Depois do fogo só resta sal de frutas e cinzas
Redação DM
Publicado em 10 de fevereiro de 2016 às 20:35 | Atualizado há 1 ano
A escola de samba paulista que foi eleita com muita confusão: Império de casa verde. O glamour da Sapucaí. Os blocos de rua e fantasias que causaram polêmica pelo país
No meio de confusão Império da Casa Verde foi eleita a campeã do Carnaval paulista. O terceiro título da agremiação no Grupo Especial foi anunciado na tarde de terça-feira em uma apuração marcada por confusão, pancadaria e reclamações de integrantes de outras escolas.
No quinto quesito anunciado, a evolução, o segundo jurado esqueceu de dar nota para a Império da Casa Verde, o que gerou revolta entre os representantes das agremiações presentes no local. Policiais da Civil fizeram cordão de isolamento para que os representantes não invadissem a mesa, mas logo em seguida um integrante da diretoria da Unidos da Vila Maria agrediu representantes de outras escolas.
Bastante descontrolado, um membro da diretoria da escola Vila Maria identificado como Márcio foi preso durante a apuração do Grupo Especial de São Paulo. O homem precisou ser contido por seis oficiais da Polícia Civil e acabou sendo agredido pelos policiais. Em seguida, foi algemado e levado para o camburão.
Festa depois do barraco
A império comemorou a taça de campeã do carnaval paulista com a mesma paixão com que passou o ano preparando a apresentação e desfilando no Anhembi. A escola abordou questões da fé e mistérios da humanidade ao longo dos séculos. Ela levou para a avenida carros alegóricos de muito impacto para o público e acabou levando o título pra casa. A escola foi fundada por alguns moradores e comerciantes do Bairro de Casa Verde.
Novo carnavalesco garantiu a vitória da casa verde. Após o Carnaval de 2015, a vencedora Império, trouxe o carnavalesco e diretor de carnaval Jorge Freitas para comandar seus trabalhos, após oito anos na Rosas de Ouro. O resultado foi a visível evolução no acabamento e concepção de alegorias e fantasias, além do trabalho com as alas. Todo esse esforço do carnavalesco garantiu o título que alegrou as pessoas que trabalharam durante vários meses para o desfile nos barracões do bairro Casa Verde.
Série B do carnaval
Pérola Negra e X-9 Paulistana são rebaixadas para o Grupo de Acesso. A Pérola Negra ficou com 264 pontos e terminou em décimo terceiro lugar, a escola tinha acabado de subir pra série A. E a X-9 Paulistana foi a última colocada do carnaval paulista depois de muitos problemas com os carros no desfile. Ano que vêm as duas estarão fora do desfile do grupo especial. Lembrando que a X-9 foi a escola na qual aconteceu o acidente em que uma passista caiu do carro alegórico.
Agora na contra mão, subindo pro grupo especial, está a escola de samba da torcida organizada do Palmeiras. A Mancha Verde é campeã do Acesso. Tom Maior também sobe à elite do carnaval paulista. Escola da torcida do Palmeiras fez um desfile impecável. A Mancha teve como destaque a rainha de bateria Viviane Araújo e arrasou no Anhembi depois de ter caído em 2015. A escola que ficou em segundo,Tom Maior homenageou Milton Nascimento em seu desfile.
Sapucaí, glamourosa e malandra
Todo ano um gringo famoso diferente costuma dar as caras na Sapucaí. Desta vez foi o cineasta norte-americano Tim Burton quem assistiu aos desfiles das escolas do Rio de Janeiro e ele foi de máscara e tudo. O diretor foi pra lá de simpático com os brasileiros. Não economizou em selfies com os fãs, até na beira da praia. Burton não parou de fotografar todos os detalhes do desfile. Tim Burton das massas.

Outra bola dentro na Sapucaí foi o tema e realização do desfile da Salgueiro. A comunidade do Salgueiro destaca que sentiu identificação com o enredo. A escola que levou para a avenida a ‘Ópera dos Malandros’. ‘É uma ópera popular’, disse o fundador da escola djalma Sabiá, ele que é um típico bom malandro. A figura do boêmio e a malandragem do povo carioca fez com que a comunidade se enxergasse no enredo e desfile da escola.

Blocos de rua, festa democrática
Em todo canto do Brasil o que não faltou foram blocos de rua. No Rio de Janeiro por exemplo só no último dia 103 blocos se apresentaram. Um deles é o Bloco das Carmelitas, que desfilou ontem pela segunda vez na folia desse ano. A primeira foi na sexta-feira anterior ao início da festa. Mais ou menos dez mil foliões percorreram as ruas do bairro de Santa Teresa, na região central do Rio de Janeiro. Uma lenda que envolve o bloco explica os dois desfiles. A lenda fala de uma freira que deixava o claustro em um convento no bairro no início da festa e só voltava no fim da folia. Carnaval, nem os servos do senhor conseguem ficar fora da festa.
No último dia de farra teve também a Banda de Ipanema. A história desse bloco começa no início de fevereiro do ano de 65, comecinho da ditadura, o silêncio tomava conta das ruas. Um grupo de amigos pioneiros se reuniu para preparar o que seria o ante-projeto da banda que iria estrear, duas semanas antes do carnaval. Naquele dia, cerca de 30 amigos estavam desfilando pelas ruas de Ipanema, a partir da Praça General Osório. Daí surgiu o Bloco Banda de Ipanema, um dos mais tradicionais do Rio, que foi pras ruas cariocas mais uma vez esse ano. Eles reuniram milhares de pessoa seguindo sua tradição de não usar carro de som.
Nem só de clássicos vive o carnaval mas de toda invenção humana. Como o bloco que estreou esse ano juntando rock com marchinha carnavalesca. Foliões desfilaram com raio na cara, homenagem ao músico que faleceu esse ano, David Bowie. Os integrantes do Bloco “To de Bowie” anunciaram: Se já tocaram o Camaleão até no espaço, porque não tocar no carnaval? A banda tocou na rua hinos do imortal camaleão em ritmo de marchinha, apenas instrumental e um DJ completou a festa dos fãs do roqueiro. O bloco foi idealizado pelo designer Cauê Yuti e seus amigos.
Fantasias que incomodaram militantes
A polêmica do Blackface.Todos os anos, milhares de foliões curtem o Carnaval por todo o país ostentando as mais diferentes e criativas fantasias. Mas há uma delas que nunca falta e desagrada e muito os ativistas do movimento negro, o blackface. Ou seja se fantasiar de pessoa negra, uma das mais comuns é a “nêga maluca”. Os ativistas pedem pra pensar duas vezes antes de pintar o rosto de preto ou colocar um blackpower.
Isso é considerado depreciativo e desrespeitoso. E eles dão o aviso de que não adianta dizer que se trata de uma homenagem. Quem faz blackface ou põe um blackpower está debochando de todo um povo. Se a escolha foi consciente ou não, não importa. Na dúvida é melhor evitar.

Fantasia de criança negra causa revolta no facebook. No domingo o produtor de teatro Fernando Bustamante saiu de casa com a mulher e o filho para aproveitar o Carnaval de rua em Belo Horizonte. Os três estavam fantasiados de personagens de um clássico da Disney. O pai, vestido como Aladim, a mãe, como a princesa Jasmine, e o filho adotivo do casal, um garoto negro como o macaco de estimação Abu.

Isso causou e muito nas redes sociais. No dia seguinte, uma foto que mostra o menino nos ombros do pai já havia viralizado. Nas seções de comentários, Fernando foi xingado e acusado de racismo, por conta da associação entre a criança, negra, e o macaco. Depois do ocorrido ele publicou no Facebook um texto no qual explicava a situação, dizendo que sua intenção jamais foi de cunho racista e pediu desculpas a quem se sentiu ofendido.

Em contraponto, também teve a fantasia da “Branca Maluca”, em alusão as mulheres de classe média alta, que se manifestam contra o governo Dilma, batendo panelas nas varandas dos setores mais caros das capitais brasileiras.