Cultura

Mais qualidade de vida para pacientes

Medicamentos garantem mais segurança e maior aderência ao tratamento. Resultados clínicos surpreendem e pacientes postergam ou revertem incapacidade física gerada pela doença

diario da manha

No último dia 27 desse mês, milhares de pessoas em todo o mundo discutiram uma doença debilitante que atinge quatro vezes mais mulheres do que homens, em idade fértil e produtiva. No mundo, são 2,5 milhões de pessoas e, no Brasil, cerca de 30 mil. A boa nova é o avanço nas terapias desenvolvidas para combater a doença. Algumas estão fazendo a diferença no tratamento e na recuperação de pacientes.

A professora doutora Flávia Nelson, diretora associada da MRI Analysis Center e da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, destaca algumas das opções disponíveis no mercado mundial às quais os pacientes brasileiros já podem ter acesso. O alentuzumabe é a mais nova promessa do tratamento da esclerose múltipla. Após a terapia inicial, cerca de 80% dos pacientes não precisam repetir mais a medicação e ganham a possibilidade de ter uma vida mais próxima da normalidade. A medicação é capaz de retardar e até mesmo reverter a incapacidade física causada pelo avanço da doença, além de reduzir a frequência de surtos, que demonstram atividade da doença.

Geralmente, os medicamentos habituais atuam na inflamação do sistema nervoso central, principal causa da esclerose múltipla. O mecanismo de ação mais importante do alentuzumabe é possibilitar o reequilíbrio do sistema imunológico, o que permite um efeito mais prolongado da terapia e, com isso, a redução da atividade da doença. A terapia é intravenosa e feita em dois ciclos: um de cinco dias consecutivos no primeiro ano, e outro de três dias consecutivos, 12 meses após – diferente de tudo que existia até então para combater à doença. O alentuzumabe é indicado para pacientes com esclerose múltipla ativa, ou seja, medicados, mas com surtos e lesões ativas de imagem à ressonância nuclear magnética, ou aqueles diagnosticados, mas ainda sem nenhuma medicação.

A teriflunomida, por sua vez, é uma outra nova terapia para a esclerose múltipla, não invasiva, realizada por meio de um comprimido oral diário, diferentemente dos tratamentos com as injeções semanais e até diárias, aos quais os pacientes são geralmente submetidos. A teriflunomida é indicada para os casos leves e moderados de esclerose múltipla. “Um de seus grandes diferenciais é a facilidade do paciente aderir ao tratamento e a sua boa resposta, já que alguns medicamentos, além de injetáveis, têm efeitos colaterais severos”, observa a professora. “Quando o paciente tem a opção do tratamento oral é muito mais fácil. Os pacientes não têm dor ao usar o medicamento e não esquecem de tomá-lo, garantindo o melhor controle da doença.”

 

A importância do diagnóstico precoce e do tratamento individualizado

Apesar dos surpreendentes resultados das novas terapias, o diagnóstico e o início do tratamento precoce são fundamentais para mudar a história do paciente e aumentar sua qualidade de vida. “Hoje, iniciar a medicação o mais cedo possível, acompanhar e monitorar a evolução da doença são passos que integram o cotidiano de grande parte dos especialistas. Essa prática já é consenso entre os médicos”, afirma o médico pesquisador Neil P. Robertson, professor de neurologia, medicina psicológica e neurociência clínica da Universidade Cardiff, no Reino Unido.

Para Robertson, os pacientes desenvolvem a esclerose múltipla de formas diversas e, hoje em dia, a grande dificuldade é definir “o paciente certo para a droga certa”. “Quando iniciei a pesquisa em esclerose múltipla não havia tratamentos. Agora nós temos uma gama de terapias, o que é desafiador para os médicos”, conta o cientista. “A ideia de planejar um tratamento ‘one to one’, individualizado, é fazer o melhor possível para diagnosticar e prescrever o que é o mais adequado para cada paciente, de acordo com o grau de atividade da doença, o histórico médico da pessoa e os medicamentos existentes.”

O pesquisador acredita que é necessário reconhecer que diferentes tratamentos podem ser eficazes para os diversos momentos dos pacientes, tanto para os casos mais simples, quanto para os mais complicados; assim como é possível a utilização de distintas terapias que podem vir a serem complementares. “Nós fizemos um bom e importante progresso para entender os surtos e suas frequências, as opções de medicamentos e a tolerabilidade de cada um”, explica. “É bom saber que grandes empresas estão investindo no desenvolvimento de novas terapias. Agora, com o alentuzumabe, já temos como retardar a progressão da doença e, em alguns casos, até fazer com que o paciente retome as atividades cotidianas. É revolucionário. Num futuro distante podemos pensar em identificar o grande causador da esclerose múltipla, o que seria um grande passo.”

Saiba, quais são alguns dos principais sintomas da esclerose múltipla:

  • Fadiga, principalmente nas pernas;
  • Alterações visuais, como visão dupla;
  • Formigamento ou dormência nos braços ou pernas;
  • Perda da coordenação ou equilíbrio;
  • Fraqueza muscular;
  • Alterações na memória, perda de concentração e de capacidade de solução de problemas.

 

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