Suíça segue Dinamarca e apreende bens de refugiados para cobrir custos
Redação DM
Publicado em 15 de janeiro de 2016 às 08:40 | Atualizado há 11 anosBERNA — Os refugiados que chegam à Suíça têm que entregar ao Estado todos os bens que valem mais do que mil franco suíço (US$ 997 ou R$ 4 mil) para ajudar a pagar pela sua estadia, informou na quinta-feira a emissora local SRF, revelando uma medida já em prática na Dinamarca e alvo de muita crítica. O programa da TV suíça mostrou o recibo que um imigrante sírio disse ter recebido das autoridades quando foi obrigado a dar mais da metade do dinheiro da família.
Além disso, um panfleto do governo com informações para os refugiados foi exibido:
“Se você tem uma propriedade que valha mais de mil francos suíços, quando você chegar a um centro de acolhimento, é obrigado a deixar esse valor em troca de um recibo”, diz o comunicado.
A Agência de Imigração do país justificou a medida, afirmando estar de acordo com a lei que pede aos requerentes de asilo que contribuam, sempre que possível, com o custo do processo e o fornecimento de assistência social. Além disso, os refugiados que ganham o direito de permanecer e trabalhar na Suíça têm de entregar 10% de seu salário por até dez anos, até pagar 15 mil francos suíços, de acordo com a regra.
— Se alguém deixa o local no prazo de sete meses, essa pessoa pode ter o dinheiro de volta. Caso contrário, o dinheiro cobre os custos gerados — disse um porta-voz do órgão à TV suíça.
No entanto, a prática foi condenada pelo grupo de ajuda a refugiados no país Schweizerische Fluechtlingshilfe.
— Isto é indigno e tem que mudar — disse Stefan Frey.
Nesta semana, o Parlamento da Dinamarca começou nesta quarta-feira a debater o projeto de lei que propõe o confisco de objetos de valor de solicitantes de refúgio para custear sua acolhida em solo dinamarquês. O texto inclui a revista das bagagens dos estrangeiros e a apreensão de objetos e quantias em dinheiro cujo valor exceda dez mil coroas dinamarquesas (cerca de US$ 1.460 ou R$ 1.600). Pela proposta, as autoridades locais não podem recolher relógios e joias com que os proprietários “tenham elo sentimental”, como alianças de casamento, nem telefones celulares.
Várias organizações, incluindo o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, censuraram o país nórdico pela proposta e denunciaram seu caráter autoritário.