Tetra Pak esclarece mitos e verdades sobre embalagens longa vida e seu uso cotidiano
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 22 de maio de 2026 às 17:25 | Atualizado há 2 meses
Unidade da Tetra Pak em Monte Mor (SP) é uma das bases de produção de embalagens cartonadas no Brasil | Foto: George Gargiulo/Tetra Pak
As embalagens longa vida fazem parte da rotina de milhões de brasileiros, mas continuam cercadas por dúvidas, vídeos virais e fake news nas redes sociais. Das barrinhas coloridas no fundo das caixas até receitas feitas dentro das embalagens, muita informação compartilhada na internet acaba confundindo consumidores sobre o funcionamento desse tipo de material.

Usadas para armazenar leite, sucos, molhos, suplementos alimentares e até bebidas alcoólicas, as embalagens cartonadas ganharam espaço no mercado por conservarem os produtos por mais tempo sem necessidade de refrigeração antes da abertura. Mesmo assim, mitos envolvendo conservantes, reciclagem e segurança do material ainda circulam com frequência.
Um dos boatos mais conhecidos envolve os quadrados coloridos impressos na parte inferior das caixinhas. Nas redes sociais, muita gente afirma que as marcações indicariam leite reprocessado ou reutilização do produto. A informação, porém, não procede.
Barrinhas coloridas e receitas na embalagem alimentam fake news

As marcações coloridas servem apenas para controle de impressão durante a fabricação das embalagens. Cada cor representa uma tinta utilizada no processo gráfico e ajuda os técnicos a identificar rapidamente possíveis falhas na impressão.
Além disso, o reprocessamento térmico do leite destinado ao consumo humano é proibido pelo Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal.
Outro hábito que virou tendência na internet envolve cozinhar alimentos diretamente dentro das embalagens longa vida. Receitas de doce de leite feito na própria caixinha de leite condensado e até carnes cozidas dentro do recipiente aparecem com frequência em vídeos publicados nas redes.
Apesar da popularidade, especialistas alertam que a prática não é segura. As embalagens possuem camadas de papel, plástico e alumínio e não foram desenvolvidas para exposição prolongada ao calor. O aquecimento pode provocar alterações no material e até migração de componentes para o alimento.
O mesmo vale para o micro-ondas. Como há alumínio na composição das embalagens, colocá-las no aparelho pode gerar faíscas e danificar o equipamento.
Conservantes não são obrigatórios nas embalagens longa vida
Outra ideia bastante difundida é a de que produtos vendidos em caixinhas precisam conter grandes quantidades de conservantes. Mas a conservação dos alimentos acontece principalmente por causa do processamento térmico e do sistema de envase utilizado pela indústria.
Tecnologias como pasteurização e UHT, processo conhecido como ultra alta temperatura, eliminam microrganismos e permitem que os alimentos permaneçam conservados por mais tempo sem refrigeração antes da abertura.
O envase asséptico, feito sem contato com o ambiente externo, e a estrutura das embalagens ajudam a impedir entrada de luz, ar, água e contaminações externas.
Segundo a gerente técnica da Tetra Pak, Fernanda Miguel, a decisão sobre adicionar ou não conservantes depende da formulação de cada fabricante e das exigências previstas na legislação brasileira.
As embalagens longa vida também podem ser recicladas, apesar da crença de que o material seria impossível de reaproveitar por misturar papel, plástico e alumínio. O descarte correto na coleta seletiva e a limpeza das embalagens ajudam no processo de reciclagem.
Tecnologia surgiu nos anos 1950 para conservar alimentos
A embalagem cartonada foi criada em 1951, na Suécia, inicialmente para armazenar leite. O primeiro modelo tinha formato tetraédrico e foi desenvolvido para facilitar o transporte e ampliar a conservação dos alimentos sem depender de refrigeração.
O criador da tecnologia, Ruben Rausing, mais tarde fundaria a Tetra Pak, companhia que se tornou referência mundial na produção de embalagens longa vida utilizadas atualmente em diferentes tipos de alimentos e bebidas.