Cotidiano

Presidente da Câmara é vaiado mais uma vez e ouve gritos de ‘Fora Cunha’

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 04:50 | Atualizado há 11 anos

BRASÍLIA – Ao abrir a sessão de votações nesta quarta-feira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), passou por um novo constrangimento no dia de hoje. Depois das vaias que recebeu em evento da Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB, Cunha também foi vaiado por mulheres negras no plenário da Câmara nesta tarde. No plenário estava sendo realizada a comissão geral sobre a realidade das mulheres negras, sob a presidência da deputada Benedita da Silva (PT-RJ). Cunha chegou e pediu que ela se levantasse porque iria iniciar a ordem do dia. Algumas mulheres que participavam da comissão geral e estavam em cadeiras mais para o final do plenário vaiaram e gritaram “Fora Cunha”.

No momento em que Cunha chegou e tirou Benedita da cadeira, provocando o pequeno protesto, o deputado Caio Nárcio (PSDB-MG) discursava na tribuna elogiando as mulheres. Alheio à reação das mulheres, Cunha pediu que ele terminasse seu discurso. Um dos deputados em plenário chegou a criticar o protesto, afirmando que quem prega respeito deve ser o primeiro a respeitar. Assim que a palavra voltou para ele, Cunha disse:

— Agradeço a deputada Benedita. Tendo sido alcançada a finalidade dessa comissão geral, dou por encerrada e inicio a ordem do dia.

Algumas mulheres ainda cantaram e protestaram. Os seguranças da Câmara pediram que elas deixassem o plenário porque a sessão de votação já havia começado. As mulheres saíram, mas na entrada principal do plenário, o protesto mais tímido dentro do plenário deu lugar a um coro amplo de “Fora Cunha”, gritos que podiam ser ouvidos de dentro do plenário ainda esvaziado para a sessão de votações, apesar de os seguranças terem fechado a porta de vidro.

As mulheres também gritaram: “Negras sim, Cunha não” . Uma delas chegou a gritar: “sou do Rio e o senhor Eduardo Cunha não me representa!”. O protesto na entrada do plenário permaneceu por alguns minutos

A comissão geral foi aberta pela deputada Dâmina Pereira (PMN-MG) às 14h25. Cunha chegou ao plenário às 17h29, para encerrar o debate. Nos bastidores, deputados de partidos que apoiam Cunha comentavam que tem faltado a ele habilidade para lidar com as situações. Segundo os deputados, ele podia ter pedido para que outro deputado encerrasse a comissão geral e evitado assim o constrangimento. Cunha tem por característica, no entanto, não fugir de embates.

Na coletiva que deu antes de ir para o plenário e passar pelo constrangimento de novas vaias, Cunha falou sobre as vaias recebidas no evento do PMDB, minimizando-as:

– Eu vi quatro pessoas que estavam no movimento de briga de impeachment que falaram e soltaram uma vaia. Normal. Depois eu fui aplaudido. Havia uma manifestação específica. Não vi essa vaia toda não. Vi uma pessoa levantar e gritar. Não ouvi essa vaia do plenário que vocês falam – disse.

O presidente da Câmara, que tinha a expectativa de promover um ato pelo desembarque do governo nesse evento, avaliou como positivo o fato de o partido ter apresentado seu programa, mas lamentou que a discussão sobre o rompimento não tenha ocorrido.

– Foi positivo por um lado, o lado que o PMDB apresentou o programa, que o PMDB tem uma agenda e está discutindo esta agenda. Negativo por outro lado porque aqueles que queriam discutir o fim da relação com o PT não puderam discutir. Não era o fórum apropriado e não tinha o viés deliberativo de ser terminativo. De uma certa forma, inibiu este debate – pontuou.

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