“Eu sou um dinossauro”, diz Walter Carvalho em mesa durante o FICA
Redação DM
Publicado em 15 de agosto de 2015 às 18:45 | Atualizado há 1 anopor Walacy Neto
A 17ª edição Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) é uma junção de atos e manifestações. O tema próprio do festival, o meio-ambiente, movimenta alguma coisa dentro da gente, algo de insatisfação e de desejo de fala. A greve instalada na Universidade Federal de Goiás, por exemplo, também está sendo pautada daqui em acontecimentos propostos por alunos da faculdade. Os filmes apresentados, ainda por cima, dão certo tapa na cara da gente, algo que pode gerar tanto insatisfação, quanto revolta ou até mesmo admiração, ou seja, identificar o que é de bonita. A beleza foi um dos principais temas abordados pelo cineasta Walter Carvalho.
Para essa edição o cineasta, roteirista e fotógrafo veio discutir essas parcelas que englobam o ato de produzir cinema. Durante a mesa, Walter iniciou citando o que acredita ser básico para quem tem interesse em cinema: a literatura. “A primeira aula para se aprender fotografia é ler. Não consigo imaginar um bom roteirista, um bom cineasta que não tenha lido, por exemplo, um livro do Machado de Assis”, afirma. Com bastante desenvoltura, Walter conversou com o público formado basicamente por jornalistas, estudantes de cinema e outros agitadores do audiovisual.
“A fotografia não existe mais. Sim, estou fazendo essa declaração bombástica às 11h23 da manhã aqui em Goiás. Mas é isso, não existe, não se imprime mais fotografia”, disse. Walter afirmou ser “um dinossauro” e ter preferência pelos modelos analógicos. Para ele, a tecnologia serve apenas de ferramenta e tenta, ao máximo, não permitir que esta influencie na estética do seu trabalho. Ele também falou sobre essa impermanência da imagem constante atualmente, onde uma foto não é tão válida devido ao processo digital. “Não tá na qualidade da tinta a beleza de um quadro, mas sim no traçado do pintor”, concluiu.
O que é beleza?
Sobre a iluminação no cinema, Walter foi bastante didático. Ele pediu que a luz fosse desligada diversas vezes, que as cortinas fossem fechadas e abertas em seguida, tudo com a intenção de provar seu ponto sobre a importância que a luz tem. “Iluminar é antes de tudo proteger. Eu acho que a luz nem tem a função de iluminar do cinema”, declarou Walter. A importância da luz está no que o fotografo pretende ressaltar quanto a interpretação do ator. A luz, de acordo com Walter, tem o poder de destacar traços e de esconder, dependendo da intenção do profissional.
A beleza do filme, aquilo que é considerado belo pela maioria, também foi pauta das discussões desta manhã. Walter afirmou que “nem tudo que é bonito serve”. Walter falou da estética de cenas e da moldagem dos planos, ou seja, como ele encontra aquilo que deseja expressar através dos filmes.
Ainda hoje na programação do FICA, consta Mostra Competitiva no Cinemão, uma mesa sobre o trabalho dos índios na defesa do meio ambiente e diversas apresentações musicais e artísticas espalhadas pela cidade.
