Cultura

'Causos de Voo e Risco' metaforiza conflito humano primitivo

Público assiste aparelhos comuns ao universo circense que constroem narrativa filosófica

diario da manha
O acrobata Gabriel Coelho em voo cênico durante espetáculo – Foto: Divulgação

O espetáculo “Causos de Voos e Risco” pousa nesta quarta-feira, 15, às 20h, sob o palco do Teatro Goiânia (23, 252, Setor Central, Goiânia). Trabalho solo do acrobata Gabriel Coelho, que conta com trilha sonora ao vivo assinada pelo violeiro Pedro Vaz, as técnicas circenses entram em cena para apresentar ao público uma metáfora que representa um conflito humano primitivo, o qual o filósofo e poeta francês Gastón Bachelard (1884-1962) definiu como “Sonho de Voo Versus Medo da Queda”.

Em cena, numa montagem dinâmica e que procura enaltecer pautas existencialistas, o público assiste aparelhos comuns ao universo circense, como corda indiana, faixa aérea e trapézio em balanço. Segundo Gabriel, são elementos que constroem uma narrativa densa e filosófica. Não por acaso, além de Bachelard, o espetáculo dialoga também com o conto “Causos de Voos e Riscos”, do escritor carioca Sérgio Sant’anna, uma das primeiras vítimas da covid-19 nas artes brasileiras, falecido em 10 maio de 2020.

Psicólogo de formação, mestre em Artes da Cena pela Unicamp e doutorando em Artes Cênicas na UnB, Gabriel Coelho é trapezista. Seu trabalho como acrobata circense, que é notável no cenário das artes cênicas goianas, possui o balanço como centro das atenções e aparelho de mais alto rendimento. Desde a década de 1990, quando deu por iniciada a carreira artística, apresentou-se em ruas, festas particulares e eventos. No Rio de Janeiro, cursou técnicas circenses na Escola Nacional de Circo (ENC) e, na cidade de Campinas (SP), na Cia do Circo, teve contato com técnicas aéreas e acrobacias em solo.

De acordo com o festival A Moda é Viola, que recebe o espetáculo “Causos de Voo e Riso” em sua programação, o Teatro Goiânia reservou 90 lugares para o público, seguindo medidas de prevenção ao coronavírus. A classificação indicativa do espetáculo, diz a organização, é de 12 anos. E a entrada, como foi em todo o festival, será franca. O show e a oficina do grupo Camerata Caipira, que estavam marcados para ocorrer no domingo, 12, no CCUFG, às 17h, foram adiados para o dia 19, após os músicos Victor Batista e Isabella Rovo testarem positivo para o coronavírus.

“O que venho estudando como Sonho de Voo representa mais do que a vontade do ser humano de alcançar os ares, mas também o desejo de ascensão na vida, de­senvolvimento pessoal e profis­sional. Já o Medo da Queda vai no sentido contrário, representando o medo que o homem tem do fra­casso e da morte”, disse Gabriel Coelho em entrevista ao DM, em 2018, ano em que o espetáculo estreou. “A história sugere que nos afastemos da estética circense de entretenimento, mas os equipa­mentos e técnicas acrobáticas utili­zados são frutos de uma longa tra­jetória de estudo e corpo no circo.”

Por isso, a frase “ele… vislumbra mares e horizontes. Voa em terra. Levita em palavras e sopros. Mergulha em sonhos primitivos. Levanta de pesadelos comuns” norteia o espetáculo “Causos de Voos e Risco”, que foi bem falado quando de sua pequena temporada no Teatro do Instituto Federal de Goiás, em 2018.  

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