Cultura

A ascensão do pole dance em Goiânia: entre a arte e o esporte

Em sua reviravolta, o pole dance assume, hoje, outras vertentes, sendo elas esportivas, acrobáticas e artísticas. Além disso, democraticamente, o pole abraça todos os públicos e esse fato tem conquistado a população goiana

diario da manha
Foto: Arquivo Pessoal / Jade Mustafé

O Pole Dance nasceu na Índia, e predominantemente era praticado por homens. A atividade teve como inspiração uma vertente de ioga denominada Mallakhamb (homem de força), praticada na Índia desde o século XII, usando cordas e um poste de madeira para a execução de movimentos.

Já no ocidente, a prática foi vista por muito tempo exclusivamente como dança, em certo ponto, muitas vezes marginalizada. Entretanto, nos últimos tempos, a atividade tomou as academias e se consolidou como modalidade esportiva. No Brasil, o primeiro campeonato aconteceu em 2008 e no ano seguinte, criou-se a Federação Brasileira de Pole Dance.

Na contemporaneidade, diferentes vertentes de pole dance se formaram. Antigamente, pejorativamente associado às casas noturnas e ao strip-tease, a pratica carregou muitos esteriótipos e preconceitos, geralmente relacionados ao conservadorismo, Em sua reviravolta, a prática assume, hoje, outras vertentes, sendo elas esportivas, acrobáticas e artísticas. Além disso, democraticamente, a arte abraça todos os públicos e esse fato tem conquistado a população goiana.

A capital não ficou de fora dessa moda, o pole dance tornou-se uma epidemia. Jade Mustafé, artista, atleta e proprietária do estúdio Cabine 103, conversou com o DM sobre a prática artística e esportiva.

Foto: Arquivo pessoal / Jade Mustafé

DM Online: Como você enxerga o pole no atual cenário brasileiro e como percebeu o crescimento do pole no país? Como viu que estava dando certo?

Jade Mustafé: Eu entendo o Pole como uma arte, em todos os sentidos que essa palavra pode englobar. O Pole vai de esporte à dança, passando pela ginástica, pelas acrobacias aéreas… então eu entendo o pole como um instrumento de arte como qualquer outro segmento cultural. E percebo que, apesar dos esteriótipos e preconceitos, essa prática tem aumentado no Brasil atualmente. Acho que as pessoas estão começando a entender o propósito do Pole Dance. Nos últimos 2, 3 anos, as pessoas tem tido mais acesso a essa arte, o que faz com que as pessoas procurem mais, busquem mais informações sobre isso, se interessem em fazer e, consequentemente, com que o Pole cresça e “dê certo”

DM Online: Pole como arte ou como esporte? O que você enxerga disso?

Jade Mustafé: Defendo o Pole em todos os seus segmentos. Seja ele sensual, seja ele exótico, seja o esportivo, seja contemporâneo… Eu acredito, faço e defendo o Pole como expressão pessoal com as técnicas necessárias. E, sem querer polemizar, acho que defender o Pole apenas como esporte desconsidera toda uma história por traz desse “esporte” e deslegitima várias mulheres que praticam (e muito bem) as outras modalidades do Pole.

DM Online: Há sem dúvidas um peso de sexualização dentro dessa arte, como se desvincular desses esteriótipos e preconceitos? Você tem visto mudança nesse cenário? Você busca essa desvinculação?

Jade Mustafé: Eu acho que o peso de sexualização dentro dessa arte é, em grande parte, o mesmo peso da sexualização sobre o corpo das mulheres. Seja ele no Pole, seja ele na dança de salão, seja ele nas telas de cinema ou andando nas ruas. O mundo não sabe lidar ainda com o corpo das mulheres (por todo o sistema que temos), e isso se acentua no Pole por todo o histórico, enfim… Eu não sei se há de fato uma mudança nesse cenário (talvez de pouco em pouco esteja mudando), mas acho que há uma mudança em como as mulheres passam a lidar com isso. A não submissão, a aceitação de que temos um corpo livre, sensual sim, mas nosso. É uma dança para, acima de tudo, ser nossa! Para o nos sentirmos bem, para nos sentirmos leves, pra nos sentirmos lindas. O mundo que lide com isso. Luto sempre para a não hipersexualização sobre o corpo feminino, seja ele dentro ou fora do Pole, mas acho que a intenção (pelo menos a minha quando eu lido com as mulheres no estúdio) não é dialogar com quem está de fora ou com o que vão pensar, mas sim com a mulher que está ali, disposta a tentar, a fazer, a descobrir os limites do corpo e da mente e superá-los.

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