Cultura

Após dois anos, Goiânia Noise volta ao calendário cultural da Capital

Das 39 bandas que se revezarão nos dois palcos do festival, dez trazem mulheres em sua formação. Clássico do rock brasileiro dos anos 70, Casa das Máquinas se apresenta no primeiro dia

diario da manha
Mudhumano: banda goiana promete tocar músicas do primeiro disco - Foto: Divulgação

O Goiânia Noise resistiu, tornou-se patrimônio do rock e, nesta sexta, 20, chega à sua 26ª edição promovendo shows históricos no Centro Cultural Oscar Niemeyer (saída para Senador Canedo). Além de dez das 39 bandas que fazem parte do line-up contarem com mulheres na formação, a Mostro Discos traz para Goiânia a Casa das Máquinas, clássico do progressivo e hard nacionais que, após hiato de 46 anos, lançou o vigoroso disco “Brilho nos Olhos”. A Casa sobe ao palco no primeiro dia, às 23h45, depois de por ele já passarem Mudhumano e Moka Nascimento – entre outros nomes.

Com 26 anos nas costas e até já tendo sido personagem do livro “10 Anos de Goiânia Noise – Em terra de Cowboy Quem Toca Guitarra é Doido”, escrito pelo jornalista Pablo Kossa, o Noise entrou num processo de hibernação por causa da pandemia de covid-19 e, dois anos depois, está de volta. A programação reúne estilos, sotaques e linguagens diferentes. Além do protagonismo feminino em bandas como Carne Doce, Mundhumano, Synx, Insanidade, Roberta de Razão, Maaju, Rural Killers, Far From Alaska e Ousel, as lendas retornam à festa das guitarras, baixos e baterias.

Carne Doce: sensualidade antecede porra-louquice – Foto: Divulgação

 “A felicidade nossa, em estar no Noise, é talvez maior porque é a primeira vez que tocamos nele. A Mundhumano sempre foi uma banda que se apresenta no Vaca Amarela, no Bananada, nos festivais que têm essa vertente de música brasileira”, conta Kleuber Garcez, violonista da Mundhumano, em entrevista ao Diário da Manhã. “Era um sonho antigo. O rock e a música brasileira se entrelaçaram, gerando outro movimento. Acho importante que o Noise acolha esse estilo de som que a gente faz, que é pensando em língua portuguesa, Brasil, África e América Latina”.

Se no sábado vai rolar a sensualidade consagrada pela crítica e pelo público dos goianos da Carne Doce, na sequência, a porra-louquice, a anarquia e o punk descaralhante do Ratos de Porão entram em cena. E aí prepare-se: nem a Monstro Discos, por exemplo, sabe quantas vezes os caras se apresentam no Noise. Mas o certo é que eles são o festival, carregando a rebeldia por meio de um som sujo e, como se sabe, de protesto. Apresentaram-se na última edição do Noise, mas sem o vocalista João Gordo, que tinha contraído pneumonia dias antes de subir ao palco.

Ratos de Porão: punk lendário dos paulistanos fecha noite de sábado

Filhos do punk paulista dos anos 1980, o Ratos foi fundado pelo guitarrista Jão, seu primo Betinho, responsável por dar nome à banda, e o baixista Jabá. Em sua carreira, chegou até a ter o status de ícone da América do Sul, após o ingresso do vocalista e letrista João Gordo. Seus discos são clássicos, brutais, ferozes, revoltados, emputecidos e, com quatro décadas de história nos ombros, o show aqui – alguém dúvida? – será um dos mais melhores – e a quem interessar possa, o movimento do qual Ratos de Porão fez parte em São Paulo virou livro pelas mãos de Marcelo Rubens Paiva e Clemente, em “Meninas de Fúria – e o Som que Mudou a Música Para Sempre”.

Já no domingo, quando encerra-se a 26ª edição do Goiânia Noise, a psicodelia do The Galo Power será um dos destaques do último dia, com a energia demencial dos quatro discos de estúdio da banda goiana apresentados no palco, fazendo você ficar chapado sem apelar para nenhum aditivo – se apelar, melhor ainda, porque a música deles fará mais sentido do que o normal. Eles prometem tocar para o público o single “Matoumorro”, recém-lançado no streaming, com a tal pegada sessentista. 

Mas o domingão será caótico: há os lendários Mechanics. São os únicos que fizeram um som em todas as edições do Noise. É uma música suja, ensurdecedora, politizada, desbocada, escrachada e, sobretudo, destruidora pra caralho! Seu vocalista, Marcio Jr, perambula pelo que ele chama de submundo dos filmes trash, HQs e ódios.

Outra entidade a tocar no Goiânia Noise deste ano, o Viper, surgido em São Paulo, é reconhecido como um dos grupos mais importantes do heaby metal brasileiro. Além de Felipe Machado e Pit Passarell, a banda foi formada pelo guitarrista Yves Passarell, atualmente no Capital Inicial, e o vocalista Andre Matos, que morreu em 8 de junho de 2019. Atualmente a banda conta com Leandro Caçoilo (vocais), Felipe Machado e Kiko Shred (guitarras), Pit Passarell (baixo e vocais) e Guilherme Martin (bateria). No Noise, o grupo avisa: vai passar a trajetória, os grandes discos e faixas inéditas a limpo.

Para o show da Mundhumano, na sexta-feira, o público pode esperar uma parte do repertório de “Nós Temos os Deuses que Dançam”, trabalho que vai chegar às plataformas de streaming no mês que vem. “Vamos mostrar parte desse trabalho para o público. Nossos arranjos. As coisas que falamos. A multiplicidade da banda, que tem uma mulher preta no front. Talvez o público entenda que a banda existe em função do que permeiam os pensamentos da Nina Soldeira”, adianta Kleuber, ao DM.

Veja a programação do Noise:

Sexta-feira, 20/5
19h00 – Sadis (GO)
19h30 – Synx (GO)
20h00 – Distopia (RO)
20h30 – Moka (GO)
21h00 – Caboclo Roxo (GO)
21h30 – Mundhumano (GO)
22h00 – Two Wolves (GO)
22h30 – Desert Crows (GO)
23h00 – Assucena (BA)
23h45 – Casa das Máquinas (SP)
00h45 – Terno Rei (SP)

Sábado, 21/5
17h00 – Bizarrones (GO)
17h30 – Red Sand King (GO)
18h00 – Maaju (GO)
18h30 – Fusage (PR)
19h00 – Sombrio (GO)
19h30 – Lobinho e os 3 Porcão (GO)
20h00 – Burning Rage (GO)
20h30 – Blowdrivers (GO)
21h00 – Roberta de Razão (ES)
21h30 – Macaco Bong (MT)
22h00 – Insanidade (GO)
22h30 – Jão e a Decadente Família Brasileira (SP)
23h00 – Black Pantera (MG)
23h45 – Carne Doce (GO)
00h45 – Ratos de Porão (SP)

Domingo, 22/5
17h00 – Blue Stalk (GO)
17h30 – America Boulevard (GO)
18h00 – Ousel (GO)
18h30 – Bad Distortion (GO)
19h00 – Riso do Abismo (GO)
19h30 – Rural Killers (GO)
20h00 – Os Indomáveis & Sandoval Shakerman (GO)
20h30 – Sheena Ye (GO)
21h00 – The Galo Power (GO)
21h30 – Mechanics (GO)
22h00 – A Última Theoria (GO)
22h30 – Viper (SP)
23h30 – Far From Alaska (RN)

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