Produtores sentem navalha no pescoço
Redação DM
Publicado em 4 de abril de 2017 às 02:38 | Atualizado há 9 anos
O ato solene de instalação da 16ª Tecnoshow Comigo, ontem, em Rio Verde, que tende a movimentar mais de R$ l bilhão em negócios nos próximos cinco dias, contrasta com os duros golpes sofridos pelos produtores nos últimos dias. Essa navalha no pescoço dos agropecuaristas decorre da Operação Carne Fraca, dos preços em baixa dos grãos, sobretudo soja e milho, juros altos nos financiamentos de armazenagem em pleno pico da colheita da safrinha, e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de cobrança pela União de contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre receita bruta proveniente da comercialização de sua produção para o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural).
Ao proferir discurso de abertura da feira, ato que contou com a presença do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e dos três senadores por Goiás, entre outras autoridades, o presidente da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano, conhecida pela sigla Comigo, Antônio Chavaglia, discorreu sobre a importância da feira para os produtores, mas relacionou um rosário de queixas amargas, que foi a tônica de outras manifestações públicas. A cobrança do Funrural em percentual sobre o valor bruto de suas receitas encontrou inteira resistência dos presentes. Com a decisão do STF de mil sacos de soja, por exemplo, produzidos, duzentas sacas serão destinadas ao Funrural.
Os demais oradores foram unânimes em criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal. O presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio de Freitas, considera que o “momento é de descrédito e os últimos fatores sinalizam preocupações”. José Mário Schreiner, presidente da Faeg, também fez alusão à cobrança do Funrural. O senador Ronaldo Caiado (DEM) prometeu marcar uma audiência com o presidente do STF para pedir “garantia aos produtores”. Ao Diário da Manhã, o senador Wilder Morais (PP) entende que “os esforços devem ser comuns e de total união para que os produtores não sejam estrangulados num quadro que respondem de forma positiva à economia nacional”. A senadora Lúcia Vânia (PDC) enalteceu a feira por sua importância na difusão tecnológica.
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, concordou que o “setor vive de apreensões”. Comparando com os sinais do semáforo, disse que a cadeia do agro vive hoje a sensação do sinal amarelo. “Reza para não chover quando a lavoura está numa fase, reza para chover quando vive clima de seca e torce para que a safra corresponda”, manifestou num linguajar que a família rural compreende. O ministro defende para a operacionalização do sistema sanitário pareceres técnicos e não meramente políticos partidários.
Quanto à questão do Funrural, referiu-se que no caso da soja, o sistema toma dez sacos por hectare do produtor. O ministro Blairo Maggi listou os reflexos da Operação Carne Fraca como desafios a serem enfrentados. “Já passamos por crises muito piores que essa e não tínhamos a força política que temos hoje”, afirma. Ele reitera que o governo federal está há três semanas buscando mitigar os efeitos do fato. A resposta tem sido “bastante efetiva”, lembrando que vários mercados que estavam fechados voltaram a abrir as portas à carne brasileira.
Esta é a 16ª edição de uma das principais feiras de tecnologia rural do país e a maior do Centro-Oeste brasileiro, e que deve superar o volume de negociações do ano passado, quando o evento registrou R$ 1,3 bilhão, e receber mais de 100 mil visitantes de diversas regiões do Estado, do Brasil e de outros países até o dia 7 de abril.