Cultura

55 anos depois

Naquele dia na Praça Cívica aviões sobrevoam. Trabalhadores enraivecidos. Sem resistência

diario da manha
Praça Cívica no dia 26 de novembro de 1964 - Reprodução/ Acervo Histórico

Texto: Renato Dias

Infográfico: Elson Souto

Edição: Marcus Vinícius Beck

Praça Cívica, Goiânia, 26 de novembro de 1964. O inquilino da Casa Verde, sede do Governo de Goiás, Mauro Borges Teixeira, é deposto. Filho do interventor de Getúlio Vargas, no Estado, após a Revolução de 1930, o médico Pedro Ludovico Teixeira, o coronel do Exército havia participado da Cadeia da Legalidade. Com a renúncia da etílica vassoura Jânio da Silva Quadros. Quando? Em 25 de agosto de 1961. Não custa lembrar: ao lado do engenheiro de São Borja, Leonel de Moura Brizola, que até encontrara-se com Ernesto Guevara de La Serna, El Che, no Uruguai. Mais: mesmo com o suporte dado ao vice-presidente constitucional eleito em 1960, latifundiário João Belchior Marques Goulart, um nacional-estatista, em sua versão trabalhista, herdeiro de Getúlio Vargas, o Pai dos Pobres, rompe com o Palácio do Planalto, em 1963. O golpe de Estado civil e militar de 31 de março, 1 e 2 de abril de 1964, insuflado pelos Estados Unidos das Américas [EUA], deflagrado pelas Forças Armadas, com aval do Congresso Nacional, que declarou vaga a Presidência da República, indicou Raniére Mazzilli e elegeu o marechal Humberto Castello Branco, ratificado pela Corte Suprema, do Poder Judiciário, com uma narrativa replicada pelos conglomerados de comunicação, além das classes médias católicas, abençoadas pela CNBB, ABI, Fiesp e OAB, receosas do avanço do proletariado fabril e do campo, obtém o apoio de Mauro Borges. Assim como de Adhemar de Barros [SP], Carlos Lacerda [Estado da Guanabara], Magalhães Pinto [Minas Gerais] e Ildo Meneghetti [RS]. A ruptura institucional termina. Com a instalação de uma ditadura. Uma noite. Duração: 21 anos.

David Maciel diz que Mauro Borges entrou para a história como representante das oligarquias goianas

Mauro Borges deixa o Palácio das Esmeraldas. O governador de Goiás testemunha aviões da Força Aérea Brasileira em manobras no céu de Goiânia. A cidade fundada em 1933. Por seu pai. Sob a inspiração da Art Déco. De Paris, França, Velho Mundo. Abatido, dirige-se até a casa do genitor. À Rua 26, Centro. Ao seu lado, o deputado estadual Lafaiete de Campos. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás era Iris Rezende Machado, que seria cassado, em 17 de outubro de 1969, do cargo de prefeito de Goiânia. Um documento assinado por Otávio Lage de Siqueira pede o seu afastamento do Poder, à Brasília, capital da República criada por JK – Juscelino Kubistcheck. Os seus direitos políticos foram cassados. Por dez anos consecutivos. Cinco anos depois, Pedro Ludovico Teixeira é cassado. O homem perde a sua cadeira no Senado da República. Um menino de 15 anos de idade lhe pede recursos para a continuidade da luta. Um estudante do Lyceu, membro da organização clandestina Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares, Marcos Antônio Dias Baptista. Ele, que desapareceu em maio de 1970, estava ao lado de Erotides Borges. Também um ‘enragé de 1968’ que adotara a estratégia de luta armada contra a ditadura civil e militar. Os dois com participação direta na explosão do Jeep Verde-Oliva do coronel Pitanga Maia, secretário de Estado de Segurança Pública, e na tentativa, fracassada, de explodir ainda o veículo do chefe da repressão e torturador, Marcus Antônio de Brito Fleury, como aponta o relatório final da Comissão Nacional da Verdade [CNV], divulgado em 10 de dezembro de 2014, sob a presença da presidente da República, Dilma Rousseff,  ex-presa política e torturada nos anos de chumbo.

A presença de Mauro Borges no cenário político se dá a partir da Campanha da Legalidade, diz Silvio Costa
Costa afirma que Mauro Borges não pode ser considerado um político progressista

Documento obtido com exclusividade aponta que Mauro Borges, no exercício do cargo de governador de Goiás, enviara uma lista às Forças Armadas, de supostos servidores públicos subversivos que participavam de sua gestão. Oficial de Gabinete, Hugo Brockes é preso, torturado e registra, em cartório, as sevícias a que foi submetido. Tarzan de Castro denuncia Marcus Antônio de Brito Fleury. Os responsáveis pelo Assalto ao Tiro de Guerra acabaram presos. Neso Natal, o único sobrevivente da operação executada pelo PC do B, para expropriar armas e munições, foge e exila-se na extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS. Juarez Guimarães de Brito escapa, deixa Goiás, ingressa na VAR – Palmares, protagoniza a ação mais espetacular da esquerda armada, o roubo do cofre de Adhemar de Barros, na casa de sua amante Ana Capriglionne, codinome Dr. Rui, no Rio de Janeiro, que rendeu, à época, 2,5 milhões de dólares. Observação: valores não convertidos para novembro de 2019. Juarez Guimarães de Brito morreu, em um cerco da repressão política e militar, com um tiro na cabeça: suicídio. Um pacto de sangue. Para não cair nas mãos dos torturadores. Maurício Zaccariotti, preso e torturado. Socióloga e pesquisadora, Dalva Maria Borges, em ‘O Ovo da Serpente’, relata que a linha dura do Exército, os latifundiários, oligarquias ressentidas & a UDN golpista teriam sido os responsáveis pela deposição de 26 de novembro de 1964. Advogado, deputado estadual em 1964, Eurico Barbosa, testemunhou in loco a destruição das instituições. No Brasil e no Estado de Goiás. Assim como o historiador Marcantonio Dela Corte e o carbonário Tarzan de Castro, que fugiu para o Uruguai, foi preso no Chile e teve um longo exílio em Paris, França. 

Borges organizou Estado de Goiás sob uma ótica moderna
Cientista político analisa modernizações realizadas por Mauro Borges

– Eu vejo o futuro repetir o passado…

Contraponto?

Plano MB, estatais e modelo de gestão administrativa

Governador de 1961 a 26 de novembro de 1964, Mauro Borges Teixeira é o responsável direto pela modernização do Estado, em Goiás, afirma, com exclusividade, o advogado, mestre em Filosofia e secretário de Cultura, da Prefeitura de Goiânia, Kleber Adorno. Um modelo de gestão, classifica o ex-deputado estadual. De evolução da administração pública, define-o. 

Ex-governador foi responsável por instituir concursos públicos, revela Silvio Costa

O pesquisador informa ainda que o ex – inquilino do Palácio das Esmeraldas enfrentou duros embates e graves crises políticas. O Plano Mauro Borges [MB] aponta a necessidade de planejar a gestão, pontua. Para alcançar indicadores econômicos, sociais, educacionais e culturais positivos, destaca. O seu legado tem estatais e serviços públicos de excelência, frisa.

Doutor em História, promotor de Justiça e ex-chefe de gabinete do então procurador-geral Benedito Torres, o pesquisador Jales Guedes Coelho Mendonça lembra que o Ludoviquismo [1930-1964] sucedeu o Caiadismo [1912-1930]. A sua longevidade oligárquica, a do clã de Pedro Ludovico, pai de Mauro Borges, se compara apenas ao ciclo de Leopoldo Bulhões, atira. 

Costa disseca trajetória política de Mauro Borges

– De 1878 a 1912. 

João Belchior Marques Goulart, presidente da República, Miguel Arraes, governador socialista de Pernambuco, e Mauro Borges Teixeira, governador de Goiás, não foram depostos simultaneamente, registra o estudioso. A confusão é um recurso da luta política, da disputa pela hegemonia, diz. Pelo imaginário. Derrotado em 1961, Golbery do Couto e Silva dá o troco.

Borges transita por diversos partidos, aponta o professor da PUC-GO

– Golbery do Couto e Silva não se esqueceu dos legalistas de 1961 em 1964.

Mauro Borges deveria ser estudado para evitar generalização, aponta o teólogo e jornalista Ton Alves
Sérgio Sampaio – Bloco Na Rua

Comentários

Mais de Cultura

26 de junho de 2019 as 14:42

Sol em Câncer e a cura emocional

14 de junho de 2019 as 19:24

GIRO PELA FIEG

12 de junho de 2019 as 08:50

Quíron, o segredo da cura

11 de junho de 2019 as 08:36

Questão Social: Um breve olhar

7 de junho de 2019 as 08:46

Astrologia; seja bem-vindo, junho!

30 de maio de 2019 as 08:46

Alego promove seminário de Turismo

28 de maio de 2019 as 09:17

Festa junina no Goiânia 2

16 de maio de 2019 as 11:29

Vênus entra em Touro