Cultura

Charles Dickens e suas Grandes Esperanças

diario da manha

Lília Azevedo, aspirante a Diretora de Arte e prefere a companhia de livros À de pessoas

Charles Dickens, um dos mais renomados escritores ingleses, uma verdadeira instituição nacional, como certa vez George Orwell referiu-se a ele. Famoso pelos contos de natal e pelos romances publicados em fascículos, que eram lidos com voracidade e depois comentados nas ruas. Conseguindo o feito de escrever histórias cujas leituras que não atingiam apenas um público específico, mas que pessoas de qualquer sexo, idade ou classe social poderia confessar.

Seus romances, cujos personagens tem uma invariabilidade recorrente de hierarquia social, refletem muito da vida do próprio Dickens. Nascido em fevereiro de 1812, em Portsmouth, onde o pai era funcionário da marinha. O mesmo não tinha muita habilidade financeira, o que levou a família a mergulhar em dividas e a se mudar muito, oscilando entre momentos de relativo conforto e momentos de penúria. Isso fez com que Dickens entrasse e saísse da escola muitas vezes. Mas a mãe complementava seus estudos em casa, ensinando-lhe latim e inglês e desde cedo seu contato com a leitura foi intenso, assim ele cresceu apaixonando-se pelas obras de Henry Filding, Miguel de Cervantes e Daniel Defoe.

O menino Dickens trabalhou desde muito cedo, para auxiliar a família nos já referidos momentos de dificuldade pecuniária. Passou por trabalhos como colador de rótulos de produtos em fábrica, depois de mais uma época na escola se tornou funcionário de um escritório de advocacia, aprendeu estenografia e trabalhou retratando reuniões do parlamento para o jornal The Sun.

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Nesta época já tinha um profundo senso de observação, prestando atenção as pessoas nas ruas de Londres e escrevendo relatos. Assim, começou a escrever crônicas e colaborar com revistas, cativando leitores. Seu primeiro sucesso estava sendo publicado, As crônicas de Pickwick, que foram interrompidas após a morte de sua cunhada, a quem ele era muito ligado. A partir de então, seus romances mais memoráveis começam a ser publicados, sempre em fascículos e ele passa por uma intensa fase produtiva. Após essa fase, viajou para o Estados Unidos onde criticou a indústria literária e a suposta democracia, que ele considerava ilusória.

Uma curiosidade, seu sucesso literário lhe permitiu comprar uma casa com qual ele sonhava desde criança, em Chapman, chamada Gad’s Hill Place. Ele tinha grande apreço pela região, onde se passam cenas de Henrique v, de Shakespeare. A casa em que morou, em Rochester, foi transformada em museu e na cidade, realiza-se anualmente o festival Charles Dickens. A casa onde nasceu também se tornou um museu.

E vamos a história: Grandes Esperanças, ou Great Expectations, no original, nos conta a história de Pip, e se inicia justamente com o personagem nos contando em sua inocência da infância, as razões para esta alcunha. Philip Pirrip é um menino órfão, criado por uma irmã rabugenta, a senhora Gargery, que faz questão de ressaltar em todas as oportunidades possíveis que o cria “com a próprias mãos”, deixando claro o quão grato Pip lhe deve ser.

Pip e o esposo da senhora Gargery, o simplório Joe, são grandes amigos. Joe é um ferreiro, um homem com uma bondade e inocência infantis, que com seus conselhos simples e dedicação desinteressada, sua sinceridade e honradez comovente é representante da característica otimista que alguns dos personagens de Dickens carregam.

Um episódio marca a infância de Pip profundamente e nos faz relembrar a infância e nossos medos infantis, nas duvidas e certezas. Quando Pip se encontra com um presidiário no cemitério e é chantageado para levar suprimentos para o mesmo, roubando da cozinha da senhora Gargery e o deixando com o dilema da consciência pesada de cometer um ‘ato criminoso’ como este. Depois de alguns episódios de sua infância no povoado em que vive a vida de Pip muda drasticamente por uma interferência externa, que será chamada de suas grandes esperanças.

Esta obra começa nos contando de forma despretensiosa a historia de um garoto, a medida que ele cresce ela nos coloca de frente com dilemas morais, com diferenças de classe social (algo muito trabalhado nos romances de Dickens), sem transformar os sofrimentos dos personagens em vitimismo ele nos faz sofrer com eles, a nos revoltar e também a rir imensamente, seja com os momentos infantis de Pip, seja com pequenas pitadas de humor semeadas durante toda a historia, como acontece normalmente nas nossas vidas, onde nem tudo é tragédia ou humor.

Dickens nos coloca de frente com os problemas da Inglaterra de sua época, como o trabalho infantil, o sistema carcerário, as burocracias do sistema judiciário, além dos dilemas existenciais. Embora o livro tenha este aspecto de inocência e personagens com características morais muito pronunciadas elas não deixam de ser humanas e ter oscilações de personalidades perfeitamente aceitáveis. E a todo momento pode se notar uma espécie de ironia discreta, partindo da inocência de Pip, mas nos é dado a perceber por razões obvias, e que vai se tornando mais clara à medida que Pip cresce, crescemos com ele naturalmente e nossas interpretações vão se modificando, a medida que os olhos de Pip e nossos vão perdendo a camada infantil que os cobre.

Grandes Esperanças de 1860-1861 é umas das obras de maturidade de Dickens, ele morre em junho de 1860, aos 58 anos. Em Gad’s Hill, a casa dos seus sonhos.

 

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