Green City: encontro das culturas hip hop e rastafari
Redação DM
Publicado em 12 de setembro de 2015 às 13:42 | Atualizado há 1 ano(Foto-destaque: Clann, coletivo de rap goianiense)
Será realizado hoje, a partir das 16h20, no Espaço Cultural, o evento Green City Fest. A iniciativa promete disputas entre MCs, onde artistas compõem e cantam seu material na base do improviso, acompanhados por DJs, além de shows com grupos de Goiás e do Distrito Federal. O projeto é resultado da união de coletivos independentes na produção de um evento que mostre a diversidade musical que vem crescendo no Centro-Oeste do Brasil.
Após as batalhas a festa fica por conta de três apresentações musicais. Primeiro o grupo de rap O Clann, de Goiânia, com Lucas Mahatma, Pedrim, Ópio e DJ Kazam. Em seguida, a Tropa H2, conduz a festa com Ras Tibuia, YellowMan e DJ Césio Selecta, fazendo um rap carregado de influências: de MPB à musica afro-jamaicana. O final fica por conta de Rafael Zulu e Léo Trovão, vindos do DF para mostrar reggae de qualidade produzido no coração do Brasil.

Duelos
Segundo o produtor Wilton Teles, do coletivo SemSalivaCrew, os MCs devem inscrever-se no próprio local do evento. “Cada duelo oferece 30 segundos para cada MC. O júri técnico é composto pelos rappers Nobre Sam e Vanderson Coiote, que analizam critérios como a métrica, as rimas e o flow do produto apresentado pelos concorrentes”.
Os duelos terão duas rodadas, havendo uma terceira em caso de empate. Além do juri, o público também escolhe seu MC favorito. No fim das disputas o vencedor ganha uma tatuagem do artista Douglas Rafael. Os apresentadores dos confrontos, Malik Lion e Hallex Vinicius, fazem parte do Riminação, coletivo fundado em Aparecida que vem se especializando em batalhas de Rap e uniu-se ao SemSalivaCrew e ao Espaço Cultural na realização do Green City.
Essência
O músico Léo Trovão, que cresceu em meio a instrumentos musicais, expôs ao DmRevista a mensagem que tenta transmitir ao público com sua música. “São ideais de igualdade, justiça, mudança, união, amor, respeito, resistência. Ao mesmo tempo não me limito. Também escrevo musicas para tocar no baile com letras não tão politizadas, sempre no intuito de atingir as pessoas para que elas se sintam bem”.

O artista conta ainda os motivos que aproximaram do reggae, e seu processo eclético de formação, comum a muita gente da região central do Brasil. “Eu e alguns amigos queríamos ouvir por aqui um reggae de protesto como os da Jamaica, mas na época era muito escasso. Decidimos fazer nós mesmos. Sempre tive contato com música em casa por influencia do meu pai, apaixonado por sertanejo de raiz. Com o tempo comecei a gostar de rock, de rap e reggae, que sempre estiveram presentes a minha volta por serem estilos predominantes nas periferias do DF, onde cresci”.
Lucas Mahatma, do coletivo Clann, aproximou-se do rap pela beleza que viu na forma de comunicação do estilo. “Gosto da poesia do rap em essência. Poder passar pro papel meus pensamentos, transmitir uma mensagem de momentos vividos, reflexões pra quem me ouve”. O músico conta ainda que sempre se viu próximo ao rap. “Só me lembro de colocar rap, de ouvir rap, de ir atrás de rap desde aquelas coletâneas que eram vendidas por camelôs em feira”.
Mahatma também lembra a possibilidade de mescla de gêneros que o rap atende. “Por conta da família sempre ouvi muito rock nacional, MPB, samba de raiz, pagode… Gosto de instrumentos, de ouvir solos, são texturas que quero e gosto no meu som”. Sobre a adesão de Goiânia ao rap, Mahatma vê um grande crescimento de apreciadores. “De uns tempos pra cá os eventos, principalmente os grátis, de rua, tem me mostrado uma molecada jovem que quer ver batalha e ouvir rap ao vivo”.
Léo Trovão avalia que as iniciativas independentes como o Green City contribuem muito no potencial cultural da cidade. “Com tanta burocracia e dificuldades para fazer acontecer cultura de forma real no dia-a-dia é importante termos pessoas que de forma independente apóiam a cena, aproximando artistas e público de forma eficaz e com baixo custo”. O Espaço Cultural fica na Rua 91, no Setor Sul, e a entrada do Green City custa R$ 10. Também será sorteada ao público uma tatuagem do artista Erik Lord.