Cultura

Artista visual abre mostra no Lowbrow

Relação da humanidade e das máquinas é discutida na arte de Múcio Nunes, que abre hoje exposição na Lowbrow

diario da manha

Onde a tecnologia irá levar a humanidade? Quem domina quem? As máquinas vão superar (ou já superaram) seus criadores? Estes e muitos outros questionamentos sobre tecnologia e humanidade estão na exposição “Engrenagem Sensorial”, de Múcio Nunes. Com mistura de técnicas, o artista visual instiga o espectador a analisar a sociedade plugada, nessa mostra que abre hoje na Lowbrow Lab Arte & Boteco e segue em cartaz até o dia 31 de setembro. 

Com curadoria de Roan, as obras são bidimensionais e trazem técnicas como graffiti, acrílica sobre tela, tinta óleo e desenhos em aquarela e nanquim. Apesar de figurativo, grande parte das obras tende a tornar abstrata.  “Selecionei as obras que misturam o lúdico com o real, que convidam a pensar e refletir, que não entregam o conjunto por completo”, revela.

Artista Múcio Nunes (FOTO: REPRODUÇÃO)

A maioria das  obras é novíssima – algumas Múcio finalizou ontem mesmo -, outras, como o artista revelou em entrevista ao Diário da Manhã, são de estimação e sem valor, que nunca foram expostas. Outra sacada de “Engrenagens Sensoriais” mostra um assunto há muito tempo abordado por Múcio, já que a exposição “Conecte-se”, em 2017, tinha a mesma temática. No entanto, para o artista ela chega à individual com o contexto amarrado como nunca. 

“Dessa vez estou mais fechado nas máquinas e na relações humanas, como de pertencimento social, político e filosófico, e de qual momento eu pertenço no tempo e no espaço”, explica o artista, que conversou com o DM em um dia corrido. Ele estava terminando as últimas telas da mostra, depois de uns três dias sem dormir. “Me desculpe se estiver um pouco devagar”, disse ele, sem transmitir nenhuma sensação de lentidão.

O seu pensamento para explicar as telas estava afiado. E assim foi quando falou sobre a poética de labirinto e deslocamento social que aparecem na exposição. “As obras trazem essa sensação de se estar perdido, e até faço uma referência ao livro ‘Estética do Labirinto’, de Lúcia Leão, em que ela diz que o labirinto pode ser onde o olhar se perde”, conta o artista.


São as engrenagens que dão o toque abstrato da individual. São elas que, não se sabe de onde são e pra que serve, que formam o labirinto. “Tem um quadro que chamo de máquina de pensar, que você olha e não sabe o que é, mas faz a gente pensar. As pessoas fazem suas várias leituras. Tem gente que fala que as máquinas parecem figuras egípcias, incas… Eu olho e identifico isso, mas a minha ideia era a máquina mesmo”, analisa.

Na arte de Múcio, o emaranhado de engrenagens representa ainda o sistema social de controle, que para ele pode manipular tanto para o bem, como para o mal, através da tecnologia. “Há o bom uso (da tecnologia), mas quanto tempo pode ser para o bem? Ao mesmo tempo em que as máquinas representam um sistema mecânico criado pelo homem, me faz pensar o quão domesticados estamos pela nossa própria criação. Pessoas morrem tirando selfies, atravessando a rua olhando para o celular”, exemplifica. 

Há ainda em “Engrenagens” a presença constante da figura humana, que contextualiza essa discussão do pertencimento. “Nas obras há alguns personagens índios, negros, figuras androides, que coloco nesses meus labirintos”, diz ele.

Novos ares

Múcio Nunes, que  é professor de Desenho, Pintura, Graffiti e História da Arte no Instituto Tecnológico em Artes Basileu França e tem uma longa formação enquanto artista, é formado em Artes Visuais pela UFG, se mostrou empolgado em expor sua obra pela primeira vez em um ambiente da Lowbrow. A casa é uma mistura de galeria, bar e espaço cultural.

“Vi que vários artistas renomados já exporam lá. Agora mesmo terminou uma exposição do Omar Souto. O interessante é que pessoas desavisadas podem encontrar e gostar da exposição e há ainda pessoas que já vão para a abertura e ficam ligadas na agenda. Isso é importante porque forma público”, pontua.

Além da mostra, a casa realiza mais uma edição do projeto D’Boa – Música para o Bem. A partir das 22h, Leo Yanes, vocalista da banda Tripop, faz um show acústico de rock nacional e internacional, com canções de nomes como Renato Russo, Raul Seixas, Rita Lee, Lulu Santos, Cazuza, Creedence, Red Hot Chili Peppers, Audioslave e muito mais. Toda arrecadação de leite entregue para assistir ao show será doada para a ONG Solidariedade Branca.

Serviço

Abertura da mostra Engrenagem Sensorial

Quando: Nesta quarta-feira (7), a partir das 19h

Local: Lowbrow Lab Arte & Boteco 

Endereço: Rua 115, quadra F43A, lote 214 nº 1684, Setor Sul

Entrada para o show: 2l de leite

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