Senai conquista 1º lugar em edital da Fapeg com projeto inovador de bioenergia e economia hídrica
Redação Online
Publicado em 13 de novembro de 2025 às 11:07 | Atualizado há 7 meses
Gabriela Matos, do Instituto Senai de Tecnologia em Automação, de Goiânia, vence chamada pública da Fapeg com projeto de transição energética rural - Foto: Luca Guimarães
Proposta vencedora prevê transformar resíduos orgânicos em biogás e biofertilizantes, com baixo consumo de água
Andelaide Lima
Em sintonia com a agenda de descarbonização e as metas globais que estão sendo debatidas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), com presença do Sistema Fieg, o Senai Goiás dá mais um passo na implantação de soluções sustentáveis para geração de energia limpa. O projeto Transição Energética Rural por meio da Biodigestão em Rota Seca: Bioenergia e Biofertilizantes com Economia Hídrica, pesquisa liderada pela analista de Serviços de Tecnologia e Inovação, Gabriela Matos, do Instituto Senai de Tecnologia em Automação, de Goiânia, conquistou o primeiro lugar na chamada pública da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
A experiência, que será desenvolvida em parceria com a Energycoop (Cooperativa de Energias Renováveis) e produtores rurais, em local a ser definido, propõe a implantação de uma unidade-piloto de biodigestão anaeróbia em rota seca, concebida em contêineres modulares e equipada com sistemas de automação e monitoramento em tempo real, voltados ao aumento da eficiência operacional e à replicabilidade tecnológica em diferentes contextos produtivos.
“Essa estrutura utilizará resíduos sólidos da agroindústria familiar para gerar biogás e biofertilizantes, com baixo consumo de água. O sistema opera em altas temperaturas (entre 52 °C e 56 °C), regime termofílico, o que acelera a proteção dos resíduos orgânicos e aumenta a eficiência na geração de biogás, além de eliminação de microrganismos. A meta é produzir cerca de 50m³ de biogás por dia, com até 85% de metano. Além da geração de energia, o digestato será avaliado e aplicado como biofertilizante, reduzindo a dependência de insumos químicos e o custo de produção agrícola”, explicou Gabriela.
Transição energética rural
Com investimento total de R$ 400 mil, o projeto destina R$ 150 mil em horas técnicas ao Senai e R$ 250 mil em equipamentos e infraestrutura, incluindo um biodigestor e sua instalação.
Doutora em Química com pós-doutorado em Bioquímica pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e única mulher entre os proponentes da chamada pública, Gabriela Matos disse que iniciativa representa um marco para o avanço da bioeconomia no campo e para o fortalecimento da inovação aplicada no Estado. “Este projeto é um passo importante para a transição energética no meio rural, ao demonstrar que é possível produzir energia limpa e biofertilizantes a partir de resíduos sólidos, com baixo uso de água e alto rendimento energético. A iniciativa reforça o papel do Senai como instituição de ciência e tecnologia voltada à inovação aplicada, fortalecendo o cooperativismo, a sustentabilidade e a competitividade das pequenas agroindústrias goianas”, destacou.
Os principais ganhos esperados com a implantação do projeto são a redução de 30% no consumo de diesel em propriedades rurais, gerando uma economia anual superior a R$ 40 mil por propriedade, e a criação de um modelo modular e replicável para cooperativas e agricultores familiares.