Cotidiano

“Um Submarino Verde e Amarelo”

Redação DM

Publicado em 20 de junho de 2022 às 18:53 | Atualizado há 4 anos

Imaginemos o Brasil como sendo um submarino. “Então senta que lá vem história.” Durante quase 16 anos sob o domínio de 2 comandantes, o submarino com nuances de vermelho, cujos trajetos pelos mares, revoltos ou não, sobretudo, entre 2003 a 2010, onde nas mãos do 1º comandante, um submarino que nem nuclear era, chegou a ser considerado como um novo protótipo de sucesso e modelo e seu piloto foi chamado pelo “commander in chief” da maior potência mundial, de “O Cara”, pela sua habilidade na condução do mesmo. Destaque-se que “a era de boa-aventura”, acabou, após sua substituição natural em 2011, por uma comandante, que até 2015, creio que pela inexperiência e manipulação na confecção de suas cartas náuticas, fez com o que submarino ficasse mais atracado do que em operação no mar e quando tentou mergulhos mais profundos, literalmente quase o afundou.

Enfim, com isso tudo pululando houve uma movimentação da tripulação e massa interna, a fim de substituir a comandante que ficou cumprindo tabela até que se viu obrigada a abandonar o submarino por falta de condições de pilotagem, após sua retirada do comando em agosto/2016. Quem assumiu foi o subcomandante, um oficial com muita experiência, que veio prometendo azeitar as máquinas e tornar o submarino novamente navegável. Ele tornou-se comandante de agosto/ 2016 a dezembro/2018. O submarino até voltou a circular pelos oceanos, mas não cumpriu nenhuma missão considerada relevante.

Voltando aos tempos idos do comandante, que foi chamado de “O cara”, ele poderia ter se tornado o verdadeiro mito, aja vista que conseguiu com que esse submarino, considerado até então de segunda linha, mas que pelo seu desempenho e performance, com atingimento de metas e com a melhoria das condições de seus tripulantes, viesse a ser quase considerado uma nau nuclear de primeira linha, capaz de ancorar nas melhores bases navais do mundo. Só tem um pequeno grandíssimo detalhe que, embora tudo isso conquistado, foi percebido que os grandes resultados foram às custas de atitudes reprováveis. Que custaram a ele, anos após aquelas missões bem-sucedidas à uma condenação nada honrosa.

Diante dessa quase inoperância da nau, eis que foi propagada novas rotas para um novo submarino, desta feita, “amarelo” que singraria os mares, conduzido, a partir de 2019, por um comandante militar de profissão, “capitão de mar e guerra”, e que suas bandeiras seriam totalmente contrárias as dos antigos comandantes. Houve a divulgação que neste submarino amarelo os mais altos postos só seriam compostos por membros experientes e da mais alta competência e que com isso a nave poderia ir para qualquer lugar, com base nas brilhantes mentes que o compunham. Novas esperanças surgiram de que novamente o nosso submarino, agora amarelo rapidamente viesse a ter todo o reconhecimento que merecia.
Ocorre que estranhamente, praticamente já na partida e até a presente data, de forma muitas das vezes inexplicável e incompreensíveis vê-se e ouve-se tiros trocados dentro do submarino amarelo, disparados por ex-oficiais e às vezes por quem não tem nada a ver com a condução, por conta de não concordarem com as novas diretrizes e mudanças de rumos impostas pelo novo capitão!

Parece que os contrários não estão importando com as consequências de, de repente, tornar a condução inviável. E o que pode acontecer se esses tiros atingirem o casco do submarino? Pois é!!!! Corre o risco de não cumprir a sua missão e afundar definitivamente. Coisa que nenhum de nós em sã consciência deseja. Ou será que deseja?
E olhem que estou falando só de questões mais internas, pois, o submarino amarelo ainda tem de conviver com uma série de intempéries externas que podem abalar o seu curso previsto e alternativas devem sempre ser consideradas, pois nem sempre há só um trajeto e nem sempre o que pensa o comandante é o correto e uma verdade absoluta. Creio que esse é um momento que cabe ao capitão, rever suas cartas náuticas, identificar novas estratégias, recuperar os locais atingidos pelas balas e, sobretudo, evitar mais tiroteios, se ele quiser efetivamente que tudo volte à uma mínima normalidade.

Aproxima-se um momento de avaliação do atual comandante, e onde o mesmo poderá ser ratificado no comando ou substituído por outro. E logicamente já há pretensos novos comandantes querendo assumir o manche e eles não estão se importando também se vão pegar o submarino navegável ou não, parece, eu disse parece, que o mais importante é trocar o atual comandante e, nem as missões bem-sucedidas que a sua tripulação possa ter realizado até o momento parecem ser importantes. É assombroso, mas a turma contra o atual comando, não está se importando que a nau soçobre, com todos dentro. Só sei de uma coisa, essa divisão interna já tá ficando chata. Só espero que o próximo comandante seja capaz de amainar as coisas e que republicanamente todos o aceitemos independente de quem seja. Se formos responsáveis pelo afundamento de um barco alguns sobreviverão, já de um submarino, sei não….
Saúde, Força e União para todos.

Por Carlos Roberto Neri Matos – Consultor Master de Empresas, Especialista em Administração pública, Direito Administrativo, Direito Tributário e Ex-servidor da Receita Federal

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