Cotidiano

‘Resultado das eleições equilibra as forças políticas em Portugal’, diz analista

Redação DM

Publicado em 25 de janeiro de 2016 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

RIOPara António Costa, analista político e professor da Universidade de Lisboa, a vitória do conservador Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais de Portugal vai equilibrar as forças políticas e levará confiança aos mercados e à União Europeia (UE). Segundo Costa, o novo presidente de centro-direita deverá ter uma postura conciliadora com o governo liderado pelos socialistas.

Professor de Direito Constitucional e famoso comentarista de televisão, Sousa foi eleito no primeiro turno com 52% dos votos, uma ampla vantagem em relação a seu oponente mais próximo, o independente de esquerda António Sampaio da Novoa, com 22,01%.

A vitória de Marcelo Rebelo de Sousa colocaria em risco o governo socialista?

Ele é o mais centrista da centro-direita e não colocou o governo socialista em xeque. Disse que não seria inimigo e que queria unir os portugueses que ficaram muito divididos com a formação de um governo de esquerda. Fez uma campanha muito conciliadora entre esquerda e direita.

Como o resultado mexe nas forças políticas?

Temos um governo do Partido Socialista com a novidade de ser apoiado por legendas mais à sua esquerda e, agora, com um presidente de centro-direita, o sistema fica mais equilibrado. Marcelo fez uma campanha eleitoral muito ao centro, independente dos partidos, focada nele e em sua popularidade. Isso significa que ele pode ter muita autonomia. Para ganhar mais de 50% dos votos, Marcelo teve que buscar mais apoio do que o obtido pela coligação de centro-direita nas últimas eleições.

Sua popularidade foi determinante para a vitória?

Sousa ganhou sobretudo por causa de sua presença midiática nos últimos 20 anos e não necessariamente pelo apoio dos partidos de centro-direita. Ele é professor de Direito, foi deputado e secretário-geral do Partido Social Democrata (PSD), do ex-presidente Pedro Passos Coelho. Nos últimos anos, todos os domingos, tem participado de um programa de TV como analista político. É muito conhecido no país.

A continuidade de um presidente de centro-direita acalma o mercado e a União Europeia?

Haverá mais confiança. Ele é partidário do euro, da estabilidade e das relações com a UE. Apesar de ter dito que não dissolverá o Parlamento, acredito que ele não hesitaria em convocar eleições e derrubar o governo se houver problemas.

Então o presidente deve pressionar os socialistas?

No semipresidencialismo português, um presidente não governa, mas tem poderes informais. E o seu poder é sempre maior quando o governo é minoritário. Neste ano, a principal ameaça não vem do presidente de centro-direita, mas principalmente da dificuldade financeira para se cumprir os acordos firmados com os partidos da coligação de esquerda. Tendo que manter a meta de déficit da UE, o governo socialista pode não ter condições de cumprir o aumento do salário mínimo, por exemplo. Em dezembro, o governo foi obrigado a salvar um banco sem apoio da esquerda.

A existência de dez candidatos neste pleito demonstra uma falta de liderança nos partidos?

Vários políticos da esquerda se postularam para tentar forçar um segundo turno com o candidato de centro-direita. Na esquerda, também há cada vez mais mulheres dirigentes políticas. As três principais dirigentes do Bloco de Esquerda são mulheres. E, com o passar dos anos, a conquista de sete mil assinaturas para se candidatar tornou-se algo fácil. (C.J.)

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