UE pressiona Grécia para que controle melhor fronteira com Turquia
Redação DM
Publicado em 25 de janeiro de 2016 às 02:00 | Atualizado há 11 anosBRUXELAS — Reunidos para debater a sobrevida do acordo Schengen, ameaçado pelo recente fluxo de imigrantes a União Europeia, os ministros do Interior voltaram a pedir nesta segunda-feira que a Grécia controle melhor sua fronteira com a Turquia. Alguns países, inclusive, ameaçaram expulsar o país da zona de livre circulação do bloco, em uma crise que gera cada vez mais divisão entre as nações do continente.
— Se não conseguirmos proteger a fronteira greco-turca, então a fronteira da UE vai se descolar para a Europa Central — afirmou a ministra austríaca, Johanna Mikl-Leitner, ao chegar ao encontro.
O ministro alemão, Thomas de Mazière, cujo país restabeleceu os controles fronteiriços, fez um apelo para a Grécia ajude a salvar o sistema Schengen. França, Áustria e Suécia também estão entre as diversas nações que começaram a controlar suas fronteira de forma temporária como medida de conter a entrada de imigrantes.
— Queremos soluções europeias comuns, mas o tempo está contado — disse Mazière.
O ministro espanhol, Jorge Fernández Díaz, por sua vez, se opôs a isolar a Grécia do acordo e disse que uma ajuda ao país será bem vinda,
— Não sou partidário de asilar países, mas ajudar. Não acredito que seja a solução, a Grécia tem 400 ilhas — disse Diaz.
Acusada, a Grécia rejeitou sua suposta inação nas fronteiras do país. Só em 2015, mais de um milhão de refugiados entraram na Europa pelo território grego, depois de arriscadas travessias em embarcações precárias a partir da Turquia. Nem mesmo o inverno no continente causou uma baixa no número de imigrantes que fazem a viagem, muito deles morrendo afogados.
— Estamos cansados de escutar que não estamos garantindo a segurança das nossas fronteiras — disse o ministro grego responsável pela política migratória, Ianis Mouzalas. — Segundo a legislação internacional, o direito do mar, a Convenção de Genebra, a legislação europeia, a lei grega, a única maneira de atuar em uma fronteira marítima é fazendo operações de resgate.
Entre as medidas urgentes discutidas para salvar o sistema Schengen, os ministros estudam acelerar os trabalhos de criação da polícia europeia de fronteiras. A entidade, que terá até dois mil agentes, deve poder atuar em qualquer espaço fronteiriço que estiver ameaçado. Alemanha e França defendem o projeto e quase todos os países se dizem dispostos a começar a por em prática o quanto antes.
Além disso, eles pedem à Comissão Europeia que permita estender a dois anos a suspensão temporal da livre circulação, atualmente prevista para seis meses e já aplicada por sete países. Desde setembro do ano passado, o governo alemão começou a aplicar controles na fronteiras com a Áustria e a medida foi seguida por outras nações. Assim, o prazo atual não parece mais suficiente.