimular a profissionalização e qualificá-los tecnicamente para produções sustentáveis”, explica Adib.

 

Projeto de lei

O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, inclusive, enviará à Câmara Municipal Projeto de Lei para apoio à agricultura urbana. Algo imprescindível, segundo o chefe do Executivo, porque é um mecanismo que permite estimular práticas alimentares saudáveis e, ao mesmo tempo, gerar empregos e renda. “Queremos superar desafios, como o de modificar o atual modelo de desenvolvimento, que ameaça a soberania e a segurança alimentar e nutricional, concentrando riquezas e destruindo os ambientes naturais; ao mesmo tempo em que queremos fomentar o desenvolvimento de uma nova cultura no que tange à tríade ser humano, natureza e alimentação”, afirma Paulo Garcia.

 

Pesquisa de campo na região Noroeste

 

O projeto em curso na região Noroeste de Goiânia resulta de pesquisa de campo com objetivo de mapear a presença de pequenos produtores nessas localidades, identificar o porte e os tipos de cultivo e as formas de manejo das plantações. De posse dessas informações, a equipe da Prefeitura de Goiânia desenvolveu um plano de ação para conseguir a adesão dos agricultores familiares à ideia. “Como nunca tiveram apoio público, quando chegamos, os produtores ficaram desconfiados, acharam que só queríamos cobrar impostos. Tivemos que mostrar a eles que o que queremos é uma política eficiente de desenvolvimento”, conta Adib Pereira.

O agricultor familiar Joaquim Lourenço de Araújo, 56, é um dos cidadãos que participam da iniciativa. Ele espera que a ação resulte, sobretudo, em políticas de auxílio ao transporte dos cultivos – que hoje ele faz de bicicleta – e para aumento da produção. “Também precisamos de um ponto melhor para trabalhar porque num pedacinho de chão produzimos muita coisa, muito alimento chega à mesa das pessoas por causa desse pedacinho de terra onde trabalhamos”, diz Joaquim, que se orgulha de garantir aos clientes alimentos “sem aquele monte de veneno”.

Na barraca que ele monta todos os dias na Avenida São Domingos, Vila Mutirão, em frente ao Supermercado Barão, Joaquim oferece cebolinha, salsa, coentro, pimenta, alfafa e couve. “É um dinheirinho que entra todos os dias e ajuda no sustento da família”, afirma ele, que também produz café, mandioca e banana, mas apenas para consumo próprio. “Essa ajuda da prefeitura tem sido muito boa. Ganhei até esterco para adubar a plantação. Também recebi alunos aqui porque tem muita gente que nem conhece tipo de verdura, nem sabe se tem veneno. Espero que continue por muito tempo e nos ajude na questão do transporte e do ponto de venda”, acrescenta o produtor.

Defesa de espaços públicos para comercialização

A articulação de espaços públicos destinados à comercialização de produtos orgânicos, a exemplo de feiras, exposições, mercados e centrais de abastecimento; como quer Francisco, está nos planos da prefeitura. Inclusive consta no Projeto de Lei que Paulo Garcia submeterá à apreciação dos vereadores. Também inclui o desenvolvimento de formação profissional, especialmente nas áreas da produção, administração e comercialização; e a promoção de selo para identificação de origem e qualidade dos produtos.  “O objetivo é abrir mais feiras para eles, mas também fazer com que a prefeitura tenha participação na gestão delas feiras e que viabilize a criação de selo diferenciado para rastreabilidade dos produtos”, diz Adib Pereira.

Na fase subsequente a essa, a meta será estimular e orientar a formação de associações, além de ações de empreendedorismo. “Hoje, os produtores da região produzem para vender na feira. O problema é que sobra pouco tempo para trabalhar em outras vertentes e ainda enfrentam dificuldades de transporte. Queremos racionalizar a produção e fazê-los usar de forma técnica esses produtos”, esclarece o diretor do Departamento de Agricultura Familiar.

Segundo ele, a atividade dos 25 produtores alvos da iniciativa pública envolve, em média, 100 pessoas na produção. Somada à atividade de comercialização, o número chega a 300. Atualmente, a prefeitura trabalha com estímulo à utilização de novas tecnologias, como, por exemplo, a adoção de técnicas modernas de irrigação e que demandam pouco recurso financeiro; à produção de formas agroecológica e orgânicas, ao ensino de insumos naturais e do manejo orgânico.

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