Goiás Colonial:o lado oculto
Redação DM
Publicado em 13 de dezembro de 2016 às 01:23 | Atualizado há 2 anos
O leitor já deve ter se questionado sobre as cidades históricas do Estado. Onde estão? Na memória, lembramo-nos rapidamente da Cidade de Goiás, antiga Vila Boa, primeira capital do Estado, hoje considerada patrimônio mundial pela Unesco. Pirenópolis? Antiga Meia-ponte, cidade de onde saiu o primeiro jornal de Goiás. Jaraguá? Hoje polo têxtil, com um centro histórico de grande riqueza arquitetônica. Mas e sobre Santa Cruz? O leitor já ouviu falar? A cidade está distante apenas 110 quilômetros de Goiânia e guarda um verdadeiro patrimônio ainda desconhecido de muitos moradores do Estado. A cidade guarda muito do que os bandeirantes deixaram por aqui. Ao passar por Santa Cruz, o viajante desavisado encontrará muito além daquilo que espera.
Foi criada por volta de 1729, anteriormente à construção de suas cidades vizinhas também históricas, como Palmelo e Pires do Rio. Santa Cruz de Goiás é um verdadeiro berço histórico da região Sudoeste do Estado. Pacata, abriga cerca de três mil habitantes. Ao chegar ao centro da cidade, que se apresenta quase automaticamente diante da passagem pela rodovia Gustavo Capanema (mais conhecida como GO-020), podemos visualizar um lugar de estética mesclada. Ao mesmo tempo em que temos diante dos olhos casas coloniais vindas de séculos distantes, podemos contemplar as modificações e novos ornamentos construídos ao longo das décadas. Alguns remetem à preservação da história, outras misturam o passado com o presente através de adaptações.
As casas de Santa Cruz sobrevivem. Seja por meio de reformas semi-descaracterizadoras, seja por verdadeiras restaurações. O local é único. Apesar da aparência, pouco podemos sentir das cidades históricas mais conhecidas do Estado. Não existe um clima eufórico de turismo, ou personalidades internacionais perdidas em meio ao centro de Santa Cruz. Por outro lado, passar pela cidade é uma verdadeira descoberta. Santa Cruz fica no caminho para duas outras outras cidades históricas: Palmelo, localizada a apenas sete quilômetros, é uma das únicas cidades do Brasil que preserva uma predominância religiosa kardecista. A cidade foi erguida em volta de um Centro Espírita em 1929, contrariando a “regra” das cidades que nascem em volta de uma igreja católica.
17 quilômetros à frente de Palmelo, encontramos Pires do Rio, cidade criada para abrigar uma estação da ferrovia de Goiás, nas primeiras décadas do século XIX. Pires do Rio, conhecida como a cidade dos beija-flores, é até hoje uma referência quando se fala na história ferroviária do Estado. Santa Cruz é conhecida por ter sido residência dos Anhanguera, ou seja, descendentes de Bartolomeu Bueno da Silva. O local é considerado uma das primeiras povoações coloniais do Estado de Goiás, encontrado em 1729 por Manuel Dias da Silva. A elevação do povoado a distrito aconteceu em 1759. No século seguinte, em 1833, foi reclassificada como vila. Também já foi anexada à cidade de Pires do Rio, ganhando status de município apenas no ano de 1947.
História
O site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística disponibiliza informações sobre os primeiros anos de Santa Cruz. “O local foi descoberto por Manoel Dias da Silva, no início do desenvolvimento de Goiás, por volta de 1730, sendo considerado uma das primeiras povoações do Estado, fundada simultaneamente com os arraiais da Barra e Meia Ponte”. O nome da cidade simboliza uma cruz deixada em seu local de fundação, contendo a inscrição “viva el-rei de Portugal”, como conta o texto. “As primeiras habitações formaram-se junto à cruz, assinalando-se, com a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o início da formação do arraial originada na mineração, fator preponderante para o devassamento do território, criando-se em 1733 uma Intendência para arrecadação do quinto”.
Vários momentos marcaram a sustentabilidade econômica de Santa Cruz, que viveu o ciclo do Ouro, a chegada da Estrada de Ferro Goiás e a guinada da agricultura que hoje é a principal fonte de renda de boa parte dos municípios do interior de Goiás. “Habitado primitivamente por índios, logo dispersos, negros escravos, aventureiros e garimpeiros e, posteriormente, por agricultores e lavradores em decorrência do esfriamento da atividade aurífera e a chegada dos trilhos da estrada de ferro”. O site do IBGE também informa que a cidade já recebeu o título temporário de capital da província de Goiás. “Destaca-se, na história de Santa Cruz, ter sido por algum tempo (não há registros de datas) sede (capital) da Província de Goiás”.
