Rir é o remédio?
Redação DM
Publicado em 16 de novembro de 2015 às 16:35 | Atualizado há 1 anoDizem que um único sorriso pode trazer incontáveis benefícios para quem o dá e para o quem recebe. Mesmo que existam dias específicos para homenagear esse ato, que é visto em grande parte das vezes como extremamente convidativo, não é possível limitar a prática do sorriso nesses dias.
O riso é uma das ações humanas mais contagiantes que existe. Não há nada que contagie mais que uma boa gargalhada – a não ser o bocejo. Foi cientificamente comprovado que o riso é um bom tratamento: na prevenção de doenças cardíacas, no controle da pressão arterial, limpeza dos pulmões, dentre outros tipos de problemas.
Alguém que busca espalhar esse alegre tratamento é o jovem Muryllo Henrique Teodoro da Silva. Ele é um dos coordenadores do “Grupo Alegria”, um grupo com cerca de 300 participantes voluntários que vai a hospitais, casas de apoio e asilos, vestidos de palhaço, para levar brinquedos, comida, roupas e ainda divertir os que lá se encontram. O grupo foi formado há três anos e Muryllo está nele há dois.

O jovem estudante de educação física fala como as pessoas acham que é necessário algo “fantástico” para poder cuidar dessas pessoas, mas acentua que às vezes só um pouco de companhia pode ter um grande efeito. “Um simples sorriso, um abraço, uma demonstração de afeto, atenção e carinho. Muitos dos pacientes que estão ali internados precisam exclusivamente de alguma atenção, de alguém para ouvir seus contos, sua vida ou uma simples companhia”.
Mesmo que a terapia do riso seja eficaz para aumentar a taxa de recuperação dos pacientes, ela ainda não é definitiva. São necessários acompanhamentos médico e psicológico para que eles tenham uma boa recuperação. “Para essa melhoria acontecer, precisa do esforço de todos juntos. Dos médicos, enfermeiros, de nós ‘palhaços’, mas principalmente deles [pacientes]. A força de vontade de querer melhorar, de querer vencer a doença”, comenta Muryllo.
Ainda assim, os “palhaços” são recebidos com muita alegria e carinho pelos pacientes, que aguardam ansiosos toda semana por sua próxima visita. Eles trocam experiências, contam histórias, fazem brincadeiras. É um momento de terapia para ambos os lados. Um momento em que pacientes se sentem queridos e voluntários se sentem revigorados pelos sorrisos que conseguiram “arrancar”.
Quando vão embora, as despedidas não chegam a ser tristes, mas deixam saudades e os pacientes esperam até o próximo final de semana, ansiosos pela próxima visita. Muryllo expressa desabafa sobre a alegria que o carinho dos pacientes traz: “muitos [pacientes] ali já se preparam em nossa espera e isso é muito gratificante! Saber que [eles] estão a nossa espera”.
Benefícios à saúde
A Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), fez uma pequisa com dois grupos de pessoas que haviam sofrido ataques cardíacos e estavam sob cuidados médicos. Os pesquisadores colocaram o primeiro grupo para assistir programas humorísticos por 20 minutos todos os dias, enquanto o segundo continuava o tratamento regular.
Após um ano, verificou-se que os membros do primeiro grupo teve uma queda de 66% na produção da proteína C-reativa, um marcador da inflamação e do risco de doenças cardiovasculares, enquanto o segundo grupo teve uma queda de 26%.
Pressão arterial
A Universidade de Baltimore, também nos Estados Unidos, revelou que rir diminui a pressão arterial, enquanto o estressa a aumenta.
Os pesquisadores da universidade fizeram um grupo de 20 pessoas, com idade média de 33 anos, assistirem parte de um filme que causasse estresse e, 48 horas depois, um filme de comédia. Antes de assistir os filmes, os voluntários ficavam de jejum e passaram por exames para ver como os vasos sanguíneos respondiam ao aumento súbito do fluxo de sangue.
O resultado indicou que ao rir o fluxo do sangue é aumentado em 22%, diminuindo a pressão arterial e limpando os vasos sanguíneos. Quando a sensação é o estresse esse fluxo diminui em 35%.
Pulmões
Quando uma pessoa ri, ela respira mais profundamente e, automaticamente, aumenta a absorção de oxigênio pelos pulmões. Isso faz com que a expiração fique igualmente mais forte. A maior ventilação pulmonar faz com que o excesso de dióxido de carbono e outros vapores residuais sejam rapidamente eliminados, promovendo a limpeza e a desintoxicação do órgão.