Cotidiano

Vitória dos bichos

Redação DM

Publicado em 4 de outubro de 2016 às 01:51 | Atualizado há 2 anos

  •  Thais Gomes de Souza ergueu a bandeira dos animais e provou às pessoas que o amor aos bichos é algo a se levar a sério, e os eleitores concordaram

Neste 4 de outubro, Dia Mundial dos Animais, iniciativas mostram que a preocupação com os maus-tratos sofridos pelos pets é cada vez mais constante. Nas eleições municipais deste ano, uma evidência mostra o quanto o amor aos bichos está ganhando relevância social. Em Anápolis, a advogada Thaís Gomes de Souza, do Partido Social Liberal (PSL), foi a sexta candidata mais bem votada graças a suas propostas voltadas ao cuidado com os animais. Sua campanha contou com apenas R$ 1,5 mil de investimento. Hoje ela é presidente da Associação Protetora e Amiga dos Animais(Aspaan) e tem como um dos projetos de campanha a transformação do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) em um centro de bem-estar animal, onde deverão acontecer inclusive atendimentos gratuitos à população.

Para a vereadora, que é engajada na causa dos animais há mais de dez anos, a população tem despertado para os assuntos que dizem respeito aos bichos, tornando-se mais consciente de sua importância. “O município até então não tinha nada em relação a essa bandeira, não há direito dos animais, e a população está carente disso”, avalia.

Em um comunicado nas redes sociais, o irmão de Thais, Fabrício Cândido, fez um desabafo, segue parte do texto publicado: “Os votos foram uma resposta da sociedade ao grau de importância que dá ao assunto. Desde o lançamento da candidatura, recebemos muitas críticas, fomos desacreditados e, por vezes, ridicularizados. Criticaram nossa causa, desacreditaram nossa candidatura, ridicularizaram nossas ações. Fomos chamados de inocentes. A resposta veio das urnas…Me despeço deixando uma mensagem para reflexão: Quem cuida de bicho, cuida de gente”.

Dia Mundial dos Animais

A data em que é comemorado o Dia Mundial dos Animais, 4 de outubro, representa também um avanço na forma como a sociedade, de uma maneira geral, tem encarado essa questão. Em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou  uma norma que visa reduzir o uso de animais em testes e pesquisas e adotar, sempre que possível, métodos alternativos reconhecidos pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea). O intuito é que até o ano de 2019 todas as empresas de cosméticos, bem como de registro de medicamentos, produtos para saúde, produtos de limpeza, entre outros, deverão abolir os testes com animais, uma vez que já existem métodos alternativos para substituí-los.

Para se ter uma ideia do amor do brasileiro pelos animais, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada em 2015, mas com referência de 2013, aponta que 44,3% dos domicílios do País possuem pelo menos um cachorro, o equivalente a 28,9 milhões de unidades domiciliares. O dado mostra que no País existem mais cachorros de estimação do que crianças. A comparação pode ser feita por conta de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), em 2013, que mostra que havia 44,9 milhões de crianças brasileiras de até 14 anos.

Embora os casos de maus-tratos a animais ainda sejam frequentes em todo o País, a rede de pessoas, organizações não governamentais (ONGs) e empresas que atuam na defesa de cães, gatos, coelhos, pássaros e inúmeros outros bichos tem se fortalecido ano após ano. “Realizar testes em animais é cruel e desumano. Eles acabam sendo expostos a um grande sofrimento durante vários dias e, em alguns casos, ainda são sacrificados. Não podemos ser coniventes com isso”, é o que considera a farmacêutica bioquímica que desenvolveu a linha de produtos da Piatan Natural, Patricia Rebello. Ela possui mais de 20 anos de experiência em pesquisa e desenvolvimento de produtos cosméticos.

Patrícia afirma que, em substituição às pesquisas com animais, as empresas podem realizar testes para avaliar o potencial de irritação da pele, por exemplo, de duas maneiras: através dos testes in vitro, feitos em culturas de células, e in vivo, feitos em voluntários humanos. “Ambos são feitos em laboratórios especializados e obedecem a uma série de regras determinadas pela Anvisa e que são específicas para cada produto. Um filtro solar, por exemplo, deve ser obrigatoriamente testado em humanos”, explica. Ela também ressalta que, nesse caso, o recrutamento dos voluntários obedece a vários pré-requisitos e que eles não podem receber nenhuma compensação financeira.

Em Goiás, um dos exemplos de empresa que observam e cumprem esse quesito é a Piatan Natural. A empresa desenvolveu sua linha de cosméticos sem a realização de testes em animais. “Essa preocupação está presente desde quando comecei a montar as bases da empresa, há cerca de dois anos. Além de serem desenvolvidos com ingredientes naturais e sem substâncias químicas prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, os cosméticos não são testados em animais e nem possuem matérias-primas de origem animal. Esse cuidado é tão importante que faz parte até do nosso manifesto”, explica o criador da empresa, Igor Sebba.

A empresa também não utilizou o silicone, uma substância que é utilizada na maioria dos cosméticos para pele e cabelos disponíveis no mercado, uma vez que ele pode causar um desequilíbrio na flora e na fauna aquáticas. Isso acontece porque a substância, presente em produtos para o cabelo, por exemplo, acaba sendo levada junto com a água de enxague do banho ou da indústria, contaminando rios e mares. “Em substituição ao silicone, utilizamos ativos de origem vegetal, como o óleo de macadâmia, que proporcionam o mesmo sensorial e não agridem a natureza”, acrescenta Patrícia.

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