Terrorismo rouba pauta de reunião do G-20
Redação DM
Publicado em 15 de novembro de 2015 às 06:06 | Atualizado há 11 anosANTÁLIA, Turquia – Por uma infeliz ou feliz coincidência, menos de 48 horas depois da série de atentados coordenados que aterrorizou a França e chocou o mundo, os líderes das 20 maiores economias do planeta estão reunidos hoje no balneário turco de Antália, no Mediterrâneo. E é exatamente onde, sob forte esquema de segurança, deverão traçar a estratégia conjunta para o combate ao terrorismo. Segundo diplomatas e assessores dos governos, “é inegável que o assunto tenha passado para o topo da pauta”. Espera-se que, ao fim das reuniões que terminam somente amanhã, eles divulguem um comunicado que enfatizará a solidariedade aos franceses e o desejo de agir juntos contra a ação de grupos terroristas mundo afora.
Antes mesmo da reunião, os governos da União Europeia (UE) publicaram um comunicado reforçando que fariam tudo o que estivesse ao seu alcance para garantir a segurança na França. “É um ataque contra todos nós. Vamos enfrentar esta ameaça juntos com todos os esforços necessários e determinação”, disseram os líderes e instituições europeias. “Tudo o que pode ser feito a nível europeu pela segurança da França será feito. Faremos o que for necessário para derrotar o extremismo, o terrorismo e o ódio”, afirmou ainda o documento.
Na madrugada de ontem, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, foi à TV estatal declarar a solidariedade turca aos franceses e dizer que buscaria “um consenso da comunidade internacional contra o terrorismo” na reunião do G-20. A Turquia está na presidência do grupo.
— Como um país que conhece muito bem os modos e as consequências do terrorismo, entendemos perfeitamente o sofrimento que a França está vivendo agora— disse, em referência ao atentado sofrido pelos turcos mês passado na capital, Ancara, o mais violento ocorrido no país.
‘Combater um inimigo comum’
Não por acaso, o tema segurança já estava na pauta da Presidência turca, antes mesmo dos atentados promovidos na noite de sexta-feira. A preocupação levou o presidente Erdogan a vistoriar pessoalmente a estrutura da cúpula e suas imediações e a determinar mudanças de última hora na organização, às vésperas da chegada das delegações.
A China, que terá o mandato seguinte, também está determinada a levar o tema para a pauta da sua presidência, em 2016. Na chegada a Antália, o vice-ministro da economia chinesa disse que o assunto seria levado para debate entre os líderes.
— Temos de trabalhar juntos, e ampliar a nossa solidariedade — afirmou Zhu.
Em entrevista a jornalistas ontem, o secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, afirmou que a ausência do presidente francês, François Hollande, é o sinal claro dos enormes riscos que os países estão correndo. Ele defendeu o esforço conjunto para combater um “inimigo comum”.
— Ninguém pode se sentir confortável ou inacessível na sua casa, na sua vizinhança, na sua comunidade, no seu país, no seu continente. Vamos precisar de todos os esforços e usar todos os instrumentos — disse.