Cultura

49 anos de Pet Sounds

Lançado em 66 pela banda Beach Boys, o disco se tornou um clássico da psicodelia norte-americana

diario da manha

 

 

Há exatos 49 anos era lançado nos Estados Unidos um dos discos que mais viriam a influenciar a música pop nas décadas seguintes. Pet Sounds, inaugurado em 16 de maio de 1966, veio em meio à explosão mundial da psicodelia descoberta pelos Beatles, mas com uma personalidade e originalidade inconfundível que fez e continua fazendo escola. Brian Wilson e Tony Asher, principais compositores dos Beach Boys, souberam canalizar as influências musicais do momento em um disco cuidadosamente arquitetado e emocional.

O impacto que o lançamento desse disco causou acabou gerando uma grande influência na música americana na época. O lado romântico das letras tradicionais foi associado ao primor estético musical, pela banda associada ao pop executado sob influência da cultura surf, surpreendendo ouvidos desavisados no mundo todo. “O álbum que mudou tudo. Uma história de amor perdido, e da luta do pós-término. Totalmente discrepante do surf-rock falido da época”, escreve o usuário finlandês Outlander na comunidade virtual Rate Your Music.

 

Antecedentes

Antes do lançamento do disco, em 1966, a canção “Sloop John B” já estava gravada. A percepção dos músicos do Beach Boys sobre a música acabou norteando um o processo de criação das outras. Nesse intervalo também ocorreu o lançamento do disco Rubber Soul, dos Beatles, que chamou muito a atenção de Brian Wilson, influenciando massivamente no final do processo de composição do Pet Sounds.

A definição de um álbum como algo uníssono, onde todas as peças fazem parte de um conjunto foi vislumbrada por Wilson em Pet Sounds. “Eu realmente não estava completamente pronto para a homogenidade. Parecia que todas [as músicas] eram sequenciais. Rubber Soul era uma coleção de canções que de alguma forma eram juntas como nenhum álbum já feito antes, e fiquei muito impressionado. Eu disse, ‘É isso. Eu realmente sou desafiado a fazer um grande álbum”, declarou em 2007 para o World Socialist Website.

 

“Pop Barroco”

Em meados dos anos 1960, foi possível observar uma invasão de instrumentos de música clássica às melodias colantes da música pop fabricada na época. No meio crítico musical desse período, surgiu a denominação Baroque pop, que faz alusão ao estilo artístico Barroco, do século XVII, que possui raízes em vários locais das artes como música, pintura e arquitetura. The Beach Boys, The Left Banke, The Zombies, e o produtor Phil Spector são lembrados como influentes personagens dessa nova estruturalização da música.

A influência que isso gerou para as outras gerações de músicos foi tão estrondosa que atualmente não é de se espantar que a prática seja aderente à musicalidade de álbuns considerados “clássicos” da música alternativa recente. Nos anos 1970, Scott Walker trouxe esse estilo associado ao formato da chanson francesa. Composições muito parecidas podem ser observadas no Brasil em artistas remanescentes da jovem-guarda, como Ronnie Von, Vanusa e Reginaldo Rossi. Nos anos 80, bandas de new-wave como Talk Talk deram uma sequência característica a esse tipo de produção musical.

Adentrando à música indie, uma segmentação do gênero denominada Chamber Pop foi introduzida na mídia americana, a partir da década de 1980. Um revival assumido da escência Beach Boys foi promovido por bandas como Belle & Sebastian, na década de 1990, e mais tarde com The Decemberists, Sufjan Stevens, Arcade Fire, e inúmeros outros. O estilo foi bastante popularizado na “terra da rainha”, que vivia o estouro de bandas como The Smiths, e na Austrália com The Go-Betweens. Antony and the Johnsons, Tindersticks e Migala são citados como responsáveis pela disseminação do gênero.

 

Capa do disco Pet Sounds, de 1966
Capa do disco Pet Sounds, de 1966

 

Mike Love e Brian Wilson, principais compositores do disco
Mike Love e Brian Wilson, principais compositores do disco

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