Cultura

Praça Universitária, entre o tradicional e o moderno

Clássico ponto de encontro da capital é também um dos maiores museus de escultura a céu aberto da América Latina

diario da manha
Texto e fotos por Leon Carelli

Texto e fotos por Leon Carelli

No dia 22 de outubro é comemorado o dia da Praça. Conhecida popularmente como Universitária, a Praça Honestino Guimarães é um espaço de lazer e cartão postal da capital, que completa 82 anos no próximo sábado. Projetada nos anos 1930 por Attilio Corrêa Lima e construída apenas em 1969, a praça é objeto de análise de estudiosos por sua multifunção, que agrega usuários em busca de objetivos diversos. Apesar das grandes possibilidades de aproveitamento do espaço, disputas territoriais e violência também marcam sua história. Atualmente, um ônibus da Polícia Militar encontra-se instalado no local.

No auge dos encontros de sexta-feira, que ocorriam com freqüência em meados de 2012, após o cancelamento do Chorinho da Avenida Goiás, a praça concentrava milhares de pessoas. Segundo freqüentadores, era uma alternativa mais em conta de lazer em Goiânia. Certa vez uma dupla de primos de Brasília que ajudei a chegar à praça se mostrou impressionada com a diversidade cultural ali presente. Um deles afirmou jamais ter visto algo parecido na capital federal. Atualmente, apesar do clima pacato e da ausência de traficantes, toda aquela diversidade desapareceu. Panorama parecido pode ser observado no complexo de bares Porcão-Pastelaria, na Praça Cívica, que cada vez mais entra na lista de lugares evitáveis pelos jovens da capital.

No artigo científico ‘Praça Universitária: espaço de sociabilidade e integração social’, de 2010, a autora Iolene Mesquita Lobato faz uma visão geral do imaginário da famosa área de lazer de Goiânia. Segundo seu levantamento, a simples existência da praça já transmite uma mensagem, tendo em vista que “esse espaço público é constituído de valores simbólicos e imaginários que influenciam a vida social, pois, a cidade não é somente um lugar de moradia e trabalho, outras variáveis podem ser observadas e explicadas”.

A praça possui várias fontes de “abastecimento” humano. A comunidade acadêmica da UFG e da PUC utilizam-na para estudar, relaxar e descansar. Pit dogs, bares, pista de caminhada, biblioteca e um museu de estátuas a céu aberto também são atrações fixadas à Praça. Para Iolene Mesquita, “freqüentar a praça é um elemento identitário do lugar social do individuo. Todavia, [existem] aqueles que não preferem participar desse cenário por conta do medo, da violência manifesta na vida urbana”.

Panorama

No artigo científico ‘Um olhar geográfico sobre a Praça Universitária’, os autores Eguimar Chaveiro e Alessandra Êgea propõem uma disputa territorial na praça, explicada pelas diversas atividades exercidas em seu reduto ao longo dos anos, começando pela década de 1970, quando “[o espaço] era utilizado como ponto de encontro de grupos culturais que faziam parte da massa burguesa da época, assim como dos grupos que lutavam contra as imposições durante a Ditadura Militar no Brasil”.

Eles também destacam a importância da Praça em momentos de turbulência social em Goiás, explicando que “a sociedade goianiense assistiu ao longo dos quarenta anos da Praça Universitária uma multiplicidade de manifestações que transformaram o cenário goiano”. Várias funções de uso da praça foram destacadas pelos autores. Desde o lazer, sendo “ponto de encontro a diferentes tribos urbanas que a utilizavam para conversar, descontrair e prestigiarem shows”, até atividades políticas e contraculturais, como um “local de reunião àqueles que lutavam contra as imposições de uma época, e abrigo para os sem-tetos”.

Apesar de servir como palco de convívio cultural, como, segundo os autores, “shows, festivais, eventos estudantis, espetáculos circenses, feiras semanais, etc.”, também já foi vista com maus olhos, sendo “lugar do medo, onde por um tempo foi apropriada por pessoas usuárias de drogas e por vezes foi palco de assassinatos”. Durante os famosos encontros de sexta-feira dos primeiros anos desta década, não era difícil que barulhos de tiros provocassem pavor e correria durante encontros culturais. A solução encontrada pelo poder público foi instalar uma unidade policial no local.

Segundo a autora Márcia Pelá, no artigo ‘Uma Interpretação Sócioespacial: Praça Universitária’, a Praça “possui um dos maiores museus de escultura a céu aberto da América Latina”. Para Iolene Mesquita Lobato, em artigo já citado, as esculturas são formas de comunicação visual que evidenciam uma identidade que permuta do tradicional ao moderno. “São signos da visualidade artística e cultural, pois contribuem na construção da identidade goiana, reforçando assim seus valores. […] Contudo, peças modernas também compõem as esculturas nesse espaço, trazem mensagens e afirmam a modernidade no contexto urbano”. Apesar da importância do museu da Praça, observa-se que muitas obras encontram-se degradadas, e sem placa de identificação.

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