Cultura

Questão Social: Um breve olhar

diario da manha

Século 21! Grandes conquistas, país democrático, com riquezas naturais incalculáveis, uma constituição garantindo nossos direitos fundamentais, não estamos na lista dos países mais pobres do mundo, somos livres!

 

Diante de todas estas afirmações a sociedade Brasileira se veste de desigualdades, vivendo em comunhão com a pobreza! Flagelo este que exclui cidadãos de participarem das decisões sobre o futuro do seu país por desconhecimento oriundo da falta de informação e muitas vezes o analfabetismo. Vive – se a triste realidade de ter cidadãos que não existem perante a sociedade, que perderam sua dignidade por falta de acesso ao básico para sua subsistência. A crescente marginalização atribuída a falta de esforços políticos e sociais ou a falta de um olhar para a questão social e suas expressões.

Voltando ao passado questiona-se como surgiu a pobreza e onde foi seu marco inicial. Como resposta: A era industrial capitalista com o crescimento econômico e distanciamento entre as classes, por um lado os burgueses e por outro a pobreza representada pela migração urbana que se tornou necessária para a sobrevivência, salários insuficientes, e condições de vida cada vez mais precária.  Deixando para traz o passado nos transportamos para a realidade vivida hoje, a questão social e seus impactos assistem-se, portanto, uma grande concentração de pobreza, excluindo assim cidadãos, e aumentando dia a dia a desigualdade entre os povos. Recorda-se dos grandes pensadores do inicio do nosso século entre eles o ilustre Paulo Freire patrono da educação no Brasil criador de métodos educacionais como a Pedagogia do oprimido, defendeu a escola gratuita, garantindo com isso uma sociedade menos desigual.

 

Ainda pela óptica educacional enfatiza-se a Escola nova de Anísio Teixeira, Grande mentor da educação para todos que acreditava que a escola por tempo integral e gratuita diminuía as chances da marginalização entre os jovens e a pobreza.

A escola pública universal e gratuita não é doutrina especificamente socialista, como não é socialista a doutrina dos sindicatos e do direito organizacional dos trabalhadores; antes são estes os pontos fundamentais por que se afirmou e possivelmente ainda se afirma a viabilidade do capitalismo ou o remédio e o freio para os desvios que o tornariam intolerável. (TEIXEIRA, Anísio. Educação não é Privilégio edição 1, São Paulo, Cia. Editora nacional 1957,p.55)

 

Nesse entendimento a pobreza nada mais é do que a exclusão do cidadão ao acesso a serviços básicos para uma vida digna, trabalho assalariado justo ao ponto de suprir suas necessidades básicas, jornada ideal de trabalho, moradia, saúde e educação, o que claramente assistimos é uma grande parte da sociedade excluída, não atuante, ausente das decisões políticas do seu país.

A questão social ou conjunto das expressões das desigualdades da sociedade exige de nós cidadãos profissionais da área social certa inquietação, a cobrança incansável dos investimentos públicos em educação, saúde e trabalho são práticas que devem ter mais ênfase e participação. Maria Carmelita Yasbek, Mestre e doutora em serviço social pesquisadora que atua principalmente com políticas sociais e assistência social a pobreza afirma que a questão social não restringe somente as privações materiais, e sim a introspecção do indivíduo enquanto sujeito capaz de participar, e escolher seu modo de vida.

 

[…] gostaria de explicitar a concepção de pobreza que vem orientando minhas pesquisas e particularmente orienta estas reflexões. Assim, abordo a pobreza como uma das manifestações da questão social, e dessa forma como expressão direta das relações vigentes na sociedade, localizando a questão no âmbito de relações constitutivas de um padrão de desenvolvimento capitalista, extremamente desigual, em que convivem acumulação e miséria. Os “pobres” são produtos dessas relações, que produzem e reproduzem a desigualdade no plano social, político, econômico e cultural, definindo para eles um lugar na sociedade. Um lugar onde são desqualificados por suas crenças, seu modo de se expressar e seu comportamento social, sinais de “qualidades negativas” e indesejáveis que lhes são conferidas por sua procedência de classe, por sua condição social. Este lugar tem contornos ligados à própria trama social que gera a desigualdade e que se expressa não apenas em circunstâncias econômicas, sociais e políticas, mas também nos valores culturais das classes subalternas e de seus interlocutores na vida social. Assim sendo, a pobreza, expressão direta das relações sociais, “certamente não se reduz às privações materiais” (YASBEK, 2009, p. 73-74).

 

Portanto, a partir de Yasbek, denota-se que o comportamento social, a pobreza tem origem no capitalismo, e elevando este problema a uma esfera atual fruto das políticas desiguais, onde o governo jamais poderá ser um mero expectador, a falta de inércia ao apoio a microempresa com sua infinita carga tributária que por sua vez emprega menos do que poderia, a falta de politicas educacionais, escolas adequadas, seguras, educadores bem remunerados, a ordem da questão social é estrutural como afirma (YASBEK 2001 pág. 39).

Diante do exposto, a questão social reflete toda fragilidade de uma sociedade, em que as politicas públicas devem ser mais amparadoras e focadas em diminuir a desigualdade social, e que o povo suprido resulta em felicidade e maiores expectativas de organização, pois a ordem de uma nação a eleva.

Ana Claudia Pereira – Socióloga.

[email protected]

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 TEIXEIRA, Anísio. Educação não é Privilégio edição 1, São Paulo, Cia. Editora nacional 1957, pág. 55.

YASBEK, 2009, pág. 73-74

YASBEK 2001 pág. 39

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