Cultura

Viagem ao abstrato

A imprevisível rota artística do iraquiano Rafa Al Nasiri

diario da manha

Paisagem no Lago Hangzhou (1962) – FOTO: REPRODUÇÃO

Leon Carelli

Um viajante de rotas imprevisíveis rumo à liberdade de ideias expressas através da arte. Rafa Al Nasiri é conhecido como um grande alquimista da arte, principalmente por desenvolver habilidades que unem estilos ocidentais e orientais. O pintor – que também se destacou como o primeiro gravurista do Instituto de Belas Artes de Bagdá – nasceu em 1940, na cidade de Tikrit, que fica além do Rio Tigre, 180 quilômetros distante da Capital. Passou quatro anos na China entre as décadas de 1950 e 1960, traçando um caminho imprevisível para jovens artistas da época. Alguns anos depois, foi parar em Lisboa, onde absorveu o clima abstrato da Europa no início dos anos 1970. Com essa extensa bagagem, administrou outras três décadas de um estilo único, sempre repleto de evolução.

O site oficial do pintor oferece-nos uma ampla linha do tempo de sua obra, que permanece com forte tendências realistas nas duas primeiras décadas (1950 e 60) e mergulha cada vez mais em abstrações a partir de então. De acordo com o site Art Bahrain, essa reviravolta aconteceu em Portugal. “Foi em Lisboa que Nassiri ficou impressionado com a abstração, voltando-se completamente para esse tipo de arte. Misturando suas expertises chinesas com técnicas ocidentais, sua arte adquiriu uma aparência totalmente distinta”, explica o texto,  que anuncia uma exposição em retrospectiva aos 50 anos de carreira do pintor, em outubro de 2013. Nassiri faleceu dois meses depois, em dezembro daquele ano.

Os chineses

Em seu site, Nasiri deixou registradas suas impressões diante da chegada dos chineses ao Instituto de Belas Artes de Bagdá. “Quando os chineses chegaram em 1959, carregados com obras de marfim, cobre, seda, cerâmica e gravuras, eu ainda era estudante do último ano de meus estudos no Instituto de Belas Artes. As mais maravilhosas antiguidades e obras-primas chinesas foram organizadas e exibidas no salão principal do Instituto, para que nós, estudantes, pudéssemos vê-las dezenas de vezes todos os dias”. Aos 19 anos, mesmo tendo sido treinado durante todos seus estudos com técnicas europeias, Nassiri aceita um convite para continuar seus estudos na China. Essa decisão talvez tenha sido a grande responsável pela particularidade de suas obras.

No oriente, de acordo com site Art Bahrain, o artista recebe, no oriente, uma série de ensinamentos que vão além de técnicas profissionais. “Ele não aprendeu simplesmente as técnicas da arte chinesa contemporânea e antiga, mas assumiu sua atitude perante à arte e à vida, aprendendo a paciência, dedicação e precisão”, explica o site.

De volta à Bagdá, Nasiri promove uma série de revoluções no instituto de Belas Artes da cidade, acrescentando aulas de gravura à grade do instituto. O artista conta a história pessoalmente: “Voltei para Bagdá em agosto de 1963, de Hong Kong, imediatamente após uma exposição, para me tornar o primeiro artista iraquiano especializado em gravura. Uma semana após minha chegada, reuniu documentos e enviei ao Ministério da Educação para assumir um posto no Instituto de Belas Artes. Mas apenas em 1965 me tornei professor, e comecei a ministrar aulas de gravura”. A obra A garota do Pântano [Al Ahwar Girl], de 1965, é uma das gravuras mais célebres de Nasiri.

Trânsito livre

Durante sua vida pública, Rafa Nasiri sempre defendeu o livre trânsito de visões de mundo, seja através de declarações à imprensa ou através da arte que apresentava. “Ao longo de sua carreira, a art foi um modo de Nasiri conseguir liberdade nos níveis individual e artístico. A retrospectiva é uma vista para a passagem do tempo, para a política e o engajamento artístico, para a história e a reinvenção da história através dos métodos e visões inabaláveis do artista”, acrescenta o Art Bahrain.  O pintor também ficou conhecido como um grande incentivador de jovens que buscavam espaço no meio artístico. 

Alguns meses antes de morrer, Nasiri deixou uma mensagem para os jovens artistas do Iraque, reiterando-os da importância de olhares inovadores para a subsistência da arte no país. “Continuem fazendo arte para a humanidade. Continuem usando seus espíritos, ideias e habilidades para criar boa arte. Continuem vivendo nos belos momentos de seu tempo. Continuem amando sua terra”.


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