Presidente colombiano pede perdão por massacre no Palácio da Justiça em 1985
Redação DM
Publicado em 6 de novembro de 2015 às 07:45 | Atualizado há 11 anosBOGOTÁ – O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, pediu perdão em nome do Estado nesta sexta-feira pelo desaparecimento, execução e tortura de cidadãos em massacre na retomada militar, há 30 anos, do Palácio da Justiça, ocupado por guerrilheiros. Em ato no prédio oficial, o chefe de Estado seguiu uma medida de reparação determinada pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
— Hoje reconheço a responsabilidade do Estado colombiano e peço perdão — declarou Santos, segundo a AFP. — Aqui se apresentou uma ação lamentável, absolutamente condenável, do M-19, mas se houve falhas na conduta e nos procedimentos dos agentes do Estado, assim deve ser reconhecido
Entre 6 e 7 de novembro de 1985, rebeldes nacionalista do grupo Movimento 19 de Abril ocupou o Palácio de Justiça e fez dezenas de reféns para pressionar o então presidente, Belisario Betancur, em processo de negociação de paz. Como resposta, o Exército realizou operação com tanques de guerra, que provocou a morte de cem pessoas e o desaperecimento de dez.
No ano passado, a Corte IDH considerou que no agir da força pública “houve um tendente ao desaparecimento forçado de pessoas” suspeitas de colaborar com o M-19, informou a agência. O tribunal responsabilizou o Estado colombiano pelo desaparecimento de funcionários do edifício, a tortura de quatro suspeitos e a falta de esclarecimento dos fatos.
modus operandi
Para esclarecer o que ocorreu, a Justiça ainda faz exumações e mantém um processo aberto sobre o caso, no âmbito do qual foram chamados a depor como testemunhas ministros de Betancur.
— É um momento muito útil para pedir perdão — disse à AFP o ministro da Justiça, Yesid Reyes, filho de um magistrado morto durante a retomada, em alusão ao “processo de reconciliação” que o país atravessa entre o governo com as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc).