Cultura

Uma arte nobre e complexa: a comédia e suas nuances

O dia do comediante é comemorado neste sábado, 26, por isso o DM preparou uma matéria dedicada a uma data dedicada àqueles que aliviam a tensão através de palavras e imagens

diario da manha

“Rir é um ato de resistência”, disse antes de partir o humorista Paulo Gustavo, um dos maiores atores brasileiros. De fato, o ato de sorrir perante as situações alivia a tensão do dia, seja por sátiras que tiram onda de autoridades, a luta por direitos através do humor, cartuns que, de forma singela, arrancam gargalhadas através de poucas palavras e com desenhos que pregam o humor criticando o sistema, ou mesmo tratando de fatos corriqueiros do cotidiano.

O comediante é responsável por utilizar seu dom cômico ao criar roteiros e frases que estejam encaixadas em um timing, ou ritmo, que fazem o texto ser engraçado. Certamente, fazer comédia exige muita atenção e é um trabalho difícil que exige muito do humoritsta, principalmente quando ele está diante de uma plateia e esta vai avaliar se suas piadas são boas ou não, a reação deve ser imediata, ou seja, a risada do público é a resposta de seu trabalho.

O gênero têm sofrido mudanças nos últimos anos, especialmente em relação a assuntos que tratam de homofobia, gordofobia, racismo, religião, entre outros. Até os anos 2000 era comum haver um estereótipo em relação aos homossexuais, com comportamentos exagerados e roupas extravagantes, os negros eram representados atrvés do “blackface”, no qual o ator se pintava de preto e usava peruca, usando técnicas de comédia desaprovadas atualmente, e outras minorias religiosas, comunidades indígenas, nordestinos e nortistas.

As mudanças, de fato, foram positivas e o humor hoje se manifesta de forma crítica nas esferas políticas, sociais e econômicas, ganhando a aprovação e apoio do público.

Em Goiás, podemos citar o cartunista José Almir de Andrade, cartunista que, através de traços e rascunhos, faz o público rir nas redes sociais, interagindo com todos. Ao mesmo tempo em que leva a sua opinião, ele leva junto a leveza e a graça, tornando o desenho em uma arte humorística. Outros humoristas goianos notáveis são Jacques Vanier, Nilton Pinto e Tom Carvalho, Paulo Vieira e Ingrid Guimarães.

Saulo Pinheiro, 35 anos, é jornalista e humorista, mora em Brasília e faz apresentações em Goiânia. Ele começou a seguir os passos do humor quando ainda cursava jornalismo, fazendo curso de teatro.

Foi no ano de 2006 que Saulo entrou no grupo Sete Belos, existente até hoje, o qual trabalha com diversas peças, como teatro de improviso, convencional, de esquetes e stand-up. O grupo já soma mais de dez peças.

Saulo Pinheiro, humorista. (Foto: Arquivo pessoal)

Ágil e criativo, Saulo diz que se baseia em histórias reais mas também inventa outras para arrancar risadas do público.

“As piadas do stans-up são mais invendas na métrica desse tipo de fazer comédia. Uma piada deve ter uma média de 20 segundos para o pessoal rir. Eu faço piada de um, dois minutos que o pessoal dá risada no final, então ela [a piada] é inventada dentro dessa métrica para dar certo”, afirma.

O humorista também comentou sobre o papel do humor em meio a crise política que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos.

“O humor tira a gravidade e a seriedade das coisas. Para você destruir um rei, nada melhor do que rir dele, se todo mundo estiver rindo do cara, ele perdeu a credibilidade. Ainda tem uma pequena porcentagem que ainda apoia o rei, agora quando tá todo mundo fazendo chacota, aí acabou pro cara, então essa é a melhor arma”, diz.

As inspirações para Saulo fazer humor vem das telas norte-americanas e euroepias.

“Meu grande ídolo no stand-up é o Chris Rock, Bo Burnham, além do Charles Chaplin, eu o acho incrível, e um palhaço chamado Avner”, alega.

No gênero da comédia, há vários tipos, como o já mencionado stand-up, comédias pastelão, esquetes, sitcoms, dentre outros. Saulo comenta sobre o tipo que mais o atrai.

“O tipo de comédia que mais me atrai é o humor político, além de fazer piadas que eu utilizo apenas movimentos, como os palhaços, que não tem exatamente um texto, costuma fazer o público rir”.

Ele ainda comenta sobre os desafios que enfrenta como humorista.

“O maior desafio é acertar de primeira todas as piadas que a gente escreve quando sobe no palco. Quando a gente escreve uma piada, espera que dê certo mas muitas vezes a piada que você acha que vai ser engraçada não é, e algo que você escreveu despretenciosamente o público ama”, descreve.

“O maior desafio, então, é quando você está sentado escrevendo suas piadas, todas com a intenção de ter um impacto grande quando forem apresentadas”, completa.

Ele disse ainda que pretende vir à Goiânia em breve e completa dizendo que o público daqui o acolhe muito bem e que isso é até uma unanimidade em Brasília, onde os humoristas gostam de vir para cá se apresentar.

Com seu jeito engraçado e descontraído, Saulo descreve o humor como o melhor formato da boca mais o que há de mais louco no cérebro.

Comentários