Cotidiano

Relatos de cenas de terror em Paris

Redação DM

Publicado em 15 de novembro de 2015 às 06:05 | Atualizado há 11 anos

PARIS — Brasileiros, turistas e parisienses relataram cenas de terror durante os atentados em Paris, que mataram ao menos 129 pessoas e deixaram mais de 300 feridos. Veja algumas histórias:

BLOGUEIRA SE ABRIGA NA CASA DE AMIGO

A blogueira de moda brasileira, Hannah Romao, 27 anos, estava no restaurante Ave Maria!, ao lado da casa de espetáculos Bataclan, quando começou a matança. Ela terminou a noite refugiada no apartamento de um amigo francês.

— A gente não sabia o que estava acontecendo, nem quando ia parar. Eu não me sinto mais segura na França. Não quero sair de casa — disse.

Hannah e outras 10 pessoas do restaurante resolveram se aventurar na rua para se esconder na casa do amigo com quem ela jantava, que mora em frente ao Bataclan. Foi aí que ela ouviu o barulho das bombas — o assalto final da forças especiais francesas para liberar os reféns dentro da casa de espetáculo.

ANDANDO PARA CHEGAR EM CASA

Desde agosto em Paris, o professor Valmir Aleixo teve uma volta para casa tomada pelo terror. Como mora perto da casa de shows Bataclan, um dos principais locais atingidos pelos atentados, decidiu voltar para casa só de madrugada.

— Tive que ir andando, pois o metrô não funcionava e os táxis não queriam deixar ninguém ali. Outras pessoas também caminhavam. Dava para sentir o medo no ar. Passei por duas barricadas. Na terceira, a mais próxima do Bataclan, um policial armado gritou e me mandou retornar, não me deixou chegar em casa.

Mais tarde, Aleixo se deu conta que tentava passar pelo local por volta do mesmo horário em que a polícia francesa invadia o Bataclan, onde terroristas mantinham dezenas de reféns.

REFÚGIO NO BANHEIRO FEMININO

O contador Givanildo de Lima, de 31 anos, teve que se esconder com a mulher e a filha de 8 anos no banheiro do Stade de France durante os atentados. Os ataques, três explosões do lado de fora do local, levaram pânico aos torcedores que assistiam ao amistoso entre Alemanha e França. Morador do Rio de Janeiro e frequentador do Maracanã, Givanildo não se assustou ao ouvir as detonações, achou que eram rojões, mas considerou estranho o sobrevoo de helicópteros sobre o estádio.

— Quando o jogo acabou, minha esposa e filha foram ao banheiro, e fiquei esperando. Foi quando começou uma correria enorme e tive que entrar no banheiro feminino para não ser arrastado.

‘OUVI DIZEREM A REFÉNS: É CULPA DE HOLLANDE’

Apresentador de rádio e TV, Pierre Janaszak, 35 anos, estava com a irmã e amigos na casa de espetáculos Bataclan, quando ouviu tiros durante o concerto da banda americana Eagles of Death Metal.

— No começo, pensamos que era parte do show, mas rapidamente entendemos que não. Eles não pararam de disparar. Havia sangue por toda parte, cadáveres em todos os lugares. Ouvimos gritos. Todo mundo estava tentando fugir — relatou.

Janaszak e seus amigos se esconderam num banheiro onde passariam as próximas duas horas esperando a polícia invadir o teatro e resgatar os sobreviventes. Cerca de 80 pessoas morreram no ataque.

— Eles fizeram 20 reféns, e podíamos ouvir as suas conversas. Eu os ouvi claramente dizendo (aos reféns): “É culpa de Hollande, é culpa do seu presidente. Ele não deveria ter interferido na Síria” — contou o apresentador.

FINGINDO DE MORTO PARA ESCAPAR

“Eles atiravam em nós como se fôssemos pássaros”. Este foi o relato feito pelo jornalista Julien Pearce, que presenciou o ataque terrorista à casa de shows Bataclan, em Paris. O repórter assistia ao show da banda Eagles of Death Metal e se fingiu de morto para conseguir escapar com vida do local.

— Falei para as pessoas se deitarem e se passarem por mortas. Nós esperamos até que eles recarregassem as armas, então corremos e achamos uma pequena sala onde nos escondemos — disse à CNN.

Após se esconder na sala, Pearce esperou os terroristas ficarem sem munição e correu junto com um grupo de pessoas para fora do prédio. Nesse caminho, o jornalista levou nos ombros uma mulher que havia sido atingida por dois tiros. Pearce contou que chegou a levá-la ao hospital, mas não sabe se ela sobreviveu.

— Eu a agarrei, coloquei nas minhas costas e corremos. As pessoas gritavam. Foram dez minutos. Dez minutos horríveis nos quais todos estavam no chão com as mãos sobre a cabeça — contou.

De acordo com ele, os atiradores estavam completamente tranquilos.

— Foi um banho de sangue.

‘VIMOS AS PESSOAS CAINDO NO CHÃO’

Mark Colclough, um psicoterapeuta de 43 anos, estava com um colega na Rue de la Fontaine no momento em que um dos atiradores chegou ao local e começou a atacar um dos estabelecimentos. Colclough contou ontem como enfrentou o episódio pertubador.

O psicoterapeuta afirmou que chegou a confundir os disparos com fogos de artifício:

— Estávamos a cerca de 20 metros do café quando ouvimos um ‘fogo de artifício’. Olhei em volta e vi um homem, talvez com 1,85m de altura, e a posição deixou claro que estava atirando.

De acordo com Colclough, o terrorista portava uma metralhadora. Ele descreveu a posição exata do atirador no momento do ataque.

— Ele estava parado em uma posição de tiro. Posicionou sua perna direita à frente e estava segurando no ombro esquerdo uma metralhadora automática.

O que se seguiu, relatou, foi chocante. Colclough presenciou o momento em que os clientes do café foram atingidos pelos disparos e viu cerca de quatro pessoas morrerem, vítimas do terrorista:

— Ele matou três ou quatro pessoas que estavam sentadas nas cadeiras em frente ao café. Vimos elas caindo no chão.

SALVO PELA JAQUETA E PELO CELULAR

Sylvestre poderia ser uma das vítimas dos ataques em Paris, mas, graças ao seu celular, ele sobreviveu ao maior atentado da História da França.

Em um caso impressionante, o homem relatou à imprensa francesa como o seu celular salvou a sua vida durante o ataque em frente ao Stade de France, onde jogavam França e Alemanha. Sylvestre foi fotografado após as explosões ainda segurando o aparelho Samsung com a tela quebrada.

Em um depoimento à emissora iTELE, ele declarou que o celular e a jaqueta acabaram protegendo-o dos estilhaços da bomba que explodiu nos arredores do estádio. Segundo ele, um dos estilhaços que vinha em direção a sua cabeça acabou atingindo o telefone.

— Caso contrário, minha cabeça teria sido explodida em pedaços — afirmou.

Sylvestre sofreu ferimentos leves. Ele disse ter comprado o aparelho havia poucos dias. O francês lembrou que estava atravessando a rua falando ao telefone quando a bomba foi detonada a poucos metros dele.

— Minha jaqueta amorteceu o impacto dos estilhaços que vinham em direção a mim — lembrou. — Honestamente, eu não desejo isso a ninguém.

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