Cultura

Leo Lynce, introdutor do modernismo literário em Goiás

diario da manha
Pelos trilhos da Estrada de Ferro Goyaz, condutores de jornais paulistas, Leo Lynce soube da Semana de Arte Moderna e das composições férreas se serviu como elemento estético para praticar uma nova forma do fazer poético

Cyllenêo Marques de Araújo Valle, goiano de Pouso Alto (1884), atual Piracanjuba, patrono que escolhi para a minha Cadeira nº1 que ocupo na Academia Piresina de Letras e Artes, imortalizado pelo seu exercício poético assinando o pseudônimo de Leo Lynce, durante treze anos residiu em minha terra natal Pires do Rio, atuando profissionalmente como juiz de Direito, jornalista, advogado e fazendeiro.

Foi em Pires do Rio, antes mesmo que lá ele fixasse residência, que inspirado na Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrida em São Paulo, entre 13 e 17 de fevereiro de 1922, nas dependências do Teatro Municipal e  passados apenas três meses dessa histórica ruptura estética da arte, Leo Lynce produziu os primeiros versos com os genes do modernismo, não apenas em Goiás, provavelmente em todo Brasil Central.

Residindo em Goiânia, partir de 1943 continuou sua ininterrupta colaboração com vários jornais goianos, foi professor da Faculdade de Direito de Goiás (UFG) e presidente da Academia Goiana de Letras. Faleceu em Goiânia, na madrugada do dia 7 de julho de 1954.

Seu livro de poemas Ontem publicado em 1928, durante a sua permanência em Pires do Rio, marco desse pioneirismo estético, muito bem recebido pela crítica, traduz essa nova linguagem poética contida em vários poemas, entre eles o antológico Goyaz:

 

Goiaz

Terra moça cheirosa,

de vestido verde e touca azul dourada,

entre todas, gentil!

 

Ninho de sofredores

corações dos pastores cantadores!

– Coração do Brasil!

 

Quando se vem de fora

e salta o Paranaíba,

o trem de ferro tem um ruído diferente,

uma sonora vibração de jazz

a enternecer a alma da gente …

 

Nome bonito – Goyaz!

Que prazer experimento

sempre que o leio

nos vagões em movimento,

com aquele Y no meio!

 

O fordinho e o chevrolet,

rasgando campos, furando matas,

vão, a trancos e barrancos,

rumo às cidades pacatas

que brotaram no sertão.

 

Os poemas escritos a carvão

nas porteiras das estradas boiadeiras

ou nas paredes caiadas dos alpendres:

“Lindaura Mendes – Cabo Assumção … ”

e, sob dois corações entrelaçados:

“Sôdade do Rio dos Boi”. ”

5/5/22. Françisco” …

 

Nas pautas musicais

do arame dos mangueiras,

que gênio virá compor

os motivos dos currais

os desafios brejeiros

e as cantilenas de amor?

Goyaz! recendente jardim,

feito para a volúpia dos sentidos!

 

Quem vive neste ambiente,

sorvendo o perfume da seiva

que erra no ar;

quem nasceu numa terra assim,

por que não há de cantar?

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