Cultura

Allen Ginsberg, o uivo de literatura Beat

Ginsberg morreu no dia 5 de abril de 1997. Imortalizado como um dos representantes de uma geração, o poeta (e seus aliados) são responsáveis por influenciar diversos ramos da arte.

diario da manha

Por Walacy Neto

Irwin Allen Ginsberg nasceu no dia três de junho do ano de 1926 em Newwark, Nova Jersey. Caso não tivesse acontecido, quase toda a literatura contemporânea estaria diferente, meio bastarda. O seu livro O Uivo, lançado em 1965, é considerado por críticos como o marco para o surgimento da literatura beat. Estes que são responsáveis por uma grande quebra de paradigmas na literatura americana, tanto na linguagem quanto nos valores e costumes da década de 50. O impacto da geração beat ou os “beatniks” gerou uma revolução influenciando os movimentos de contracultura por meio das vozes jovens da década de 60 e 70. Esse “impacto” é notável na poesia que surgiu após a disseminação da ideologia desta geração: como eu disse, caso não fosse Ginsberg, muito da nossa literatura contemporânea estaria perdida.

Antes de ser um louco, Ginsberg passou uma infância difícil. Meio tímido e acuado, o poeta vivia sobre as paranóias da mãe. Nas biografias de Allen é uma pessoa calma, quieta no seu canto. Só após ingressar na Universidade de Columbia que seu lado delinquente teve espaço. Quando conheceu os companheiros Jack Kerouac e William Burroughs: artistas obcecados por drogas, sexo e literatura. Talvez seja essa a tríade básica para a construção da literatura beat. O uso de substâncias ilícitas e o contato com o submundo urbano de Nova York foram a base dos primeiros livros de Ginsberg. Quase como um fotógrafo narrativo, a descrição do contexto histórico da sociedade de 50 foi registrada pelo poeta.

A amizade dos três escritores cabe no livro On The Road, escrito por Jack Kerouac. Jean-Louis Lebris de Kerouac, nasceu na cidade de Lowell, em Massachssetts no dia 12 de março de 1922. Conseguiu uma bolsa para a Universidade de Columbia onde conheceu Neal Cassady, Allen Ginsberg e William S. Burroughs.No ano de 1951, mais precisamente no mês de abril, Kerouac – entorpecido de benzendrina e café – escreveu em três semanas a primeira versão de On The Road. Assim como O Uivo, a publicação de Kerouac é uma das principais expressões da literatura beat. Recentemente o livro recebeu uma adaptação pro cinema com a direção do brasileiro Walter Salles. A película foi altamente criticada pelos fãs de Kerouac e por entusiasta do cinema.

Outro livro importante para a literatura dessa época foi o Naked Lunch (Almoço Nu), escrito por William Burroughs. Nasceu no ano de 1914, em St. Louis, Estados Unidos. No ano de 1940 conheceu Ginsberg e Kerouac. Foi viciado em diversas drogas, incluindo morfina, e preso (diversas vezes) por tráfico de drogas. Entre as histórias mais chocantes da vida de Burroughs está a morte da esposa: em 1951, ele tentou acertar uma maçã posicionada sobre a cabeça da esposa com um tiro e errou. Após o acidente, a produção de Burroughs se tornou intensa. Em 1953 publica os romances autobiográficos Junky, Queer, e o próprio Naked Lunck.

Dizem que o livro foi montado em uma parceria entre os três beats.Um dia em visita a casa de Burroughs,Jack  Kerouac percebeu vários manuscritos espalhados em meio à bagunça. Ele coletou as páginas, uma a uma, e colocou em ordem para datilografar. A revisão do livro ficou por conta de Ginsberg. Quanto ao título, este surgiu em um erro de digitação que acabou resultando no nome emblemático.

Um parceiro próximo de Ginsberg só que na música, foi Bob Dylan. O poeta repetia a todos que era apaixonado pelo músico folk sem nenhum problema, às vezes até se referia a Bob como o grande amor da sua vida. Entre as cenas mais icônicas do poeta está uma visita, junto com Bob Dylan, ao túmulo de Jack Kerouac. Ginsberg também tem canções escritas com o ex-Beatles Paul McCartney e Joe Strummer.

LEGADO

Ginsberg morreu no dia 5 de abril de 1997. Imortalizado como um dos representantes de uma geração, o poeta (e seus aliados) são responsáveis por influenciar diversos ramos da arte. Existe uma ponte entre os escritores beats e o modernismo anglo-americano, encontrado em Ezra Pound e William Carlos William. Também nota-se uma referência quase que direta com a vanguarda francesa, com destaque para o surrealismo. O fluxo de consciência, encontrado na poesia de Allen Ginsberg, também é comum em textos de James Joyce, por exemplo. Em Ginsberg, o termo prosódia e a sonoridade da linguagem fazem o poema criar vida. Nos anos 60, Ginsberg se aliou ao guru do LSD, Timothy Leary, para divulgar a droga sintética. Foi um dos principais ícones dos protestos que solicitavam a retirada dos soldados americanos do Vietnã.

Poema para chapéu “Os corpos quentes brilham juntos na escuridão, a mão se move para o centro da carne , a pele treme na felicidade e a alma sobe feliz até o olho”. (Allen Ginsberg)

“Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne ,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho”.
(Allen Ginsberg)

Obras de Ginsberg

  • O Uivo e outros Poemas (1956)
  • Planet News (1971)
  • Mind Breaths (1978)
  • Illuminated Poems (1996)

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