Rei tenta achar opções para formar governo na Espanha
Redação DM
Publicado em 18 de janeiro de 2016 às 08:30 | Atualizado há 11 anosMADRI – O rei da Espanha, Felipe VI, iniciou a complicada missão de indicar o líder político que vai tentar formar um governo para seu país, um mês após as eleições. O motivo é que, pela primeira vez desde o retorno à democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975, o Parlamento não apresenta uma maioria partidária clara. E, segundo a Constituição, o rei deve escutar os líderes dos partidos antes de propor um candidato que, depois, deverá obter apoio da maioria dos deputados. Entretanto, o monarca já insinuou que vê dificuldade na formação de um governo.
Na primeira rodada de conversas, ontem, Felipe VI começou pelos partidos pequenos: Novas Canárias, Coalizão Canárias e Foro Astúrias. E teria manifestado ceticismo ao líder deste último, o deputado Isidro Manuel Martínez Oblanca, que afirmou que o rei lhe disse: “Talvez tenhamos que nos encontrar num futuro próximo.” Oblanca ressaltou ainda que o monarca comentou sobre a possibilidade da realização de novas eleições. Porém, pesquisas mostram que mais de 60% dos espanhóis não querem repetir o pleito.
O Partido Popular (PP), de direita, do atual presidente do Governo Mariano Rajoy, chegou na frente nas eleições, conseguindo eleger 123 deputados, de um total de 350 — muito distante da maioria de absoluta de 176 cadeiras. Por sua vez, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) conseguiu 90 assentos; o Podemos, o mais à esquerda das principais legendas, elegeu, junto com seus aliados, 69 deputados; enquanto os liberais do Cidadãos obtiveram 40 postos.
Rajoy reconheceu que há dificuldades para formar um Executivo numa grande coalizão com os socialistas, afirmando que eles não querem sequer iniciar negociações com o PP.
— O senhor (Pedro) Sánchez (líder do PSOE) disse que conversa com todos, menos com o PP. Se não querem falar, de verdade, é difícil começar qualquer coisa — afirmou Rajoy, classificando de “pouco democrática e respeitosa” a atitude dos socialistas. — Enquanto a posição do senhor Sánchez for de tratar com os partidos independentistas e extremistas, é muito difícil negociar.
O caminho do rei
Após a primeira rodada de consultas, o rei se encontra com o presidente do Congresso para comunicar qual é o candidato mais bem posicionado para ser investido. Em tese, seria do partido que obteve mais votos, o PP, mas pode ser também o que reúna maior apoio no Parlamento.
Depois, o presidente do Congresso convoca a Junta de Porta-vozes para decidir a data da investidura. Se o indicado do rei não conseguir a maioria absoluta de 176 votos, passaria por nova votação, onde bastaria conseguir mais votos a favor do que contra para ser eleito.
Se, após as votações, ainda assim o indicado não for investido, o rei começa novas consultas. Se, após dois meses, não tiver sucesso, convocam-se novas eleições.