Presidente do Conselho de Ética se reúne com Janot para discutir caso Cunha
Redação DM
Publicado em 3 de dezembro de 2015 às 05:00 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – O comando do Conselho de Ética na Câmara reuniu-se na tarde desta quinta-feira com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSD-BA), afirmou que conversaram sobre a atuação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e também sobre transferência de documentos da investigação que envolve o peemedebista. Araújo entende que Cunha tem atuado para obstruir os trabalhos do conselho. E cita como exemplo a dificuldade em disponibilizar plenário para realização das reuniões. O presidente foi ao encontro acompanhado dos dois vice-presidentes do conselho: Sandro Alex (PPS-PR) e Fausto Pinato (PRB-SP), relator do caso de Cunha.
— Falamos sobre Eduardo Cunha e o procurador nos disse que está acompanhando. E que, se estivermos qualquer outro relato para fazer, é para trazer a ele — disse Araújo.
— Há um limite entre o usar o regimento de forma legal e usar de forma espúria — disse Sandro Alex.
O deputado do PPS disse ainda que Janot confirmou da ligação de Cunha com quatro contas na Suíça e que o procurador irá disponibilizar todos os documentos ao conselho se a admissibilidade de seu caso for aprovada, votação que ocorrerá na próxima terça-feira.
— Ele nos disse que repassará todos os documentos e contou que não estão em sigilo — disse Alex.
Os deputados dizem que ouviram relatos de Janot sobre a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS).
— O procurador contou que eles trabalharam 24 horas direto, num trabalho exausto. E falou que, para se pedir a prisão de um parlamentar, a documentação tem que ter muita robustez — disse Alex.
Os deputados trataram com Janot também a possibilidade de um procurador acompanhar e auxiliar os trabalhos do conselho.
Mais cedo, Araújo disse que estava preocupado com os ânimos acirrados que tomaram a Casa após Ele quer reforço na segurança na
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— Se a leitura de um simples relatório de admissibilidade está causando tudo isso, imagina a votação de um relatório final! Estou apreensivo. Os ânimos estão acirrados. Espero que a sessão fique só no debate e que seja impedida qualquer ação que impeça o funcionamento na próxima terça-feira. Não podemos negar que é um processo que envolve poder — disse Araújo, que fez uma espécie de desabafo e disse ter acertado na escolha de Pinato como relator de Cunha.
Ele citou o drama vivido pelos petistas e projeta o problema que teria se tivesse escolhido Zé Geraldo (PT-PA) – um dos sorteados que poderia ser o relator de Cunha – para a função. Se dirigindo a Pinato, Araújo disse:
— Agradeço a Deus por ter escolhido Vossa Excelência, deputado Pinato. Em que situação eu estaria se tivesse escolhido alguém do PT, com essa disputa que está ocorrendo. Deus me iluminou — afirmou o presidente do conselho.