Cultura

Será uma tragédia!        

Em peça dirigida por Guilherme Leme Garcia, Letícia Sabatella, Denise Del Vecchio e Larissa Bracher dão vida às icônicas personagens da tragédia grega: Medeia, Electra e Antígona

diario da manha

Amor, ódio, traição, injustiças e vingança. Tudo isso no próprio leito familiar. Hoje e amanhã, às 20h, acontecerá no Teatro Sesi uma verdadeira tragédia grega. Uma não, três. Com a direção de Guilherme Leme Garcia e protagonizado pelas atrizes Denise Del Vecchio, Letícia Sabatella e Larissa Bracher, será encenada na capital o espetáculo “Trágica 3”.

Os clássicos de Eurípedes Medeia e Electra e de Sófocles,  Antígona, foram revistos pelo diretor, em uma leitura que une artes plásticas e cantigas de diversos lugares do mundo. Todo este emaranhado de linguagens ganhou os palcos em 2014, em São Paulo e depois passou por diversas localidades do país. Já, ano passado a montagem teve abrangência internacional, quando abriu o Beijing Fringe Festival, na China.

No espetáculo, Denise Del Vecchio interpreta Medeia, Letícia Sabatella assume o papel de Antígona e Larissa Bracher dá vida à Electra. Os atores Fernando Alves Pinto e Marcello H também entram em cena na pele dos personagens Hêmon e Orestes, respectivamente.

Estes atores, inclusive, possuem ainda a responsabilidade de executar a trilha original da peça ao vivo. E, a colaboração de Fernado Alves Pinto e Marcello H, com as músicas deste espetáculo,  ainda vai além. Em parceria com Letícia Sabatella, eles criaram a trilha da peça, sob a orientação do diretor Guilherme Leme Garcia.

A história do diretor e ator Guilherme Leme Garcia é antiga. Começou há mais de 20 anos, quando junto com a atriz Vera Holtz, encenou “Medeamaterial”, texto do dramaturgo alemão Heiner Müller (1929-1995)  escrito a partir de Medeia – obra da qual também se baseou em Trágica 3.

Contudo, a experiência do diretor do espetáculo com as heroínas gregas não acabou por aí. Em 2010, ele criou e dirigiu o elogiado “RockAntygona”, uma adaptação livre de Caio Andrade para Antígona, de Sófocles. Tal peça foi sucesso junto à crítica e foi a vencedora do Prêmio Shell na categoria Iluminação e eleito pela revista Bravo como um dos melhores espetáculos em cartaz no ano de 2010.

Elas não estão de brincadeira. Conheça um pouco sobre os clássicos que inspiraram Trágica Medeia (Eurípedes):

Sua tônica é a traição da heroína a seu povo e ao seu sangue. Apaixonada por Jasão, Medeia o ajuda a conquistar o Velocino de Ouro. Juntos, eles fogem da cidade de Cólquida para Corinto. Para garantir sua fuga, Medeia mata o irmão e joga seus pedaços ao mar. Em Corinto, Jasão se casa com Gláucia, filha do rei Creonte. Cega de dor e de ódio, Medeia decide se vingar de Jasão matando Gláucia e depois os próprios filhos.

Antígona (Sófocles):

Após a morte de Édipo em Colono, Antígona, sua filha, retorna para Tebas – onde seus irmãos Etéocles e Polinices disputam a sucessão do pai no trono. Os dois chegam a um acordo de se revezar por períodos de um ano no poder. Após o primeiro ano, Etéocles não cede o lugar ao irmão, que se retira da cidade e prepara uma vingança. Na luta pelo trono de Tebas, os dois se matam mutuamente. Creonte, tio de Antígona, assume o poder e proíbe o sepultamento de Polinices e ainda ordena um funeral de herói a Etéocles. Indignada com a ordem, Antígona o enterra com as próprias mãos, mas é descoberta pelos soldados. Como punição, Creonte manda enterrar Antígona viva.

Electra (Eurípedes):

Filha de Agamêmnon, rei de Argos, e da rainha Clitemnestra, Electra é irmã de Ifigênia e Orestes. Clitemnestra nunca perdoou o marido por ter sacrificado a filha Ifigênia para apaziguar a deusa Ártemis e permitir que as tropas gregas pudessem navegar até Tróia. Depois de passar dez anos defendendo a Grécia em guerras longe de casa, Agamêmnon retorna e é morto por Clitemnestra e seu amante Egisto. Electra não se conforma e com a ajuda do irmão Orestes planeja a morte da mãe e o amante para vingar a morte do pai.

Entrevista com Guilherme Leme Garcia:

DMRevista: Na década de 1990 você encenou o texto de “Medeamaterial”, com Vera Holtz e mais recentemente  dirigiu o elogiado “RockAntygona”, uma adaptação para Antígona. O que o faz sempre voltar às tragédias gregas?

MACHISMO NO AUTOMOBILISMO

Guilherme Leme Garcia:Quando fiz “Medeiamaterial” com a Vera Holtz eu me apaixonei pelas tragédias gregas e comecei a ler muito. E sempre ficou na minha cabeça essa coisa de voltar à Grécia Antiga. E isso foi acontecer depois que eu virei diretor, porque na década de 90 eu não dirigia. E, é depois que a gente começa a dirigir que começamos a ver qual o perfil que a gente tem, o que quer fazer. Aí um dia, eu conversando com a Larissa Bracher, que agora que está fazendo a peça aí em Goiânia neste final de semana (ela interpreta tal), eu falei: vamos mergulhar em uma tragédia grega? Aí nos fizemos a peça inspirada em Antígona. Ela começou comigo essa releitura de clássicos gregos.

DMRevista: O elenco é cheio de talentos, como Denise Del Vecchio, Letícia Sabatella e Larissa Bracher, como chegou a estes nomes e, que méritos utilizou ao escolher seus respectivos personagens?

Guilherme Leme Garcia: A Letícia Sabatella além de ser atriz, também canta, toca e compõe maravilhosamente bem. Na verdade, nós namorávamos há muito tempo esta ideia de trabalharmos juntos. A gente até conversou de eu dirigir ela, em um espetáculo no qual ela iria recitar poesias, só que este projeto nunca vingou. E, daí quando eu voltei à ideia de fazer as tragédias, eu pensei: eu quero Letícia comigo para fazer uma Antígona. Porque eu queria uma Antígona diferente da eu tinha feito antes, queria uma Antígona que cantasse e a Letícia se encaixou perfeitamente ao papel. A Denise Del Vecchio eu chamei porque ela é uma grande atriz e é a dona da palavra. E como eu queria trabalhar Medeia com imagem de vídeo, eu sabia que precisaria de uma grande potência, para não confundir com a imagem do vídeo. A intenção é que vídeo ficasse em pano de fundo e é isso foi o que aconteceu com a Denise. Ela, simplesmente, sem um gesto, sem nenhuma ação corporal, faz brilhante o texto da Medéia. Já a Larissa Braucher, como eu já falei, já trabalhou comigo no RockAntygona ela começou comigo neste processo de tragédias e clássicos e agora ela está comigo aí de novo.

DMRevista: Você criou a trilha sonora original para o espetáculo, juntamente com Letícia Sabatella. Como  foi que aconteceu esta parceria musical? Como é a sua relação com a música?

Guilherme Leme Garcia: Na verdade eu não criei a trilha, ela é da Letícia Sabatella, do Fernando Alves Pinto e do Marcelo H. Mas, toda uma pesquisa sonora deles aconteceu a partir de uma proposta minha, que era pesquisar os mantras e cânticos do mundo e pesquisar os sons eletrônicos. Eu queria a música eletrônica rasgando estas tragédias. E, desta pesquisa eles criaram toda musica da peça. Agora o trabalho que eu venho fazendo desde RockAntígona é trazer a música para ela também seja uma dramaturgia, que ela não tenha um papel secundário, ela é tão forte quanto o texto.

DMRevista: Outra de suas paixões são as artes plásticas. Como ela aparece em Trágica 3?

Guilherme Leme Garcia: Eu realmente amo as artes plásticas, as artes visuais, já me arrisquei até como artista plástico (risos), já pintei, desenhei. Agora eu coloco essa minha paixão pelas artes plásticas no palco quando eu desenho este espetáculo, quando eu pinto o espetáculo, quando eu concebo a estética, junto com a minha equipe, claro, mas a gente vai desenhando este “3D” ali no palco. Toda montagem a gente elege uma linha inspiradora, um movimento artístico, um artista. No RockAntígona, por exemplo, nosso “muso” inspirador era Hélio de Zica e o movimento neoconcreto. No Trágica, nosso muso inspirador é um artista visual norte americano chamado James Turell. Foi inspirado nele, que criamos a estética desta peça.

DMRevista: Quais são seus próximos projetos?

Guilherme Leme Garcia:Estou dirigindo um espetáculo, que estreia dia 18 de fevereiro, no OI Cultura aqui no Rio de Janeiro, que se chama Fatal, que são três olhares sobre a Paixão, este tem sido a minha grande paixão atualmente. Depois vou fazer novela, vou fazer Terra Prometida da Record e, já começo a trabalhar em um projeto que eu sonho, que é Romeu e Julieta.

SERVIÇO

Espetáculo Trágica.3

Quando: Hoje e amanhã, às 20h

Onde: Teatro Sesi (Av. João Leite, nº 1.013, St. Santa Genoveva)

Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

Informações: (62) 4002-6213

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