17º Encontro de Culturas
Redação DM
Publicado em 22 de junho de 2017 às 02:57 | Atualizado há 1 ano
O tradicional Encontro de Culturas, realizado na segunda quinzena de julho em São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás, chega a sua 17ª edição, a ser realizada entre os dias 15 e 30 de julho. Descrito pelos organizadores como “um simbólico grito de resistência na luta pela conservação ambiental e das tradições culturais existentes no Brasil”, o evento reúne milhares de pessoas de várias partes do mundo, na missão de preservar e disseminar elementos da cultura de povos vistos como minorias, mas cujas tradições possuem grande importância no modo de vida de todos os brasileiros. Além de manifestações culturais e debates, o Encontro de Culturas oferece ao público várias atrações musicais, através de grandes nomes da MBP e de iniciativas tradicionais.
O evento será dividido em várias etapas, e ao leitor que quiser acompanhá-las de perto, basta programar-se para cruzar os 460 quilômetros que separam a capital do povoado de São Jorge, no nordeste do Estado. Entre os músicos que agitam o encontro estão confirmados Chico César, Doroty Marques e a Turma Que Faz, Alessandra Leão e Caçapa, Conrado Pera, Silvan Galvão, Rosangela Silvestre e Mestre Slano. A confraternização de tradições fica a cargo dos veteranos do Congo de Niquelândia, dos grupos de cultura popular do Sítio Histórico Kalunga, da Caçada da Rainha de Colinas do Sul, da Catira e Folia de São João D’Aliança, do Terno de Moçambique de Perdões, e do Seu Júlio Antônio, e o Tambores do Tocantins.




Etapas
Entre os dias 15 e 21 de julho, o público poderá acompanhar a Aldeia Multiétnica, que reúne povos indígenas de todo o Brasil. Em seguida, do dia 21 ao dia 30, representantes da cultura popular tomam posse das ruas e dos palcos de São Jorge. Entre os dias 22 e 24, a comunidade do Sítio Histórico Kalunga assume o comando das festividades com o IV Encontro Quilombola da região da Chapada dos Veadeiros e apresenta fragmentos da Festa do Divino Espírito Santo, importante festejo religioso da comunidade, além de realizar discussões referentes à saúde, educação, cultura e sustentabilidade do povo Kalunga. O evento também agrega a comemoração dos 20 anos de fundação da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, inaugurada em 1997.
Segundo os organizadores do evento, a Casa surgiu com um objetivo específico de “Proporcionar encontros que valorizem a sociobiodiversidade, possibilitando a troca de saberes e fazeres”. O fortalecimento da instituição sustenta-se em valores de importância histórica, social e cultural, e visa a manutenção de diversas tradições. “Valorização cultural, força, fé, alegria, resistência e diversidade são os valores que norteiam a história do Cavaleiro – como é chamado pela comunidade –, erguido em paredes de pedra toá, típica da região, com o propósito de ser um espaço democrático para manifestações da cultura popular tradicional e um símbolo sustentável de fortalecimento das expressões da diversidade cultural”
A expressiva importância social e econômica do evento para a região da Chapada dos Veadeiros e para o povoado de São Jorge é visível em números. Apenas cerca de 800 pessoas habitam o místico povoado, enquanto mais de 30 mil mobilizam-se até ele no período do Encontro de Culturas, promovendo um grande movimento na economia local e fortalecendo seu potencial turístico para os anos seguintes. O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, cuja porta de entrada fica no povoado, vem ganhando cada vez mais reconhecimento e visitantes. A venda de artesanato e outras práticas comerciais desenvolvidas pelos moradores durante o Encontro é de suma importância para a manutenção de várias famílias durante os períodos de baixa temporada.
Juliano George Basso, presidente da CCCJ, fala da motivação em realizar o evento. “Fomos guiados pela vontade de fazer com que comunidades nunca antes ouvidas pelo poder público pudessem erguer a voz e mostrar toda sua sabedoria”. Segundo os organizadores, o evento promove o intercâmbio com várias comunidades e culturas, e também tem grande impacto na vida financeira de seus membros. “A tribo indígena Fulni-ô, que logo após a Aldeia Multiétnica inicia o ritual sagrado do Ouricuri, em que ficam reclusos por até três meses, e da comunidade quilombola Kalunga, que dedica o recurso arrecadado à grande romaria de Nossa Senhora d’Abadia, festejo que ocorre na comunidade durante o mês de agosto”, informam.
Cultura da preservação
No Brasil, pouco se estuda nas escolas sobre a grande diversidade de povos indígenas, e suas influências nos nossos hábitos atuais. Também presenciamos inúmeros casos de racismo em relação aos índios, que dominam a natureza e sobrevivem das terras do Brasil muito antes da chegada dos europeus. “Reconhecendo que resultados significativos serão alcançados apenas se as políticas de meio ambiente forem alinhadas às políticas sociais, a XVII edição do Encontro fortalecerá os debates em torno da sociobiodiversidade brasileira, com foco nas águas do Cerrado, abrindo novas perspectivas de uso sustentável da biodiversidade e da sabedoria popular pertencentes aos territórios das comunidades tradicionais”.
Os organizadores esclarecem: “Com o tema ‘Cerrado das Águas’, [o Encontro] visa promover e debater a preservação do bioma, considerado a caixa d’água do Brasil, pois abriga nascentes de rios que beneficiam oito das 12 grandes bacias hidrográficas do País e está em constante risco devido ao desmatamento causado pela expansão agrícola”. A ampliação do Parque também é pauta: “Além disso, as discussões abordarão a recente ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, importante conquista da região, cuja área aumentou de 65 mil hectares para 240 mil hectares em maio de 2017. O evento deste ano também marca o aniversário de 20 anos da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge (CCCJ), que o criou e realiza há 17 anos”.
