Sócio do Grupo Schahin fecha acordo de delação
Redação DM
Publicado em 18 de novembro de 2015 às 03:00 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO — O empresário Salim Schahin, um dos sócios do Grupo Schahin, é o mais novo delator da Operação Lava-Jato. O juiz Sérgio Moro homologou o acordo na terça-feira. Aos investigadores da Operação Lava-Jato, Salim esclareceu as condições do empréstimo de R$ 12 milhões ao pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula.
O advogado de Bumlai, Arnaldo Malheiros, afirma que Bumlai usou o dinheiro tomado no Banco Schahin em seus negócios e que pagou com sêmen de boi.
Em delação premiada, o ex-gerente da Petrobras Eduardo Musa havia afirmado que o empréstimo do banco serviu para quitar uma dívida da campanha à reeleição do ex-presidente Lula (PT). Como forma de compensação, o Grupo Schahin fechou contrato de US$ 1,6 bilhão com a Petrobras para operar a sonda Vitória 10.000. Musa disse ter ouvido a história do ex-diretor da área Internacional Nestor Cerveró. Mais tarde, ela teria sido confirmada por Fernando Schahin. Musa havia afirmado, no entanto, que o valor do empréstimo ao PT teria sido de R$ 60 milhões.
Salim Schahim é pai de Carlos Eduardo Schahin, que presidiu o banco da família e foi condenado em julho do ano passado por manter recursos não declarados em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. A instituição acabou sendo vendida ao BMG em 2011.
A gestão do banco acabou criando atritos entre os irmãos Salim e Milton Schahin, pai de Fernando Schahin, responsável pelos empréstimos do banco e que teria intermediado o repasse a Bumlai.
A partir do empréstimo, Fernando também passou a ser interlocutor constante nos negócios com a Petrobras e também foi citado por delatores da Lava-Jato. O lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, disse que acertou com Bumlai o pagamento de US$ 5 milhões ao ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e outros dois ex-gerentes da estatal para garantir que os contratos de operação do navio-sonda Vitória 10.000 ficasse com o grupo Schahin. Sem a anuência dos funcionários da estatal, o negócio não conseguiria ser concretizado, daí a necessidade de pagamento de propina.
Segundo ele, o pagamento à Diretoria Internacional teria sido tratado diretamente por Fernando Schahin.
Outros integrantes do Grupo Schahin também negociam acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal, entre eles ex-executivos do banco.