Cultura

Ópera-rock 'The Wall' completa 40 anos

Disco é considerado ainda hoje um dos melhores já produzidos pela indústria fonográfica

diario da manha
Cena do filme ‘The Wall’, do diretores britânicos Alan Parker e Gerald Scarfe - Foto: Reprodução

Tente imaginar a história do rock sem mencionar o nome da ópera-rock “The Wall”. Impossível, não é mesmo? Bem, isso era de se esperar. Afinal, trata-se de uma obra complexa, audaciosa e crítica. Algo nunca visto antes na história da música ocidental. Da primeira à última faixa, o baixista Roger Waters, o guitarrista David Gilmour, o tecladista Richard Wright e o baterista Nick Mason convidam o ouvinte a passear pelo muro que impede a consciência humana de refletir sobre determinadas questões da vida contemporânea. 

Lançado no dia 30 de novembro de 1979, o disco ficou marcado como o auge das brigas internas entre os membros da banda inglesa e com Waters assumindo o controle criativo cada vez mais – tanto que o Wright foi demitido pelo baixista. Além disso, o produtor Bob Ezrin estava afundado nas drogas e era difícil lidar com seu temperamento imprevisível. Mas, mesmo com todos esses percalços, a ópera-rock é um dos pontos altos da cultura ocidental, com o preciso apontamento sobre as dificuldades de comunicação que atingem o ser humano.

Sem falar nas críticas ao modelo de ensino e a radicalização política, sempre tendendo para o autoritarismo: “The Wall” de fato é um disco fora de série. Para o baterista Moka Nascimento, um dos precursores do rock em Goiás, o álbum é disparadamente o melhor de tudo o que havia sido feito pelo grupo britânico até então – antes Waters e companhia flertavam mais com a lisergia, como é possível notar em “The Dark Side Of The Moon”, de 1973, “Wish You Were Here”, lançado dois anos depois, e “Animals”, de 1977.  

“Foi um divisor de águas no trabalho musical do grupo britânico”, diz o músico. Ele destaca ainda o groove consistente, com solos arrebatadores, do guitarrista David Gilmour. “Para mim que executo as músicas de Pink Floyd desde os anos 70, considero-o como um disco ópera de maior relevância, superior a todos os outros. Pink Floyd sempre foi e será a maior banda de rock progressivo do planeta. “The Wall” é um trabalho de suma importância para a música e para os músicos, além de o ser para discófilos do planeta todo”, afirma Moka. 

Colecionador de vinis e fã de rock, o jornalista Heitor Vilela avalia que a ópera-rock do Pink Floyd é um marco musical e político – algo que é explorado até hoje nos shows de Waters. “Se tornou um clássico impermeável e sólido da cultura contemporânea ocidental. Uma influência genérica e o principal marco político do Pink Floyd, algo que Watters até hoje faz em seus shows”, aponta, acrescentando: “uma ode antifascista que cria em cima do personagem de Pink a infância do compositor e baixista Roger Waters”.

Show de Roger Waters após a queda do Muro de Berlim

40 anos depois

Para compreensão da ópera-rock “The Wall” é preciso contextualizar o final da Guerra Fria e a derrocada das ditaduras comunistas ao redor do mundo. Havia a sensação de que a economia daria as cartas do jogo e o planeta entraria numa época em que a democracia seria a vanguarda – embora vestígios de pensamentos autoritários e conservadores pudessem surgir em diversas regiões do planeta. E o disco do Pink Floyd não era exatamente contra essa tendência, uma vez que nascera no final da década de 1970. 

Quatro décadas depois, o ouvinte ainda poderá sentir esses desafios ao se deparar com músicas como “Young Lust”, “Another Brick In The Wall”, “Hey You”, “Comfortably Numb” e “The Trial”. No entanto, Roger Waters – mentor intelectual da ópera-rock – equivoca-se ao realizar a defesa apaixonada de um regime como o de Nicolás Maduro – diariamente, pelo menos 500 refugiados cruzam a fronteira e entram no Brasil por Roraima. Mas a luta do baixista contra o pensamento autoritário ainda se faz necessária, e é louvável. 

Ao contrário da importância que tem hoje, o disco contou com recepção mista pela crítica quando foi lançado. Ganhou, no entanto, 23x platina, e dele saiu o único hit com pegada pop da história do Pink Floyd, a música “Another Brick In The Wall, Pt. 2”. Foi também comercialmente bem-sucedido, vendendo 11,5 milhões de cópias desde seu lançamento, nos Estados Unidos. Em 2003, a revista especializada Rolling Stone listou “The Wall” na 87ª dos 500 melhores discos de todos os tempos. 

“The Wall” seguiu a tendência dos três discos de estúdio anteriores da banda, e foi concebido como um álbum conceitual. A ideia nasceu em 1977, durante a turnê “In The Flasch”, quando Waters ficou frustrado com o público. Ele, então, imaginou que havia uma barreira entre seus fãs e o Pink Floyd. Tanto que a ópera-rock é centrada no personagem Pink, um rockstar, que teve o pai morto na Segunda Guerra Mundial, e foi alvo de abuso por seus professores, teve uma mãe superprotetora, entre outras coisas. Daí a ideia da parede enquanto metáfora. 

Saiba mais

‘The Wall – O Filme’

Com roteiro assinado por Roger Waters, o filme “The Wall” conta a história do rockstar Pink. Ator Bob Geldof, da banda punk The Boomtown Rats, estreia como o roqueiro Pink.

The Wall Live In Berlim

Após a queda do Muro de Berlim, Waters tocou na cidade da Alemanha a ópera-rock na íntegra, teve participação da banda Scorpions e do cantor Bryan Adams. 


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