Três décadas no mesmo emprego: profissionais atravessam gerações e transformações na indústria de cosméticos em Goiás
Redação Online
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 17:39 | Atualizado há 53 minutos
Funcionários que começaram quando processos ainda eram manuais acompanharam mudanças na produção, no desenvolvimento de produtos e no comportamento do consumidor
Primeiro vieram os processos feitos à mão. Depois, computadores, novos sistemas, tecnologias de produção, redes sociais e consumidores cada vez mais atentos às tendências de beleza. Enquanto a indústria de cosméticos se transformava, alguns profissionais atravessaram praticamente todas essas mudanças dentro da mesma empresa.
É o caso de funcionários da Abelha Rainha, indústria goiana de cosméticos que completa 36 anos. Entre eles estão profissionais que acumulam cerca de três décadas de casa e acompanharam de perto não apenas o crescimento da empresa, mas mudanças na própria forma de desenvolver, produzir e vender cosméticos.
Neila Dias, gerente de P&D em Maquiagem, está há 30 anos na empresa. A Abelha Rainha foi seu primeiro emprego. Ela começou trabalhando no escritório e, posteriormente, foi para a fábrica. Foi ali que surgiu uma oportunidade que mudaria sua trajetória profissional.
“Quando me falaram que eu faria batom, pensei que não daria conta. A empresa trouxe profissionais para me ensinar e fui aprendendo. Hoje trabalho com o desenvolvimento das maquiagens, das cores e das fórmulas. Descobri uma profissão que nem imaginava que poderia exercer”, conta.
A vida pessoal também acabou se cruzando com o trabalho. Foi na empresa que Neila conheceu o homem com quem se casaria e formaria uma família. Ao olhar para os 30 anos de trajetória, ela cita a casa, o carro e, principalmente, a família entre as conquistas que acompanharam esse período.
Outra profissional que soma 30 anos de casa é a farmacêutica Maria de Fátima. Durante esse período, ela participou do desenvolvimento de cosméticos que permaneceram no catálogo mesmo depois de sucessivas mudanças no mercado.
“Tive muita liberdade para criar e desenvolver produtos. Alguns dos primeiros que lancei continuam com a gente até hoje. É como se fossem filhos. Mesmo criando produtos novos, aqueles primeiros têm um significado especial porque fizeram parte do início dessa história”, relata.
Se o desenvolvimento de produtos mudou, a rotina administrativa também oferece uma medida de quanto o mercado se transformou.
Adelício Pinto, hoje gerente da área de custos, passou por diferentes setores ao longo de sua trajetória. Em uma época em que a estrutura era menor, chegou a trabalhar na produção e acompanhou atividades ligadas a custos, formação de preços, catálogos, vendas, financeiro e compras.
“Quando comecei, não tinha nem computador e a nota fiscal era feita à mão. Hoje a realidade é completamente diferente. O mundo mudou muito e a gente precisou acompanhar, fazer cursos e continuar se atualizando”, lembra.
As mudanças não ficaram restritas à tecnologia. A forma de consumir beleza também se transformou. Tendências circulam mais rapidamente, lançamentos ganham repercussão pelas redes sociais e novas gerações passaram a exigir das empresas outras formas de comunicação.
Para Alessandra Almeida, responsável pelo marketing da Abelha Rainha e há quase cinco anos na empresa, essa mudança representa um dos desafios atuais.
“A nova geração gosta muito de novidades e de embalagens criativas. Ao mesmo tempo, temos consumidores que já conhecem a marca há muitos anos. O desafio é conversar com quem cresceu com os nossos produtos e também com quem está descobrindo esse universo agora”, afirma.
As diferentes trajetórias ajudam a contar os 36 anos da empresa por uma perspectiva que vai além dos produtos. De profissionais que acompanharam processos manuais à geração que hoje trabalha com novas formas de consumo e comunicação, a passagem do tempo também aparece dentro da própria equipe.
Para Neila, permanecer três décadas no primeiro emprego não estava nos planos quando começou a trabalhar.
“Eu mesma não acreditava que conseguiria quando comecei. Tive pessoas que me ensinaram e fui descobrindo aquilo que era capaz de fazer. Para quem está começando agora, eu diria para ter perseverança, aprender e acreditar que é capaz”, conclui.