Cotidiano

Suu Kyi conquista vaga no Parlamento e propõe reunião com dirigentes

Redação DM

Publicado em 11 de novembro de 2015 às 06:35 | Atualizado há 11 anos

YANGON — Em mais uma vitória da oposição em Mianmar, a ativista Aung San Suu Kyi, conquistou uma vaga no Parlamento e logo em seguida solicitou uma reunião com os principais dirigentes do país para discutir uma reconciliação. Os resultados das eleições de domingo estão sendo divulgados a conta-gotas, mas a legenda da Nobel da Paz vence por uma margem ampla. O partido Liga Nacional para a Democracia (LND) conquistou 56 das 61 cadeiras na câmara baixa do Parlamento nos últimos resultados publicados, o que significa que obteve 90% das vagas nas duas câmaras.

“Os cidadãos expressaram sua vontade nas eleições”, escreveu ela em uma carta dirigida ao comandante do exército, Min Aung Hlaing, ao presidente Thein Sein e ao influente presidente do Parlamento, Shwe Mann. “Desejo convidá-los a discutir a reconciliação na próxima semana, quando for conveniente”.

Embora uma vitória desta magnitude garanta à LND também eleger um presidente, Suu Kyi não pode pensar em assumir o cargo devido a um obstáculo constitucional estabelecido pela junta militar, quando entregou o poder em 2011 para um governo semi-civil. Ainda assim, a oposição disse recentemente que na prática ela seria a líder do país, atuando “”acima do presidente”.

Em entrevista nesta terça-feira com Cingapura Channel News Asia, Suu Kyi reiterou este plano.

— Tomo todas as decisões porque sou a líder do partido vencedor. E o presidente será um que escolhemos apenas para cumprir os requisitos da Constituição — disse ela. — O presidente vai ter que entender isso perfeitamente, que não terá autoridade, que atuará de acordo com as posições do partido.

Nas últimas eleições nacionais consideradas livres, em 1990, a junta militar permitiu a participação da LND, que venceu, mas os resultados não foram reconhecidos. Depois de décadas de poder militar e após o governo dominado pelos herdeiros da junta, que começou com as reformas adotadas em 2011, a vitória da LND representaria uma revolução completa e inédita na vida política de Mianmar.

Apontando que a mudança realmente vai ocorrer no país, o presidente de Mianmar prometeu uma transição pacífica do poder, informou a oposição.

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