Desativada 2

Fechando Ciclos

Redação DM

Publicado em 11 de março de 2017 às 02:24 | Atualizado há 1 ano

Os goianos que se anteciparam e compraram ingressos para o show da cantora e compositora capixaba, Ana Muller (pois, as duas sessões da apresentação já se esgotaram) vão poder conferir o despertar de uma nova fase da carreira desta jovem artista. Dona de uma voz grave e decidida, que não acompanha há algum tempo o rosto doce e a pouca idade–ela tem 25 anos -, a cantora do webhit Deixa, que computa mais de dois milhões de views no Youtube, chega aqui para lançar o primeiro EP, que leva seu nome, e que segundo ela, fechando vários ciclos.

Portanto, é uma Ana Muller que diz ter se encontrado como: “artista, ser humano, e principalmente como mulher”, que sobe hoje no palco montado no Evoé Café Com Livros, para cantar faixas do novo trabalho. O show acontece em duas sessões: a primeira às 19h, a última às 20h30.

O EP que vai mostrar, contém cinco faixas–Além de “Deixa”, “Não Vá Embora”, “Me Cura”, “Escopo” e “Árvore Seca”–e não só tem tudo a ver com suas mudanças, como é um registro delas. Composto por faixas autorais, no trabalho Ana se despe ao público, como poucos artistas. Mostra um eu lírico sem máscaras, ao expor experiências pessoais galgadas em relacionamentos que deram certo ou não, mas que–apesar da dor–ajudaram na construção da cantora de hoje. Ou seja, o disco funciona como trilha sonora do caminho que a levou rumo à maturidade.

Mas, para esta cantora chegar até aqui, com um EP e show concorrido, sua vida passou por várias provas. Para se dedicar à carreira solo, a artista, que canta e compõe desde a infância, teve de deixar sua banda Aurora (que foi uma dos vencedoras da 5º edição do Festival Prato da Casa, um dos festivais importante à cena independente capixaba) e uma faculdade de Direito. Neste fechamento de ciclo largou ainda o estável trabalho como servidora pública, para se dedicar somente ao mundo das canções.

Foi arriscado? Certamente. Mas, ela não tinha muito como fugir. A música parece ser sua predestinação. Assim, influenciada tanto por figurões da MPB, a exemplo de Chico, Caetano, Tom, como pelos artistas mais contemporâneos Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo e Criolo, Ana Muller canta desde a infância. E, teve na figura do pai um dos maiores incentivadores. “Ele dizia: siga seus sonhos”, relembra ela.

Ana seguiu, mas levou o pai consigo nos sonhos e sempre quando evoca o amor pela música sertaneja de raiz. Ela coloca, inclusive, Tião Carreiro e Pardinho como uma de suas referências mais vitais. “A música sertaneja faz parte da minha construção musical e de caráter”, explica a artista.

Com a alma musical, Ana logo sentiu-se pronta para cantar as próprias emoções. Ao postar despretensiosamente, seus vídeos na internet–sempre ao lado do grande companheiro–o violão–chegou o incentivo que faltava para viver para cantar. E o Youtube foi, depois do talento para compor e cantar, obviamente–um dos maiores responsáveis pelas transformações na vida de Ana Muller, que segue em turnê pelo Brasil encenando, apresentando e começando novos ciclos.

Ana Muller no Evoé Café com Livros

Quando: Hoje, às 20h30

Onde: Evoé Café Com Livros (R. 91, 489 – St. Sul, Goiânia)

Ingressos esgotado

 

ENTREVISTA ANA MULLER

 



Gosto da sensação de ter o violão como um escudo. Ele vai na frente e eu sou apenas extensão.

 

DMRevista: Goiânia é um dos primeiros shows de lançamento do EP. Já se apresentou na cidade? Conhece o cenário musical goianiense?

Ana Muller: Nunca me apresentei em Goiânia e por isso estou muito ansiosa. O público parece muito caloroso e interessado. Foi o primeiro local a esgotar os ingressos! E das duas sessões! Tenho certeza que será um show mágico. Eu ouvia muita música caipira por influência do meu pai, por isso consumia muita coisa de antigamente de Goiás. Atualmente tenho me atualizado aos poucos no cenário rico da cidade e tenho ficado de olho principalmente no que acontece nos festivais independentes, como o Bananada e o Vaca Amarela.

 

DMRevista: O EP foi gravado de forma independente? Como foi a sua produção?

Ana Muller: O EP foi resultado de muito amor. Tanto por parte dos fãs quanto pela ajuda da minha família, da minha equipe e dos produtores responsáveis. Foi um processo de libertação musical e de encerramento de ciclos emocionais meus. Iniciando um novo momento na minha vida e carreira.

 

DMRevista: Quais os ciclos que você fecha e quais abre neste disco?

Ana Muller: Fechei muitos ciclos com o disco. Foi determinante para me reconhecer. A gente passa boa parte da vida sem dar ouvido a si mesmo, sem saber quem é de verdade, vai no piloto automático… Esse disco me obrigou a ficar de frente comigo mesma, me encontrar como artista, como ser humano, mas principalmente como mulher. Ficou pra trás a menina, esse é o ciclo que se fechou. Eu me despedi, psicologicamente, da Aurora (banda que tocava antes da carreira solo) quando o EP ficou pronto. Me libertei daquelas referências, descobri um mundo novo de possibilidades dentro da música e entendi que agora eu posso fazer do meu jeito.

 

DMRevista: Você já disse usar o violão também como forma de esconder do mundo. Ao mesmo tempo as  canções trazem um toque autobiográfico. Como lida com esta vontade conflitante de esconder e se expôr de forma tão verdadeira através das canções?

Ana Muller: Eu exponho minha arte, exponho a maneira de lidar com essas mazelas. Gosto da sensação de ter o violão como um escudo. Ele vai na frente e eu sou apenas extensão.

 

DMRevista: O seu pai teve um papel importante em sua entrada no mundo da música. O que mais foi determinante para que você embarcasse de vez nessa carreira?

Ana Muller: Meu pai é meu ídolo. Foi determinante saber que ele me apoiou sempre, junto com a minha mãe. Esse “siga seu sonho” foi fundamental pra me jogar de vez. Além disso, saber que posso tocar pessoas, passar uma mensagem e conseguir confortar alguém me ajudou a largar a carreira de servidora pública e entrar de vez na música.

 

DMRevista: Você se considera uma cantora da nova MPB? Como olha para este novo cenário musical brasileiro?

Ana Muller: Eu me considero aprendiz dessa nova geração da música. Eu olho pra esse cenário com fé e admiração. A gente tem feito tudo com muita verdade pra fortalecer essa cena. E feito assim, com sinceridade, que esse cenário cresce.

 

DMRevista: O folk e a música sertaneja raiz também inspiram sua música? Pode falar um pouco sobre suas influências?

Ana Muller: A música sertaneja raiz mais que o folk. Eu gosto de brasilidade, da língua portuguesa. Minhas referências principais são de artistas que aproveitam do nosso idioma para falar de amor e do cotidiano, e a música sertaneja tem uma maneira muito singela de falar sobre esses assuntos, eu gosto muito. Faz parte da minha construção musical e de caráter.

 

DMRevista: A internet teve um papel importante em sua carreira. Com ela está mais fácil para compositores e músicos?

Ana Muller: Acho que tudo ficou mais perto. A gente consegue fazer parte de uma cena geral, sair da zona de conforto conhecendo outros artistas, trocando experiências, lidando com mais proximidade com o público. A internet é uma ferramenta que aproxima e facilita, mas não define uma carreira.

 

 

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