Cultura

Série documental retrata as lutas de Casagrande

Produção sobre ex-jogador enfoca coragem do comentarista em lutar contra seus demônios, mostrando coragem e fugindo da covardia

diario da manha
Casão faz símbolo da paz: ex-jogador é fã de Janis Joplin e Jimi Hendrix - Fotos: Globoplay/ Divulgação

A vida de Casagrande dá um livro, não só deu um como logo três, que saíram pela Globo. E também um filme, recém lançado pela Globoplay. Embalado pela música dos Stones e dos Doors, entre outras bandas e artistas pelas quais Casão é aficionado, o documentário “Casão – Num Jogo Sem Regras” navega, em quatro episódios, pela trajetória goleadora de alma inquietada, pelo cara politizado, pelo cidadão contestador e, acima de tudo, preocupado com a democracia: Casão desnuda-se para o público e mostra-se a ele sem artimanhas, nem covardia e muito menos medo.

Com direção assinada por Susanna Lira e roteiro de Bruno Passeri e Roberto Passeri, a narrativa é costurada por imagens da carreira de Casão com depoimentos de personalidades que lhe acompanharam de perto, como Galvão Bueno, Roberto Rivellino, Baby do Brasil (sua ex-namorada), Juca Kfouri, José Trajano, seus três filhos de Casão. Nesse momento, tem-se o ponto alto do doc, com dramas e trajetórias evidenciadas na luta incessante contra as drogas que Casagrande precisou travar em sua vida, logo ele que era um atacante forte e que dava trabalho aos zagueiro.  

“Eu tenho muito orgulho da minha formação, da educação que eu recebi e ao mesmo tempo da liberdade que meus pais perceberam que tinham que me dar. Eu tinha um instinto de liberdade muito alto. Muita coisa que aconteceu na minha vida, no passado, foi porque eu não conseguia lidar com o tamanho de liberdade que eu tinha dentro de mim. Mas até a própria liberdade tem limites para você vivê-la bem e de verdade”, confessa o ex-jogador, em comunicado disponibilizado pela Globo aos jornalistas.

Em 2018, no Rio de Janeiro para compromissos profissionais com o Spotv, Casão recebeu um telefonema de Suzanna, querendo-lhe propor um documentário sobre sua vida. Ora, por que não? Ele marcou um café da manhã. Chegaram ela e um roteirista. O corinthiano queria vê-los, olhá-los e, se tudo fosse dentro do espero, aceitaria numa boa o projeto. E bastou-lhe que a diretora começasse a falar para que o ídolo do Timão fosse convencionado de que um doc seria uma boa ideia.

Segundo Casão, o documentário é importante porque vai mostrar que, desde os anos 70, é envolvido com política. “Esse é um ponto muito importante para mim, pois às vezes sou julgado porque as pessoas não conhecem a minha história. Então, nesse ponto político, será bem importante. Vai ter muita coisa de arquivo, entrevistas com pessoas que conviveram comigo. Eu sugeri vários nomes que achava interessantes para participar. Como sou uma pessoa muito intensa, tenho um relacionamento bem próximo de todas as pessoas que indiquei e elas me conhecem bem.”

Com as cores do Corinthians: paixão pelo clube paulista vem de berço

Na tela, numa montagem dinâmica, sucedem-se imagens de arquivo do craque na periferia de São Paulo, as batalhas que precisou travar contra o alcoolismo, as reflexões sobre a condição da mulher na sociedade contemporânea e a morte precoce da irmã. Crítico dos tempos de ditadura militar, também revelam-se suas rebeldias contra o regime fardado e a briga que lhe afastou do Corinthians nos anos 1980. No segundo capítulo, assiste-se trata a primeira experiência de Casagrande longe de casa, o luto se convertendo em combustão, a paixão arrebatadora por Mônica, além da ascensão como centroavante do Brasil e da Democracia Corinthiana.

Além de contextualizar como surgiu o movimento que propunha uma democracia direita num clube popular, também aborda a relação fraternal com Sócrates e, sendo o personagem em questão fã de música, sua convivência com ícones não poderia ficar de fora. “A primeira coisa que eu ouvi foi Beatles. Gostei, mas faltava alguma coisa para mim. Quando eu ouvi a Janis Joplin pela primeira vez, eu defini o meu estilo de vida pela voz e pelo comportamento dela. Quando eu ouvi a Janis Joplin, o Jim Morrison o Jimi Hendrix, principalmente esses três, percebi que eu era daquele jeito com uns 12, 13 anos. O rock and roll entrou muito forte na minha vida.”

No terceiro episódio, entra em cena a experiência de jogar na Europa, vestindo as cores do Porto, de Portugal, além de Ascoli e Torino, ambos da Itália. Neste momento, Casão sentia muita saudade do Brasil. E, no final da carreira, tornou-se pai. Por último, para fechar, “Casão – Num Jogo Sem Regras” foca no mergulho de Casagrande nas drogas, os problemas que passam a assombrá-lo constantemente, a internação compulsória, sua a relação com Baby do Brasil, detalhada em “Travessia”.

E o futebol, Casão? “Eu quero falar é de conhecer lugares, relacionamento e comportamento. Eu tive um relacionamento com Sócrates de amor. O futebol me deu a oportunidade de conhecer muitas pessoas diferentes, de ter relações diferentes. Me diverti por causa do futebol.”

Comentários