Artistas são premiados no 22º Salão Anapolino de Arte
Redação DM
Publicado em 29 de julho de 2016 às 02:12 | Atualizado há 1 anoAcontece no início da noite desta sexta-feira, 29, na Galeria Antônio Sibasolly, o lançamento da mostra do 22º Salão Anapolino de Arte, data importante para os realizadores e, sobretudo, para Alice Lara, Lucina Ohira e Sérgio Bonilha, Vítor Mizael e Talles Lopes, artistas cujos trabalhos foram escolhidos os melhores dentre os 20 selecionados nesta edição. Vale ressaltar que foram mais de 700 inscrições, vindas de todas as partes do Brasil. Os quatro indicados pela Comissão de Premiação – isto porque Ohira e Bonilha apresentam uma obra conjunta – recebem prêmio no valor R$ 10 mil cada um, mas uma ajuda de custa de R$ 1 mil. A exposição fica aberta ao público até 30 de setembro, das 8h às 12h e das 14h às 18h.
Sobre a mostra, o diretor da Galeria e curador do Salão, Paulo Henrique Silva, explica que, com a intenção de mediar à diversidade de leituras estabelecidas entre as narrativas poéticas desenvolvidas pelos artistas, a curadoria organizou a expografia em dois conjuntos de trabalhos: o dos que lidam com questões relacionadas à arte e à ciência, composto por Bruno Duque, César Becker, Débora Mazloum, José Loures, Mario Grisolli, Luciana Ohira e Sérgio Bonilha, Pontongor, Tchelo e Vítor Mizael.
E o dos que têm a arte e a política como viés, formado por Arthur Arnold, Rodrigo Moreira, Rei Souza, Virgínia Pinho, Talles Lopes e Iris Helena, além dos trabalhos de Alice Lara, Danielle Fonseca, Flavia Fabiana, Janaína Miranda e Luciana Kater, que não se modulam em nenhum dos conjuntos, e, portanto, funcionam como obras conectoras. Apesar dos limites espaciais das salas expositivas, a exposição foi desenhada de forma a atender às necessidades adequadas de cada coletivo de trabalhos apresentados.
Os premiados
Entre os premiados, o anapolino Talles Lopes chama a atenção. Participando pela segunda vez do Salão – foi um dos selecionados no ano passado -, o jovem de 19 anos, aluno do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Goiás (UEG), é uma das revelações da arte contemporânea em Goiás. Segundo Paulo Henrique Silva, Lopes é uma das promessas da cena anapolina e goiana, com perspectiva de uma rápida ascensão.
No Salão Anapolino, Talles Lopes apresenta o tríptico “Condenações”. O artista utiliza acrílica, aquarela e nanquim sobre papel para produzir trabalhos que evidenciam questões sociais como as das habitações populares e a violência, que permeiam o mundo periférico. Os desenhos de Talles instigam a refletir sobre uma problemática que, hipoteticamente, não seria consequência de um fluxo natural, mas sim, de algo pensado e planejado. Utilizando a figura híbrida do homem com cabeça de coelho e terno preto, cria um personagem que faz alusão aos contos infanto-juvenis e a figuras de homens de negócios e políticos.
Alice Lara Alice Lara opta pelo tradicional, a tela. A pesar do uso de suporte convencional, Lara preenche as superfícies planas com inquietações inerentes ao mundo contemporâneo. Nos trabalhos apresentados na mostra, tem-se a impressão de estar diante de uma tentativa de humanização dos animais representados. As pinturas de Alice são densas, carregadas de sentimentos abstratos como a dor e o medo, abordam questões relacionadas à taxidermia, ao cárcere, à domesticação e ao adestramento. Os animais são tema recorrente no trabalho de Alice Lara e isto, afirma ela, é influência de sua infância vivida na zona rural de Vicente Pires, cidade satélite do Distrito Federal.
O artista paulistano Vítor Mizael, ao utilizar em sua instalação pássaros exóticos e ornamentais taxidermizados, provoca uma fricção dicotômica entre conceitos das ciências naturais e arte contemporânea. Fornecidas por criadores, as aves fazem parte de uma estimativa de 10% das mortes já esperadas e em vida nunca estiveram em liberdade. Ao retratar animais domésticos com crueza e discutir o limbo jurídico no qual se encontram, a produção de Mizael pode chocar alguns olhares mais epidérmicos. No entanto, a obra carrega um forte tom político, afastando-a de observações apressadas que só enxergam ‘polêmica’ nas séries realizadas pelo artista.
Evidenciando uma natureza tomada pelas representações artísticas e científicas, em que homem e habitat são vistos e interpretados de forma mais holística, os matogrossesenses Luciana Ohira e Sérgio Bonilha, propõem trazer para dentro da Galeria, espaço institucional, a reflexão sobre a interferência da ciência na percepção do mundo do sensível. A partir de estudos desenvolvidos pelo físico alemão Georg Christoph Lichtenberg, sobre a existência de um formato gráfico nos vestígios deixados pelas descargas elétricas, Ohira e Bonilha, realizam a obra “Agenciador de força onipresente”, apresentado no Salão.
Placas de madeira foram distribuídas pelo prédio e pela sala de exposição, próximas a tomadas elétricas, onde foram gravadas por meio da técnica xilo-eletrográfica. Expostas ao lado das tomadas que foram utilizadas para transmissão de corrente elétrica, o público pode observar as variações gráficas de cada superfície.
Referência
Com trinta e sete anos de existência e chegando à sua vigésima segunda edição com mais de 700 artistas inscritos, não é exagero afirmar que o Salão Anapolino de Arte tornou-se referência fora do eixo Rio-São Paulo. O Salão apresenta-se, hoje, entre os principais mecanismos de promoção da arte contemporânea no Planalto Central, e, portanto, inverte a lógica estabelecida entre centro e periferia, afirma seu curador, Paulo Henrique Silva, também diretor da Galeria Antônio Sibasolly. “Os Salões regionais e geograficamente localizados no interior apontam para um novo norte, assumindo importante papel no mapeamento da produção contemporânea do Brasil”, avalia Silva.
Comprometido com o hoje e o agora, o Salão Anapolino revela valores, aponta tendências, abre espaço para jovens artistas e contribui, de maneira efetiva, para a formação e consolidação do acervo do Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA), afirmam seus organizadores. Esta edição, realizada com recursos do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás, oferece aos artistas e a ao público uma programação mais extensa, com atividades paralelas como exposição coletiva para os artistas premiados, mesa redonda, oficinas para artistas locais e ação educativa para, aproximadamente, três mil alunos de escolas públicas de Anápolis e cidades próximas.
22º Salão Anapolino de Arte
Abertura: 29 de julho
Horário: 20h
Local: Galeria Antônio Sibasolly – Praça Bom Jesus, nº 101 – Centro
A exposição fica aberta ao público até 30 de setembro (menos sábados, domingos e feriados)
Entrada gratuita