Vale desconhecia irregularidades em barragem da Samarco
Redação DM
Publicado em 27 de novembro de 2015 às 01:20 | Atualizado há 11 anosRIO — A diretoria da Vale afirmou nesta sexta-feira que desconhecia qualquer irregularidade nas barragens da Samarco ou aplicação de multas à empresa pelo Ibama devido a descumprimento de exigências relativas ao empreendimento.
Reportagem publicada na edição desta sexta-feira no GLOBO revela que o Ibama tentou embargar a barragem de Fundão – que se rompeu no último dia 5 de novembro, lançando uma enorme concentração de rejeitos no Rio Doce. E que a Samarco havia sido multada duas vezes (em 2010 e em 2011) por descumprimentos de exigências do órgão.
— Multa de Ibama e embargo, nós desconhecemos. Temos a informação da suspensão da licença ambiental da Samarco (após o acidente) — disse o consultor geral da Vale, Clóvis Torres.
Murilo Ferreira informou que desde que assumiu a presidência da empresa, em 2011, nunca havia estado no escritório da companhia ou visitado suas instalações, pois a Vale precisa seguir rígidas regras de governança. A Vale tem 50% da Samarco e a australiana BHP Billiton tem outros 50%.
Samarco e Vale são concorrentes no mercado de pelotas (bolinhas concentradas de minério de ferro usadas na produção de aço). A primeira produz 50 milhões de toneladas de pelotas e a segunda, 30 milhões de toneladas, num mercado de 130 milhões de toneladas. Por ser tão concentrado, as empresas devem seguir rígidas leis de órgãos de defesa da concorrência.
— Nesses quatro anos (à frente da Vale), nunca fui ao escritório da Samarco em Belo Horizonte, nunca fui a uma operação da Samarco em Mariana. Não conheço a pelotizadora no Espírito Santo. Porque existe um instrumento legal das autoridades europeias… Se houver qualquer interferência direta, qualquer informação de preço ou de cliente… Não temos interferência (sobre a gestão da Samarco) porque não podemos. Poderíamos ser autuados com multas sobre faturamento (por órgãos de defesa da concorrência europeus).
Torres disse que a Vale não fez qualquer reserva de recursos (provisão, no jargão econômico) para arcar com custos de reparos de danos ambientais ou indenizações por entender que a responsabilidade da Vale no caso é subsidiária e não solidária.
— A Samarco não é uma empresinha qualquer, é uma empresa grande, tem recursos. Nesse momento, nós, enquanto acionistas, estamos buscando saber o que aconteceu. Se a Samarco não tiver condições de pagar por eventuais danos, os acionistas poderiam ser chamados (para arcar com os custos). Não há porque falar em provisões nesse momento.