Cotidiano

Tiroteio em clínica do Colorado deixa três mortos

Redação DM

Publicado em 28 de novembro de 2015 às 06:15 | Atualizado há 11 anos

COLORADO SPRINGS, Estados Unidos — Um homem armado foi preso na sexta-feira, horas depois de abrir fogo em uma clínica de planejamento familiar Colorado Springs, nos Estados Unidos, onde enfrentou a polícia durante horas, deixando três pessoas mortas e nove feridas, segundo as autoridades locais.

Entre os mortos no massacre está um policial do campus de Colorado Springs, da Universidade do Colorado. Dois outros civis foram mortos e outras nove pessoas, incluindo cinco policiais, ficaram feridas.

— Trata-se de uma terrível tragédia. Perdemos dois civis e choramos a morte de um valente policial — disse em entrevista coletiva o prefeito da cidade, John Suthers.

Um oficial da segurança identificou o atirador, que está sob custódia da polícia. Seu nome é Caro Robert Lewis, de 59 anos, e ele é da Carolina do Norte. O funcionário, que teve contato direto com o caso, falou à agência Associated Press sob condição de anonimato, já que não estava autorizado a comentar sobre a investigação, ainda em curso.

As autoridades ainda não determinaram os motivos do ataque, ou se o atirador tinha alguma relação com a Planned Parenthood, uma rede de clínicas comunitárias que fornecem informações e assistência para planejamento familiar, aborto e doenças sexualmente transmissíveis. O atirador se refugiou dentro do prédio da ONG, depois de supostamente atingir pessoas no estacionamento do local.

— Nós não temos qualquer informação sobre a mentalidade, ideias ou a ideologia deste indivíduo — disse a tenente da polícia, Catherine Buckley.

Em comunicado, a rede Planned Parenthood afirmou não conhecer todas as circunstâncias ou motivos por trás do ataque, ou se a organização era o alvo. Os centros de planejamento familiar, local de realização de abortos, são geralmente alvo de cidadãos que rejeitam a interrupção da gravidez.

Durante várias horas, o disparo de um fuzil foram a única pista para a polícia de que o atacante ainda estava no interior do edifício, de acordo com Buckley. Muito tempo depois, os agentes finalmente estabeleceram uma comunicação verbal com o indivíduo e convenceram-no a render-se. A porta-voz da polícia também disse que o atirador estava em posse de “aparelhos”, dando a entender que poderiam ser explosivos.

Imagens do jornal “The Denver Post” mostraram um homem alto vestindo uma camisa branca, que os policiais levaram, enquanto a neve caía durante a noite gelada.

Superada a ameaça, as autoridades voltaram sua atenção para inspecionar objetos que o atirador deixou do lado de fora do prédio e outros com os quais ele entrou no local, tudo dentro de sacos.

O departamento de polícia do campus de Colorado Springs, pertencente à Universidade do Colorado, identificou o agente morto como Garrett Swasey, de 44 anos, com seis de experiência na seguranã do campus. O profissional também liderava a igreja Hope Chapel, ao norte de Colorado Springs. Swayze e sua esposa têm um filho e uma filha, segundo o site da igreja, que elogiou sua fé.

Não há detalhes sobre os outros dois mortos no ataque, e a polícia disse que as outras nove pessoas feridas estão em boas condições de saúde.

Quando os tiros foram ouvidos, as pessoas que estavam dentro da clínica correram para se abrigar. Jennifer Motolinia se escondeu atrás de uma mesa da clínica e telefonou para seu irmão, Joan, que disse que ouviu tiros ao fundo.

— Ela me disse para tomar conta de seus filhos, porque poderia morrer — disse Joan Motolinia, referindo-se a sua irmã, mãe de três filhos.

Joan Motolinia correu para a porta da clínica logo após a ligação, mas a polícia o impediu de aproximar-se do local.

— Sem dúvida havia pessoas atirando. Eu ouvi tiros. Houve um tiroteio. Ela ficou em silêncio, tentando se esconder dessas pessoas — acrescentou.

Dentro da clínica, a polícia levou os pacientes e os funcionários para o segundo andar, sem dar explicações, contou a funcionária Cynthia García a sua sogra, Tina García. Em seguida, Cynthia ouviu tiros, mas não foi possível determinar de onde foram disparados, como relatou Tina à Associated Press.

A polícia isolou a clínica, consultórios médicos nas proximidades e um centro comercial. As autoridades ordenaram as pessoas na área para buscar refúgio perto de onde estavam.

Denise Speller, gerente de uma clínica estética nas proximidades, disse que ouviu cerca de 20 tiros em menos de cinco minutos. Ela contou ao jornal “The Gazette” que viu um carro de polícia e dois policiais perto de uma filial do Chase Bank, não muito longe da Planned Parenthood. Um dos policiais caiu, e o outro ajoelhou-se ao seu lado e, em seguida, tentou colocá-lo em segurança, atrás de um carro de patrulha, segundo Denise. Outro agente Speller disse a procurar refúgio no lugar onde ele estava.

— Nós ainda estamos muito assustados — disse Speller por telefone. — Não conseguimos parar de tremer.

Ambulâncias e veículos policiais se aglomeraram em um cruzamento próximo, enquanto a polícia pedia às pessoas, pelo Twitter, para ficarem longe da cena do crime.

Sayula Shelley disse que viu cinco ou seis pessoas serem carregadas em macas para ambulâncias estacionadas ao lado do centro comercial King Soopers, perto da clínica.

O presidente americano, Barack Obama, foi informado imediatamente dos acontecimentos por sua conselheira de Segurança Interna, Lisa Monaco, revelou um funcionário da Casa Branca.

O tiroteio desta sexta-feira ocorreu a dez quilômetros da rua onde um homem abriu fogo e matou duas pessoas, antes de abater um policial, no Dia das Bruxas.

A rede Planned Parenthood se viu envolvida há alguns meses em uma polêmica, após a divulgação de vídeos em que diretores da organização discutiam a venda de tecidos e órgãos de fetos. O Congresso já tentou, em várias ocasiões, retirar o financiamento federal à rede de clínicas.

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